Aliança ibérica alimenta retoma do setor

A aposta no mercado ibérico permitiu suportar a retração do consumo de bens alimentares. Embora com economias e estratégias diferentes, Portugal e Espanha juntam sinergias para dominar o motor económico europeu.

O setor agroalimentar está a viver um período de retoma, com o aumento do comércio com Espanha, mostram os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Impulsionadas pela proximidade geográfica e cultural, as trocas comerciais entre os dois países já ultrapassaram os 1.950 milhões de euros.

“Portugal é um parceiro comercial estratégico para as empresas espanholas do ramo alimentar”, afirma Antonio Valls, CEO da Alimentaria Exhibitons, responsável pela feira espanhola Alimentaria, que voltou este ano a Lisboa para projetar a gastronomia ibérica. A qualidade dos produtos e os preços competitivos são alguns dos atrativos, apontados pelo CEO da Alimentaria, que levam as empresas espanholas a apostar em Portugal. Acrescem a oferta de produtos de valor acrescentado e os baixos custos laborais, a minimizar o facto de o país ter um menor poder de compra.

Para compensar a fragilidade do mercado interno, Portugal tem vindo a apostar na internacionalização. Espanha é o principal comprador dos produtos nacionais, com cerca de 26,2% da produção portuguesa a ser escoada para o outro lado da fronteira.

Numa relação de complementaridade, Antonio Valls dá conta de que “cerca de 12% do total de vendas espanholas de alimentos e bebidas têm como destino Portugal”. O país é o principal comprador de mercadorias espanholas, apenas ultrapassado pela França e Itália.

“Espanha é o principal comprador dos produtos agrícolas portugueses e, por sua vez, Portugal adquire muitos dos produtos exportados pelas empresas espanholas”, sublinha Antonio Valls.

Desde 2012, o comércio agroalimentar entre os dois países cresceu 6,8% nas exportações de Portugal para Espanha e 2,7% nas importações espanholas para Portugal, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). De Portugal parte para Espanha vinho, peixe e legumes. Já no sentido inverso, a carne de porco lidera as vendas espanholas de bens de consumo a Portugal, acompanhada pelo azeite e vinho.

Dados do Ministério da Agricultura, Pesca, Alimentação e Meio Ambiente (MAPAMA) de Espanha mostram que em 2014 as exportações agroalimentares de Espanha para Portugal representavam 14,7% do total das exportações para a União Europeia.

A indústria alimentar e de bebidas registou um crescimento médio anual a rondar os 2% em todo o espaço europeu, mesmo durante o período de crise económica que fustigou a União Europeia. A espectativa é que o setor agroalimentar continue a crescer, expandindo-se a um ritmo de 1,8% este ano, estima a seguradora espanhola, Crédito y Caución.

Perante a retoma do setor, o CEO da Alimentaria indica ainda que a inovação e o acompanhamento das tendências alimentares dos consumidores adquire uma importância acrescida nos tempos atuais e Portugal dá mostras de ser “recetivo à mudança”.

“As empresas portuguesas devem apostar em estratégias de crescimento, aproveitando as diferentes potencialidades do setor e mantendo um equilíbrio entre os produtos de tradição cultural e novos produtos que atendam, por exemplo, à procura de estilo de vida saudáveis e ao bem-estar dos consumidores”, afirma.

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