Alemanha: ministro ‘dissidente’ desiste da demissão

Ao cabo de muitas horas de reunião na sede da CDU em Berlim, a chanceler alemã conseguiu convencer o seu ministro do Interior a voltar atrás na decisão de se demitir. Para já, a crise política está ultrapassada.

Reuters

O ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, anunciou esta noite que não irá renunciar ao cargo que ocupa no governo de Angela Merkel, depois de várias horas de negociação com a chanceler alemã. Na base do entendimento está, segundo os meios de comunicação, um acordo para que o governo desenvolva esforços para acabar com a imigração ilegal que chega à Alemanha através da fronteira com a Áustria e a colocação em prática de controlos mais rígidos nas fronteiras alemãs.

Segundo as agências noticiosas, Angela Merkel congratulou-se com a obtenção do acordo entre a CDU e os bávaros da CSU. Horst Seehofer, que também lidera a CSU, disse que “após intensas discussões entre a CDU e a CSU, chegámos a um acordo sobre como podemos evitar a imigração ilegal na fronteira entre a Alemanha e a Áustria”. Seehofer falava à imprensa que se concentrava à porta da sede da CDU em Berlim, onde decorreram as demoradas negociações ao longo de parte substancial da tarde.

Aparentemente, ambas as partes tiveram de ceder qualquer coisa. Merkel estava contra a vontade de Seehofer fechar as fronteiras à imigração, enquanto o ministro do Interior queria que a Baviera se mantivesse à margem da permanência no seu território de imigrantes ilegais, mas Merkel defendeu um acordo com a União Europeia.

O acordo, segundo avançam várias agências, também fica a dever-se ao facto de Seehofer não ter o total apoio do seu partido: membros da CSU e do governo disseram publicamente, nos últimos dias, que queriam permanecer no governo de coligação, apesar da pressão do seu líder contra as políticas de imigração de Merkel.

Alexander Dobrindt, líder do grupo parlamentar da CSU, disse, citado pelos jornais alemães, que “um destino comum prova o seu valor apenas quando é desafiado”, referindo-se aos cerca de 70 anos de união entre os dois partidos de centro-direita e democratas-cristãos, que assim ultrapassam uma das piores crises com que alguma vez se viram confrontados.

O primeiro-ministro da Baviera, Markus Soder, também da CSU, disse que “estamos prontos para compromissos” e que “para nós agora não há saída do governo”. Soder nunca foi um adepto da cisão entre os dois partidos e continuou sempre a afirmar que o fim da coligação era um mau cenário para a Alemanha.

Com o afastamento da demissão, afasta-se também da cena política alemã o fim da coligação que sustenta o governo e a eventualidade da marcação de novas eleições. Angela Merkel saiu das eleições de setembro do ano passado com um dos seus piores resultados e teve de negociar até à exaustão para conseguir formar um governo com o apoio da maioria do parlamento. Para além dos tradicionais apoiantes da CSU, teve de recorrer também aos social-democratas do SPD para conseguir formar um governo de maioria absoluta.

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