Afinal, Novo Banco será avaliado pelo BCE

O Banco Central Europeu (BCE) vai pedir à agência de ‘rating’ Moody’s que corrija o relatório que hoje divulgou acerca do Novo Banco, no qual dizia, erradamente, que a entidade não ia ser abrangida pelos exercícios de avaliação de Frankfurt. Em resposta às questões colocadas pela agência Lusa, fonte oficial do BCE avançou que o […]

O Banco Central Europeu (BCE) vai pedir à agência de ‘rating’ Moody’s que corrija o relatório que hoje divulgou acerca do Novo Banco, no qual dizia, erradamente, que a entidade não ia ser abrangida pelos exercícios de avaliação de Frankfurt.

Em resposta às questões colocadas pela agência Lusa, fonte oficial do BCE avançou que o relatório elaborado pela Moody’s parte do pressuposto errado de que o Novo Banco não vai ser analisado nos exames que o BCE tem vindo a conduzir sobre a qualidade dos ativos dos principais bancos europeus.

Por isso, Frankfurt quer que a Moody’s corrija a informação que passou ao mercado, já que o que está em causa, tal como foi noticiado na passada sexta-feira, é um adiamento da divulgação dos resultados relativos à avaliação do Novo Banco, e não a sua exclusão dos mesmos.

Num relatório hoje divulgado, a agência de notação financeira criticou a exclusão do Novo Banco dos exercícios de avaliação de ativos do BCE, considerando-a como uma “oportunidade perdida” para clarificar a sua solvência e situação financeira, que permanecem incertas mais de dois meses após a sua criação – após a medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal ao Banco Espírito Santo (BES).

Porém, tal como fonte oficial do BCE tinha adiantado a semana passada à Lusa, a entidade liderada por Mario Draghi, à semelhança da Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa), vai adiar a divulgação dos resultados dos exercícios de avaliação de ativos, mas não decidiu excluir o Novo Banco destes exames, ao contrário do que disse a Moody’s.

“Como a instituição [Novo Banco] foi amplamente reestruturada, os constrangimentos de ‘timing’ [calendário] não permitem que a ‘comprehensive assessment’ [avaliação de ativos] seja completada para publicação a 26 de outubro”, avançou à agência Lusa fonte oficial do BCE a 10 de outubro.

Isto, no mesmo dia em que a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) anunciou que vai divulgar os resultados dos testes de resistência realizados a 123 bancos a 26 de outubro, mas avançou que optou pelo adiamento do exercício dos testes de ‘stress’ ao Novo Banco, após a solução adotada para a instituição.

Em comunicado, a EBA anunciou que os resultados dos testes de ‘stress’ realizados a 123 bancos de 22 países serão divulgados no domingo, dia 26 de outubro, às 12:00 de Lisboa, e, em simultâneo, o Banco Central Europeu (BCE) irá publicar os resultados da sua avaliação de ativos.

Sobre o Novo Banco, a EBA adiantou que, tendo em conta a recente medida de resolução aplicada ao BES e a criação desta nova instituição financeira, o teste de ‘stress’ foi adiado, sem referir nova data.

O BCE também não precisou os novos prazos para completar a avaliação aos ativos e respetiva divulgação dos resultados relativos ao Novo Banco.

Os testes de ‘stress’ da EBA avaliam a capacidade de resistência dos bancos da União Europeia face a um potencial cenário macroeconómico adverso, ao passo que o BCE está a conduzir uma extensa avaliação dos ativos das instituições que passará a supervisionar a partir de novembro.

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do Banco Espírito Santo (BES), após o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição.

No chamado banco mau (‘bad bank’), um veículo que mantém o nome BES, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas, enquanto no ‘banco bom’, o banco de transição que foi designado Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.

A Lusa contactou fonte oficial da Moody’s, mas até ao momento não obteve esclarecimentos.

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