A Sérvia

Facto confirmado: um drone entra no estádio nacional da Sérvia, durante um jogo entre os locais e a Albânia, com uma bandeira conotada com os forasteiros. Antes de tocar no solo, um jogador sérvio puxa a bandeira, o que desencadeia uma luta entre os componentes das duas equipas. Os adeptos albaneses tinham sido proibidos de […]

Facto confirmado: um drone entra no estádio nacional da Sérvia, durante um jogo entre os locais e a Albânia, com uma bandeira conotada com os forasteiros. Antes de tocar no solo, um jogador sérvio puxa a bandeira, o que desencadeia uma luta entre os componentes das duas equipas. Os adeptos albaneses tinham sido proibidos de assistir ao encontro, devido a “questões históricas” entre as duas nações. O mesmo ocorrerá quando a seleção sérvia visitar a Albânia. A bandeira identifica a “Grande Albânia”, entidade mítica que integraria o Kosovo e outras “vilayets” otomanas. No centro do estandarte, a foto de Isa Boletini, o nacionalista albanês que personificou essa teoria nos finais do séc. XIX.
Opinião fundamentada:
A Albânia foi um dos principais instigadores internacionais à independência do Kosovo, que era território histórico da Sérvia – assim como, se de repente, Portugal ficasse sem o Minho e o Douro. A Sérvia encarnou, durante a sangrenta e criminosa desagregação da Jugoslávia, o papel de nação avisada, que entendia porque é que aqueles povos ganhavam muito em ficar unidos e ganhavam nada em entrar numa contenda.
Contudo, os interesses europeus – primeiro – e turcos e norte-americanos – depois – viabilizaram uma guerra de que a atual geração não tinha memória na Europa. Alemanha e França arranjaram deste modo aliados à pressa – Eslovénia e Croácia, e os turcos alargaram a sua zona de influência – Bósnia-Herzegovina. E ainda aplaudiram a independência da Macedónia, que assim enfraquecia os seus inimigos gregos. Quantos aos americanos, “inventaram” o Kosovo, Estado-pária cujas únicas capacidades de desenvolvimento conhecidas são o terrorismo, o tráfico de droga e de mulheres.
A Albânia é um dos poucos países geograficamente situados na Europa que historicamente tem uma maioria de muçulmanos. Era aliás o único, até meados dos anos 1990. Portaram-se sempre mais ou menos, e as escaramuças no tempo de Tito e de Enver Oxha contam-se pelos dedos de uma só mão. O “imperador” de Belgrado, nascido na Croácia de mãe eslovena, tudo fez para esquecer os tenebrosos tempos dos janízeros, durante os quais centenas de milhares de sérvios foram chacinados pelos muçulmanos.
Contudo, a “libertação” dos povos protagonizada à vez ou a meias por Thatcher, Reagan, Gorbachev, Walesa, Miterrand e Khol, partiu isto tudo!… Os vendedores de armas chamaram-
-lhe um figo, as grandes empresas aplaudiram. Os russos tinham menos uma potência no seu “quintal”.  A Sérvia levou com tudo, até com ataques da NATO.
Na atualidade, os sérvios baixaram a cervical com a esperança de serem aceites na Europa – integração a que têm todo o direito! Mas parecem ser outros os caminhos ínvios dos cínicos de Ankara e dos patetas da Casa Branca. Ajoelhar perante os poderes instituídos paga sempre mal, no curto ou no longo prazo. Mais vale andar de costas direitas!
O “ataque droniano” foi celebrado nas ruas de Tirana e noutras comunidades albanesas. Que, no meio disto tudo, ainda haja sangue sérvio que ferve num estádio onde tocou o hino e se enverga a camisola, à sombra de uma bandeira, só se pode aplaudir. Quero lá saber do politicamente correto!.. Invadiram, levam!

 

Márcio Alves Candoso
Jornalista

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