A luta contra os medos da sociedade em discussão na Gulbenkian

O terrorismo, a Inteligência Artificial, as alterações climáticas e os refugiados – são os receios que vão ser discutidos no colóquio “Combater os medos”, O evento, do qual o Jornal Económico é media partner, decorre segunda e terça feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Christian Hartmann/REUTERS

Numa altura em que a insegurança, as dinâmicas migratórias, as mudanças climáticas e as dúvidas sobre a evolução tecnológica colocam a sociedade em estado de alerta, é crucial compreender como esses medos são gerados e discutir os temas centrais com os mais reputados especialistas nacionais e internacionais. Foi este o raciocínio que levou a Association des Anciens Élèves du Lycée Français Charles Lepierre, a associação dos antigos alunos do Liceu Francês de Lisboa, a organizar o Colóquio  “Combater os Medos”, que vai decorrer esta segunda-feira e terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian

O evento, no qual o Jornal Económico é media partner, tem entrada livre e conta com mais de uma de dezena de sessões, entre intervenções individuais e painéis com três ou quatro especialistas.  A sessão de abertura estará a cargo de Pedro Norton, administrador da Fundação Gulbenkian, Ana Lopes Moreira, presidente da Associação Antigos Alunos do Liceu Francês de Lisboa e Jean-Michel Casa, embaixador de França em Portugal.

O ponto alto do primeiro dia deverá ser a intervenção do neurocientista António Damásio, às 17h30, após a qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fará o encerramento do dia. Pelo meio, há painéis sobre como o terrorismo mudou a vida dos europeus, a temática dos refugiados na Europa no século XXI, como enfrentar os desafios das alterações climáticas e o que devemos temer da Inteligência Artificial.

A sessão de terça-feira, que decorre até às 13 horas, será aberta por Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República e conta ainda com a contribuição (por vídeo) do Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovacão e um painel sobre com a inteligência artificial afeta a saúde, a educação e o trabalho.

O Jornal Económico entrevistou Ana Lopes Moreira e Rebecca Abecassis, presidente e vice-presidente Associação dos Antigos Alunos do Liceu Francês, respetivamente, sobre o colóquio:

Como é que surgiu a ideia de organizar este evento e como é que se enquadra na estratégia da Associação?

Um dos objetivos da nossa Associação é contribuir para o bem comum e para o enriquecimento da nossa comunidade de alunos e ex-alunos, tentando também alcançar um público mais alargado. Procuramos abordar temas de actualidade com o objectivo de responder de forma pedagógica às questões que preocupam os portugueses e os europeus. Consideramos que a nossa formação no Liceu francês Charles Lepierre de Lisboa contribuiu para nos motivar a organizar eventos internacionais úteis para a sociedade portuguesa.

Este colóquio é também uma forma de partilhar com o público em geral o nosso “know how”. Este é o terceiro colóquio que organizamos, nestes 5 anos que temos de existência. O primeiro foi mais luso-francês intitulado “Lusofonia/Francofonia, mesmo combate?” enquanto o segundo foi logo a seguir ao ataque terrorista ao jornal satírico Charlie Hebdo intitulado “Identidade (s), integração e laicidade”.

 

Qual foi a lógica na escolha do tema, e dentro do tema estes quatro medos em específico?

Na atual conjuntura internacional, sentimos que a sociedade contemporânea vive angustiada. Quisemos contribuir para desmistificar estes medos, numa tentativa de tranquilizar a nossa comunidade.

Estes 4 medos são os que consideramos mais abrangentes enquanto medos coletivos. Temos o privilégio personalidades como António Damásio eManuela Veloso.

 

Qual foi o critério utilizado na seleção dos oradores?

Os oradores foram selecionados de entre os mais destacados especialistas nas diferentes áreas. Várias embaixadas estrangeiras sediadas em Lisboa aceitaram de imediato colaborar connosco por considerarem o tema pertinente. Destacamos a francesa , a sueca, a dinamarquesa e a finlandesa assim como o Instituto francês, parceiro privilegiado do evento. Tivemos ainda o apoio da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu.

Quatro actrizes e ex-alunas do liceu francês – Beatriz Batarda, Inês de Medeiros, Rita Blanco e Leonor Silveira – aceitaram abrir o colóquio.  Os moderadores são também todos ex-alunos do liceu: Jorge Braga de Macedo, Marta Fajardo, Irene Pimentel, Carlos da Câmara e Alexandre Homem de Cristo. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, (ex-aluno do Liceu francês) também participam no colóquio.

 

Que expetativas têm em relação ao impacto do evento?

Esperamos que este colóquio possa interessar um público alargado, sobretudo académico e das várias áreas focadas. Consideramos ainda que as diferentes e variadas abordagens dos temas tragam uma verdadeira contribuição para o debate no sentido de combater o medo dos refugiados, das alterações climáticas, da inteligência artificial e do terrorismo.

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