Ambientalistas sugerem aumento da taxa sobre sacos de plástico

A associação Zero defende a disponibilização de sacos só a pedido, em qualquer tipo de loja, bem como a aplicação do ‘imposto’ a sacos de outros materiais. Esta terça-feira, 3 de julho, comemora-se o Dia Internacional sem Sacos de Plástico.

No âmbito da comemoração do Dia Internacional sem Sacos de Plástico, que se assinala esta terça-feira, a associação ambientalista Zero divulgou uma proposta de novas medidas para redução do consumo desta matéria-prima, entre as quais avaliar a taxa de 10 cêntimos sobre os sacos de plástico e estudar o seu aumento

Os ecologistas aplaudem a decisão de, em 2014, o governo português ter dado “um passo importante” com a taxa sobre os sacos, mas salienta que “a utilização de sacos descartáveis voltou a ser muito comum”. Nesse sentido, a Zero defende que todos os sacos descartáveis de venda final devam ser taxados.

“A Zero considera que é o momento de avançar para um novo patamar, no sentido de reforçar a mensagem sobre a importância de pouparmos recursos e reduzirmos o nosso consumo de materiais descartáveis”, argumenta a organização, em comunicado enviado às redações.

Eis as sugestões da associação ambientalista:

  • Fazer uma avaliação da aplicação da medida da taxa sobre os sacos de plástico e alargar a tipologia de sacos abrangidos: Quantos sacos de plástico são hoje consumidos per capita? Os sacos de plástico leves foram substituídos por outros de gramagens superiores ou inferiores que escapam ao proposto na lei. Ou seja, o seu custo pode ser assumido pelo consumidor ou não, visto que não estão sujeitos a uma taxa. O importante é conhecer quantos sacos são ainda utilizados, independentemente da sua gramagem e alargar a aplicação da lei. Também nos parece importante avaliar se a taxa pensada em 2014 continua a ser suficientemente dissuasora da utilização deste tipo de sacos, devendo ser ponderado o seu aumento caso se verifique que o não.
  • Disponibilizar sacos só a pedido em qualquer tipo de loja e estender a aplicação ao tipo de materiais abrangidos: Em termos de coerência da mensagem é importante que em qualquer loja a que nos dirijamos a disponibilização de um saco (seja de que tamanho ou material for) seja feita a pedido do utilizador/consumidor (o que hoje muitas vezes ainda não acontece) e sempre com um custo associado. Um saco descartável será sempre um saco descartável, mesmo que seja feito de papel ou de plástico supostamente biodegradável, por exemplo.
Relacionadas

Quercus incentiva uso de saco reutilizável

“Portugal não pode ficar indiferente” ao problema da poluição dos oceanos pelo plástico, “até pela dimensão de costa que possui”, salientam os ambientalistas.

Cinco dicas para reduzir a utilização de plástico (sem fazer grande esforço)

Várias associações de consumidores da Áustia, Espanha, Dinarmaca e Bélgica testaram cerca de uma centena de produtos. Os testes indicaram que cerca de 66% das amostras de sal marinho estavam contaminadas com microplásticos. Nos moluscos, a situação é semelhante e, nas amostras de crustáceos, 35% registaram a presença de plástico.
Recomendadas

Governo disponibiliza 600 mil euros para apoiar agricultores de Mação, Vila de Rei e Sertã

Esta decisão decorre da publicação, hoje, em Diário da República, de um despacho que reconhece este incêndio como “catástrofe natural”.

Fundo Ambiental vai aplicar um milhão de euros na adaptação às alterações climáticas

Proteção ao litoral, na recuperação de solos e na reabilitação da rede hidrográfica são algumas das áreas em que o Fundo Ambiental poderá conceder apoio financeiro.

Parlamento recomenda ao Governo declaração do estado de urgência climática

Foi publicada nesta segunda-feira, 29 de julho, a resolução da Assembleia da República que recomenda ao Executivo de António Costa que assuma o compromisso de promover a máxima proteção de pessoas, economias, espécies e ecossistemas, e de restaurar condições de segurança e justiça climáticas.
Comentários