Executivos aprendem a decidir com caso Ecco

Empresa de calçado deslocalizou produção para a Tailândia, mas acabou por voltar para Portugal. AESE estuda caso na escola de negócios.

A dinamarquesa Ecco instalou-se em Portugal em 1984. Foi atraída pela produção baseada na mão-de-obra barata que o país oferecia. Em São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira, chegou a ter aproximadamente milhar e meio de trabalhadores e uma produção anual de cerca de 23 milhões de pares de sapatos. Quando o Extremo Oriente começou a oferecer custos de produção mais baixos e proximidade à matéria prima, a Ecco apanhou a boleia e deslocalizou para a Tailândia. Aí, um acidente fabril de grandes dimensões fê-la repensar.

O regresso da empresa de calçado Ecco a Portugal para produção em série de calçado, em 2011, foi o tema central de um trabalho de investigação realizado por José Ramalho Fontes, que se traduziu na redação de um caso, publicado com título de “Ecco Portugal 2015”. Com ele, o investigador, especialista na área de Operações e Inovação, que é também Presidente da AESE, venceu a última edição do concurso de casos promovido pela FAE/EDP. Esta investigação é agora ensinada nos programas de formação de executivos da escola, que utiliza o método do caso para ensina líderes e executivos a tomar decisões.

O caso “Ecco Portugal 2015” desafia os participantes nos programas da AESE a assumirem o papel de Gustavo Kremer, CEO da empresa, empenhado em fazer crescer a fábrica de S. João de Ver em termos de valor acrescentado e de criação de emprego qualificado. Este é o caso mais recente investigado e aplicado nos programas de formação de executivos da AESE, que recorre a casos reais que retratam situações semelhantes àquelas que os dirigentes encontram no exercício das suas funções.

Este “vestir a camisola”, ou “dar corda aos sapatos”, no caso Ecco, passa por várias fases a fim de optimizar a experiência acumulada dos participantes na gestão de pessoas ou projetos. A primeira dessas fases tem a forma de estudo individual – o aluno coloca-se na posição do protagonista da história e avalia que opções tomaria para resolver a situação. Na segunda fase, já na AESE, os participantes, inseridos num grupo com uma dezena de pessoas, com backgrounds e valências diferentes confrontam a leitura que fizeram do caso.

E isto porquê? Porque as pessoas dos Recursos Humanos têm uma visão diferente das pessoas do Marketing e estas divergem da visão dos financeiros. “Este grupo procura ser o mais parecido com uma reunião de direção. A heterogeneidade dos percursos académicos e profissionais alarga o leque de análise e resolução do problema dos líderes”, explica José Ramalho Fontes ao Jornal Económico. A isto chama-se learning teams.

Na fase final que decorre no âmbito da sala de aula, os vários grupos de estudantes reúnem-se com o professor que os vai ajudar a tocar nos pontos-chave de cada caso. No fundo, ajuda-os a descobrir as melhores decisões enquadrando-o caso original com a evolução que poderá ter tido no mercado.

O método do caso foi trazido para Portugal pela escola de negócios AESE em 1980 e desde essa altura tem vindo a conquistar adeptos. A AESE tem vindo a desenvolvê-lo com o apoio da sua parceira espanhola IESE Business School, uma das principais escolas mundiais de formação de executivos e de MBA, segundo o britânico Financial Times. Também a rede de escolas associadas do IESE utiliza esta metodologia. A AESE e o IESE levaram-na para Angola, onde é utilizada na ASM – Angola School of Management.

O método do caso nasceu no pós II Guerra Mundial na Harvard Business School e é usado para formar executivos um pouco por todo o mundo, usando experiências reais para encontrar soluções para os desafios do dia-a-dia.

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