A leste, nada de novo: cimeira União Europeia-Turquia foi inconclusiva

Como se previa, os temas debatidos entre os dois blocos são de tal forma difíceis, que não parece ter havido qualquer evolução. O presidente turco voltou a dizer que a rejeição da entrada da Turquia na União Europeia é “um erro grave”.

Donald Tusk

A cimeira entre a União Europeia e a Turquia, que decorreu durante um jantar em Varna, na Bulgária, na passada segunda-feira, foi, segundo a delegação europeia, “positiva”, mas o certo é que nenhuma decisão concreta foi tomada relativamente aos temas que mais preocupam o bloco – ou, pelo menos, nenhuma decisão foi comunicada, o que contrasta com aquilo que é a prática comum neste tipo de encontros.

Os dois principais temas, as movimentações geoestratégicas da Turquia na Síria e no Mediterrâneo Oriental e a questão dos refugiados, não terão sofrido qualquer evolução. A primeira questão, aliás, não teria evolução nenhuma a registar: Ancara afirma que as movimentações nas duas regiões fazem parte de uma estratégia de consolidação de fronteiras e, por isso, são temas que não estão sequer abertos ao diálogo com os parceiros internacionais, sejam eles quem forem.

A única medida que resta à União Europeia é a dar conta do seu descontentamento e da sua oposição. Foi isso que aconteceu, segundo relatam as agências internacionais. A Reuters diz que Bruxelas demonstrou-se preocupada relativamente às incursões militares turcas em Afrin (Síria), e pediu contenção na chamada Operação Ramo de Oliveira – assim batizada pelo governo turco.

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu – que esteve na cimeira juntamente com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, Boyko Borissov, primeiro-ministro da Bulgária (país que detém a presidência rotativa do Conselho da União Europeia) e Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia – disse que União está preocupada com as ações turcas no Mediterrâneo Oriental e no norte da Síria.

Relativamente à questão da crise dos imigrantes e refugiados ficou também sem qualquer solução e o problema deverá continuar a opor Ancara e a Bruxelas nos próximos tempos, diz ainda a Reuters.

A Turquia é dos países que mais refugiados do Médio Oriente acolhe, juntamente com o Líbano e encontra-se na linha da frente dos conflitos sírio e iraquiano. Sobre esta matéria, não parece ter havido qualquer declaração.

Mas Tusk disse que “estamos satisfeitos com os avanços conseguidos nos últimos meses relativamente à relação com alguns Estados membros,” dando nota de haver alguma aproximação entre as duas partes, sendo certo que a entrada da Turquia na União Europeia é uma das certezas mais incertas do agregado.

Até porque, como lembrou o presidente do Conselho da Europa, “estamos também preocupados com as recentes operações turcas no Mediterrâneo Oriental e no Mar Egeu. Assim como relativamente à detenção de alguns cidadãos europeus”. Tusk referia-se à detenção de jornalistas e de outros profissionais, não só turcos mas também estrangeiros e com dupla nacionalidade, que se deu depois do golpe falhado de julho de 2016.

Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia, disse, ainda citado pela Reuters, que rejeitar a possibilidade de que a Turquia venha a juntar-se à União Europeia é um erro estratégico da parte de Bruxelas. “A Turquia e a União Europeia são parceiros estratégicos a longo prazo. A Europa, que reclama para si o estatuto de potência global, está a cometer um erro grave ao rejeitar a adesão da Turquia”.

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