Ambição QREN

Vai entrar em funcionamento o novo QREN, chamado agora de Portugal 2020. O novo QREN vai ter um papel central na modernização da nossa economia e na mobilização da sociedade para novos patamares estratégicos de excelência nas diferentes áreas de atuação. Com o novo QREN, Portugal terá que dar o salto para a fronteira da […]

Vai entrar em funcionamento o novo QREN, chamado agora de Portugal 2020. O novo QREN vai ter um papel central na modernização da nossa economia e na mobilização da sociedade para novos patamares estratégicos de excelência nas diferentes áreas de atuação. Com o novo QREN, Portugal terá que dar o salto para a fronteira da competitividade global e para tal, entre muitos outros, serão decisivos os seguintes cinco desafios:

1 – O desafio da inclusão social – Um país moderno tem que saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem que haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de atuação. A educação na escola tem que forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, imigrantes, todos aqueles com défices operativos de participação; têm que ser dinamizadas “ações de demonstração” do apoio à vontade do contributo de todos. O novo QREN terá aqui uma importante palavra.

2 – O desafio da nova competitividade – Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional. Um programa para a competitividade e internacionalização tem que forçar dinâmicas efectivas de aposta na tecnologia, seja ao nível a concepção de ideias novas de serviços e produtos, seja ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação activa em redes internacionais de comercialização e transação de produtos e serviços. É isso que se espera do novo QREN.

3 – O desafio da excelência territorial – Portugal tem uma oportunidade única de potenciar um novo paradigma de cidades médias, voltadas para a qualidade, a criatividade, a sustentabilidade ecológica. Verdadeiros centros de modernidade participativa, que façam esquecer a dinâmica asfixiante das “âncoras comerciais” que são os modernos shoppings que dominam o país. Um programa territorial para a modernidade é vital para dar conteúdo estratégico à ocupação das cidades médias e à nova vontade de também saber apostar no interior. Também aqui o novo QREN terá que fazer a diferença.

4 – O desafio da dimensão cultural – Portugal tem uma forte cultura alicerçada no potencial histórico da língua. É um ativo único. Um programa intelectual da cultura portuguesa tem que saber dinamizar de facto nos grandes circuitos internacionais a apetência pela prática e consumo dos muitos “produtos culturais” nacionais disponíveis. A “cultura da língua portuguesa” tem que ajudar na criação de valor para o nosso país e o novo QREN deverá dar o seu apoio.

5 – O desafio da participação colaborativa – Tudo passa por no princípio e no fim saber estar e participar. Impõe-se para o novo QREN uma cultura de participação colaborativa positiva. É assim que se faz a riqueza da matriz europeia. É assim que se tem de consolidar a atuação dos grandes objetivos para este novo ciclo de fundos comunitários, em que a participação de todos será um elemento central de mobilização positiva.

Estes cinco “eixos estratégicos” constituem referenciais centrais duma matriz de modernidade participativa e operativa para o país e claramente que o novo QREN deverá ser capaz de mobilizar os diferentes atores económicos e sociais para a sua convergência. O “novo paradigma” que se pretende para o país merece por isso pensamento estratégico mas sobretudo capacidade de monitorização sobre os efeitos da “aposta da excelência” no reforço da coesão nacional. Uma agenda que se pretende voltada para o futuro!

 

Francisco Jaime Quesado
presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública

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