AIE prevê queda da produção de petróleo de 21,8% em Angola e 15,8% na Guiné Equatorial

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a produção de petróleo vai cair 21,8% em Angola até 2023 e que a produção de petróleo na Guiné Equatorial cai 15,8%, no mesmo horizonte temporal.

Sergei Karpukhin/Reuters

A Agência de Energia prevê queda de 21,8% na produção de petróleo em Angola até 2023 e diz que a produção de petróleo na Guiné Equatorial vai cair 15,8%, no mesmo horizonte temporal.

A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que a produção petrolífera de Angola “arrasta-se em África” e terá a maior queda até 2023 a seguir à Venezuela, descendo 370 mil barris por dia (21,8%), para 1,29 milhões.

De acordo com o relatório ‘Oil Market Report’, a que a Lusa teve acesso, a queda do segundo maior produtor africano de petróleo deve-se “ao envelhecimento dos poços petrolíferos, que perdem fulgor, e aos investidores externos, que face às perspetivas relativamente pouco competitivas, perdem entusiasmo”.

O documento, que dedica uns parágrafos especificamente a Angola, com o título ‘Angola arrasta-se em África’, diz que “os poços petrolíferos em águas ultraprofundas precisam de contínuos melhoramentos e desde que a produção atingiu o pico de quase 1,9 milhões de barris por dia em 2018, desde então tem sido uma luta para suster os declínios, com os projetos mais caros a serem adiados ou abandonados”.

Mesmo a produção dos novos poços em 2016, como a Mafumeira Sul, operado pela Chevron, ou o da Eni, em 2017, “foi anulada pela queda de produção em campos mais maduros”.

Ainda assim, os peritos da AIE consideram que a capacidade de produção angolana deve “ter um pequeno impulso em 2018” devido ao projeto Kaombo, da Total, o último a ser aprovado antes da queda dos preços do petróleo, em meados de 2014, e que deve começar a bombear petróleo ainda este ano.

“Angola está quase completamente dependente do petróleo para alimentar a sua economia e em novembro de 2017 o novo Presidente, João Lourenço, colocou uma nova administração na Sonangol como parte da sua aposta para reanimar o investimento estrangeiro”, conclui o relatório da AIE nos parágrafos que dizem respeito a Angola.

De acordo com as previsões desta agência, Angola vai bombear 1,65 milhões de barris de petróleo por dia este ano (o mesmo que no ano passado), e depois começará a cair para 1,60 milhões em 2019, descendo ainda mais para 1,56 no primeiro ano da próxima década.

Nos últimos dois anos das previsões, 2022 e 2023, a produção de petróleo em Angola vai continuar a cair par 1,39 e 1,29 milhões de barris diárias, o que coloca a queda entre 2017 e 2023 nos 370 mil barris diários.

AIE prevê que a produção de petróleo na Guiné Equatorial vai cair 15,8% até 2023

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a produção de petróleo na Guiné Equatorial vai cair 15,3% nos próximos seis anos, descendo de 130 mil barris diários para 110 mil, “mantendo a tendência desde 2004”.

“A produção de petróleo na Guiné Equatorial, o mais recente membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo desde 2017, está numa trajetória descendente desde o pico de 2004, quando produzia mais de 300 mil barris por dia”, lê-se no ‘Oil Market Report’.

No relatório com previsões até 2023, a que a Lusa teve acesso, o organismo que serve de fórum de debate mundial sobre as políticas energéticas acrescenta esperar uma queda para 110 mil barris no final de 2023, “com a maioria dos poços petrolíferos em declínio”.

Os analistas dizem, no entanto, que esperam “investimentos adicionais na exploração” petrolífera, exemplificando com a ExxonMobil, que opera o maior poço do país, o Zafiro, que fez recentemente uma descoberta significativa, cujo valor comercial ainda está por provar.

No documento, as previsões de produção de petróleo na Guiné Equatorial, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa desde 2014, apontam para uma produção de 120 mil barris de petróleo até 2020, e depois entre 2021 e 2023 bombeará 110 mil barris diariamente.

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