Afinal, quais são as “dores de crescimento” da TAP?

Em 2012, a TAP operava 71 aviões. No ano passado, esse número havia subido para 81 e são esperadas mais 71 aeronaves até 2025. No período em análise, a companhia aérea teve um crescimento de 39,5% nos passageiros transportados e de 45,5% no número de empregados.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse hoje, dia 4 de julho, na Assembleia da República, que a TAP está a “sofrer dores de crescimento”, num tentativa de explicação para os consecutivos cancelamentos e atrasos de voo da companhia aérea.

Esta situação levou mesmo Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, a ameaçar processar a TAP em tribunal, pedindo indemnização financeira pelos alegados prejuízos que esses cancelamentos de voos estão a provocar ao turismo e à economia madeirenses.

Pedro Marques anunciou hoje que a TAP “cresceu brutalmente” e que, para fazer face a estes constrangimentos, a administração da transportadora aérea nacional já criou uma estrutura interna para gerir os cancelamentos e já transmitiu ao Governo que “espera estabilizar significativamente a operação”.

No meio deste processo de crescimento, data fundamental é o ano de 2015, em que se concretizou a última fase do processo de privatização da empresa, em que o Estado português, através da Parpública, passou a deter 50% do capital, estando 45% nas mão do consórcio privado da Atlantic Gateway (parceria entre David Neeleman e Humberto Pedrosa, presidente do Grupo Barraqueiro) e os restantes 5% são controlados pelos trabalhadores da companhia.

Quais são as ‘dores de crescimento’?

O Jornal Económico foi tentar perceber que ‘dores de crescimento’ são estas que a TAP está a passar e confirmou que a transportadora aérea nacional tem crescido nos últimos anos em quase todos os indicadores, em particular no número de passageiros transportados, mas também na evolução da frota, das rotas, destinos e frequências e dos funcionários da companhia.

No ‘site’ oficial da TAP só é possível aceder aos relatórios e contas da empresa dos últimos cinco anos.

Em 2012, a TAP ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 10 milhões de passageiros, alcançando 10,2 milhões de passageiros.

No ano passado, a TAP transportou 14,225 milhões de passageiros, após um salto de 21,6% em comparação com o ano anterior, em que foram transportados 11,697 milhões de passageiros.

Assim, nos últimos cinco anos, a TAP registou um crescimento de 39,5% nos passageiros transportados.

Quanto à frota, no exercício de 2012, a TAP dispunha de uma frota de 71 aviões, incluindo 16 da participada Portugália.

No final de 2017, a TAP já operava 81 aviões, tendo nesse entrado ao serviço mais 4 A330-300 e sido substituídos dois A330-200, pelo que a frota cresceu em mais duas aeronaves face a 2015.

É neste capítulo que mais se vai sentir o crescimento da TAP. No presente ano, após alguns atrasos, começaram a chegar os primeiros A320neo e A319neo.

O primeiro voo de um A320neo da TAP foi efetuado há um mês, a 5 de junho, de Lisboa para Heathrow, Londres.

A partir de agora, até 2025, a TAP vai receber 71 novos aviões, todos encomendados após a última fase de privatização da companhia.

Embora alguns aviões da atual frota da TAP deixem de continuar ao serviço com a entrada dos novos, os aviões que estão por chegar são quase tantos como os que a TAP opera agora.

O valor de mercados destes aviões ronda os 10 mil milhões de euros.

Com o crescimento da frota, é necessário aumentar o quadro de pessoal, nomeadamente com pilotos e pessoal de cabine.

Segundo Pedro Marques, para acabar com “ineficiências operacionais”, a companhia está e vai continuar a contratar e já “alterou o seu processo de instrução da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), para permitir que os pilotos cheguem à categoria de comandante de avião “mais cedo”.

Em 2012, a TAP fechou o ano com um total de 7.476 funcionários. Esse número subiu para 10.881 empregados no final de 2017, uma subida de 45,5% no período em análise.

No que respeita aos destinos e frequências, a análise é um pouco mais difícil, por falta de elementos disponíveis.

Os relatórios e contas da TAP referentes ao exercícios de 2012 e de 2013 mencionam 196 e 198 destinos servidos, respetivamente, mas presume-se que esses números incluam os destinos operados em regime de ‘code-share’ com outra companhias aéreas parceiras na Star Alliance.

Em 2014, referem-se 178 destinos, provavelmente seguindo a mesma lógica dos anos anteriores.

Em 2015, referem-se “mais de 80 destinos”, não se sabendo se houve uma quebra ou se estes números se referem aos destinos servidos exclusivamente pela TAP.

Em 2016, não existem indicações sobre os destinos servidos pela TAP e no relatório e contas de 2017 explica-se apenas que nesse ano a companhia passou a servir “mais 10 destinos que em 2016”.

A informação sobre a questão das frequências é ainda mais escassa, mas evolução da TAP neste indicador nos últimos anos deve ter sido em crescendo, sendo de sublinhar o exemplo da ponte aérea entre Lisboa e o Porto, por exemplo, que se iniciou em 2016, e que os responsáveis da companhia, desde o anterior CEO, Fernando Pinto, até ao atual, Antonoaldo Neves, repetidamente apresentam como um caso de sucesso e de crescente procura.

 

 

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