Analistas indicam que promoção da F. Ramada ao PSI 20 terá “pouco impacto” no índice

Os analistas contactados pela Lusa consideram positiva a subida da empresa de aços F. Ramada ao principal índice da bolsa portuguesa, por troca com a Novabase, mas afirmam que terá pouco impacto no desempenho do PSI 20.

“É sempre positivo adicionar novas empresas ao índice principal. A empresa de aço, armazenagem e ativos florestais acabou por ser a escolhida à frente da Sonae Indústria e é uma mais-valia ao oferecer mais oferta e diversidade setorial”, considerou Eduardo Silva, gestor da corretora XTB, à Lusa.

Ainda assim, o analista recorda que este é um momento de pouca competição entre cotadas, em que é reduzida a exigência para subir ao principal patamar da bolsa portuguesa, e afirmou não ter sido uma surpresa a saída da Novabase.

“Quando foi promovido o título [Novabase] serviu para se fazer face aos regulamentos e para manter os 18 participantes [no PSI20]. No entanto, os volumes de transação nunca permitiram realmente criar uma expectativa de continuidade na principal montra nacional”, disse.

Para João Queiroz, diretor da banca ‘online’ no Banco Carregosa, a substituição da Novabase pela F. Ramada justifica-se por esta ter uma “capitalização média por sessão (liquidez) superior” à da empresa tecnológica, mas afirmou que ambas são pequenas capitalizações, pelo que “não vão ter impacto no PSI 20”.

Para a F. Ramada, acrescentou João Queiroz, esta promoção poderá ser importante no aumentar da sua liquidez, já que entrará em carteiras de investimento que replicam o índice PSI20.

Por fim, Diana Oliveira, analista do departamento do banco BIG Research, considerou “interessante” a troca da Novabase pela F. Ramada ao reforçar o perfil industrial do PSI20 (onde já constam a Corticeira Amorim ou a Navigator), isto num momento de crescimento da produção e exportação das empresas portuguesas.

Ainda assim, concorda que esta traz pouca liquidez ao principal índice da bolsa portuguesa, uma vez que a F. Ramada tem um reduzido capital em negociação em bolsa.

Segundo as contas desta analista, a F. Ramada tem cerca de 74 milhões de euros de capital em negociação em bolsa (‘free-float’), ainda assim, melhor do que os cerca de 30 milhões de euros da Novabase.

A F. Ramada atua no setor dos aços e apresentou melhoria de resultados em 2017, fechando o ano com 56,7 milhões de euros de lucro.

A partir de segunda-feira, a F. Ramada vai passar a constar do PSI20, por troca com a Novabase, cujos títulos têm apresentado pouca liquidez, uma decisão tomada pela Euronext (a gestora da bolsa de Lisboa) no âmbito da revisão anual do índice.

A cotada que entrou em bolsa em 2008 nunca esteve no PSI20.

Com a entrada da F. Ramada, o PSI20 continuará com 18 cotadas, abaixo das 20 que o deveriam constituir.

As outras cotadas são: Jerónimo Martins, Altri, Corticeira Amorim, CTT, EDP Renováveis, Ibersol, Mota-Engil, NOS, Pharol, REN, Semapa, Sonae, Sonae Capital, Navigator e F.Ramada.

Os ‘pesos pesados’ do PSI20 são BCP, Galp e EDP.

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