Ações dos CTT valorizam 2,5% após compra da 321 Crédito

“Esta aquisição parece fazer sentido em termos fundamentais, com o Banco CTT a reforçar a aposta nos serviços financeiros de retalho, num segmento (crédito automóvel) com taxas de incumprimento historicamente abaixo da média”, afirmam os analistas do Bankinter.

O Banco CTT anunciou a compra da empresa de crédito ao consumo 321 Crédito por 100 milhões de euros, esta terça-feira após o fecho do mercado, e as ações da operadora postal estão a ser beneficiadas pela notícia. Os títulos dos CTT avançam 2,54% para 3,064 euros, às 11 horas desta quarta-feira, no índice de referência nacional PSI 20.

“Esta aquisição parece fazer sentido em termos fundamentais, com o Banco CTT a reforçar a aposta nos serviços financeiros de retalho, num segmento (crédito automóvel) com taxas de incumprimento historicamente abaixo da média do crédito ao consumo e maior facilidade de recuperação em caso de incumprimento”, referem os analistas do Bankinter, numa nota de research, acrescentando que o rácio LGD (loss given default) situa-se historicamente entre 30% e 40%.

A operação de aquisição da 321 Crédito à Firmus Investimentos, controlada pela Cabot Square Capital e pela Eurofin, deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2019. Em comunicado divulgado no site da CMVM, os CTT anunciaram esperar que o desenvolvimento do banco seja acelerado pelo negócio.

A carteira de crédito líquido da 321 Crédito é de cerca de 250 milhões de euros, da qual perto de 93% é em créditos para carros usados, e um volume de nova produção de 133 milhões de euros em 2017.

Segundo os CTT, a entidade adquirida é um dos maiores operadores do mercado, com uma quota de 9,2% em 2017 (7,5% em 2016). A 321 Crédito teve um resultado líquido de 7,9 milhões de euros em 2017, com crescimento esperado para cerca de 9 milhões de euros em 2018, baseado numa maior produção de crédito para automóveis usados.

A conclusão da transação está dependente da verificação de um conjunto de condições suspensivas, incluindo as necessárias aprovações das entidades reguladoras da concorrência e do setor bancário. Os CTT adiantaram que o preço final está sujeito a um mecanismo de ajuste após a conclusão da transação de, modo refletir variações no capital regulatório de 321 Crédito após o final de 2017.

“Em termos financeiros, a operação parece gerar valor para a empresa e permitirá acelerar o crescimento do Banco CTT, neste caso pela via inorgânica. Os CTT esperam que com esta transação o Banco CTT comece a contribuir positivamente para o EBITDA em 2019 e a gerar resultado líquido positivo a partir de 2020”, sublinhou o Bankinter.

Os analistas alertaram, no entanto, que, apesar de o montante a pagar parecer “razoável” em comparação com as restantes empresas do setor, “poderá exacerbar ainda mais as preocupações dos investidores em relação ao dividendo visto que terão que ser, logicamente, os CTT a aumentar o capital do banco para financiar a operação”.

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