Passos sobre Miguel Beleza: “A sua inteligência sobressaía com naturalidade e impressionava”

O presidente do PSD reagiu à morte de Miguel Beleza. “Como economista, formou-se com brilho e distinção nas escolas americanas mais ilustres e na companhia de alguns dos grandes mestres mundiais. Esse raro reconhecimento internacional pelo seu saber acompanhá-lo-ia sempre ao longo da sua vida”, disse. Já Cavaco Silva enviou à Lusa um comunicado lembrando “um homem de grande inteligência e de fino humor”.

Pedro Passos Coelho reagiu ao final da noite à morte do economista Miguel Beleza, que foi ministro das Finanças durante um dos governos liderados pelo PSD. “Foi com profunda consternação que recebi a notícia do falecimento do Professor Miguel Beleza. Ele foi uma figura notabilíssima tanto na Academia, como no exercício de funções públicas”, disse o presidente do PSD em comunicado.

“Como economista, formou-se com brilho e distinção nas escolas americanas mais ilustres e na companhia de alguns dos grandes mestres mundiais. Esse raro reconhecimento internacional pelo seu saber acompanhá-lo-ia sempre ao longo da sua vida”, disse Passos Coelho.

“Em Portugal, também ensinou várias gerações de alunos e a sua inteligência sobressaía com naturalidade e impressionava qualquer interlocutor”, refere o líder social-democrata.

“Serviu o País de forma exemplar, primeiro enquanto ministro das Finanças no XI Governo Constitucional, liderado pelo então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva; e depois como Governador do Banco de Portugal. Desempenhou estes dois cargos num período decisivo da nossa história democrática – o de preparação da entrada de Portugal no Sistema Monetário Europeu até à adesão e integração na União Económica e Monetária”, explica o líder partidário.

Pedro Passos Coelho recorda Miguel Beleza como “um apaixonado participante no debate público com uma humildade e elevação invulgares, ensinando sem impor, escutando sem renunciar aos seus princípios”.

“Nesta hora difícil presto a minha homenagem e a do Partido Social Democrata à sua carreira académica e pública, à sua participação cívica e à sua personalidade, e endereço a toda a família e amigos as mais sentidas condolências”, conclui o presidente do PSD.

Várias reações

O economista morreu esta quinta-feira aos 67 anos. Várias são as reações públicas de personalidades que conheceram Miguel Beleza. A Lusa relata algumas delas. O ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, e ex-chefe do Governo que integrou o economista no início dos anos 90 lembrou Miguel Beleza como “um dos mais brilhantes economistas formados pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras”, considerando que a morte do antigo ministro é “um momento de profunda tristeza”.

“Como economista, tinha grande respeito pelo saber de Miguel Beleza. Como pessoa, tinha por ele uma sincera amizade. Custa-me acreditar que tenha partido tão cedo”, disse Cavaco Silva numa declaração à Lusa.

“Um homem de grande inteligência e de fino humor”, que serviu Portugal com “grande competência”, ajudando o país a vencer as crises financeiras por que passou nos anos 70 e 80 e “a dar passos decisivos para que acompanhasse o aprofundamento da integração europeia”, refere Cavaco Silva.

“Um dos mais brilhantes economistas formados pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e pelo MIT em Boston. Tinha uma formação analítica superior”, acrescenta.

os anos em que Miguel Beleza trabalhou consigo no Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, admitindo que tinha “grande confiança na sua sensibilidade na área da macroeconomia”.

Cavaco Silva lembra ainda o facto de o economista ter sido seu “colega na Faculdade de Economia da Universidade Nova e na Universidade Católica. Em 1989, era eu primeiro-ministro, convidei-o para ministro das Finanças. Dirigiu com grande competência os trabalhos de preparação de Portugal para a União Económica e Monetária, os quais foram muito importantes para a definição da posição portuguesa sobre o Tratado de Maastricht. Nomeei-o mais tarde Governador do Banco de Portugal”, recorda.

Do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o ex-ministro das Finanças Luís Campos e Cunha e o antigo ministro da Segurança Social Silva Peneda.

“Divergimos quando Miguel Beleza era ministro das Finanças [no XI Governo Constitucional, no início da década de 1990] e eu porta-voz do PS para as questões económicas e financeiras, sem nunca deixarmos de ser amigos”, recordou, garantindo que “nunca” irá esquecer “as palavras e atitudes que Miguel Beleza teve”. “E teve-as sempre”, disse Ferro Rodrigues.

Luís Campos e Cunha recordou Miguel Beleza como “um bom amigo” e “uma das pessoas mais inteligentes” que conheceu, lamentando a sua morte. Enalteceu o seu “sentido de humor fantástico” e disse ter sido “com imensa pena” que soube da notícia da morte do economista.

Silva Peneda, antigo ministro da Segurança Social, lembrou igualmente o “amigo” Miguel Beleza, enaltecendo o “homem inteligente” e a estima mútua que tinham um pelo outro, apesar de algumas divergências quando foram ministros do mesmo Governo.

Outra reação vem de Carlos Tavares, ex-presidente da CMVM que ao Expresso diz que “Miguel Beleza é uma das pessoas mais inteligentes” que conheceu. “Era um economista magnífico e uma boa pessoa. O país não soube aproveitar e nem reconhecer devidamente as qualidades profissionais e humanas que ele tinha”, disse Carlos Tavares, ex-secretário de Estado do Tesouro de Miguel Beleza, ministro das Finanças entre 1990 e 1991.

Miguel Beleza foi um dos grandes promotores da criação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (que teve o seu antigo secretário de Estado, Carlos Tavares, como presidente) e colaborou no processo de adesão de Portugal à União Económica e Monetária.

Já como Governador do Banco de Portugal, entre 1992 e 1994, foi responsável por gerir a desvalorização do escudo durante as perturbações cambiais de 1992 a 1993, nos tempos do Sistema Monetário Europeu (SME), causada pela agitação dos mercados financeiros.

Em 1970 é um dos fundadores do Grupo da Luz com o padre franciscano Vítor Melícias e outros estudantes do Técnico como Diogo Lucena e com Carlos Santos Ferreira.

 

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