A última vez de Putin? Queriam, não queriam?

Daqui por seis anos, e se vencer no próximo domingo, Vladimir Putin pode muito bem mudar as leis russas para se manter no poder. O mundo, que está a arder por todo o lado, é a sua melhor desculpa.

Se no próximo domingo o presidente russo Vladimir tiver uma votação expressiva – e nada indica que isso não vá acontecer – é muito possível que o homem mais poderoso do Kremlin desde a morte de Estaline, em 1953, continue a padecer da mesma doença que o acometeu em 2000: a tentação de se eternizar no poder. A lei russa não determina um limite para o número de mandatos (de seis anos cada) que alguém pode cumprir, dizendo apenas que não é possível alguém ser reeleito mais que uma vez seguida.

Daí que, depois de cumprir os seus dois primeiros mandatos consecutivos, Vladimir Putin tenha passado pela maçada de ter de ser primeiro-ministro (entre 2008 e 2014, depois de já o ter sido antes, em 1999-2000) por algum tempo – altura em que monitorizava o então presidente Dmitri Medvedev da mesma forma próxima que o fazia quando os papéis estavam invertidos – antes de poder regressar ao Kremlin, que é a sua verdadeira casa.

Putin vai assim começar o segundo ciclo do seu segundo duplo-mandato presidencial, sendo que, daqui por seis anos (quando terá 72, o que para presidente não é nada que não se veja por todo o lado), tem à sua frente várias hipóteses, entre as quais três: ou vai para casa – não a do Kremlin mas a própria, se se der o caso de ainda se lembrar da morada; ou regressa à condição de primeiro-ministro; ou muda a lei para poder permanecer no poder – alterando o número de mandatos consecutivos a que possa concorrer ou sendo mais radical e imitando o seu homólogo chinês, Xi Jinping.

Mudar a lei – por muito que isso custe ao Ocidente, que não há meio de aprender que a democracia ocidental já passou o prazo de validade – é uma opção que com certeza se colocará a Putin, se a votação de domingo for significativa. Recordemos que, das três vezes em que foi eleito presidente, Putin averbou os seguintes resultados: 53%, 71% e 63%. Se a votação de domingo ultrapassar os 63%, Putin pode considerar que o país se mantém ordeira e convenientemente atrás de si e assim quer continuar. Ora, as sondagens indicam que o atual presidente poderá ser eleito com 75% dos votos, apesar de profusão de candidaturas que se vão aventurar à corrida.

Se isso se vier a confirmar, Putin tem todos os indicadores necessários para pulverizar a lei que o impede de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

E o mais provável é que o faça. Desde logo porque o mundo à volta da Rússia está a arder. E Putin – apesar da Chechénia – tem mantido a Rússia numa redoma a partir de onde restaurou o orgulho russo (como se viu no caso da Crimeia, atribuída à Ucrânia por um disparate de um seu antecessor), o poder russo e a influência russa (como pode ver-se até à exaustão no Médio Oriente).

Num quadro em que os Estados Unidos estão a perder terreno na cena internacional – uma vez que o presidente Trump é um protecionista ferrenho mas acima de tudo um personagem profundamente impreparado para o papel que está a fazer de conta que desempenha –, a China não dá mostras de pretender cair na tentação dos princípios democráticos ocidentais, a União Europeia eterniza a sua mais que evidente incapacidade de ter uma palavra a dizer nos assuntos internacionais enquanto agregado homogéneo (apesar da ‘ameaça’ do exército comum) e a NATO está virada de pernas para o ar, a Rússia só tem de manter-se como está. E só se manterá como está se Putin continuar no Kremlin.

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