António Horta Osório apela a “políticas de imigração inteligentes”

O presidente do Lloyds disse ainda na Câmara de Comércio que o malparado dos bancos portugueses representa 106% do seu capital próprio. Por fim acabou o seu discurso dizendo que são precisas reformas na educação, no investimento produtivo, e baixar as rendas excessivas na energia.

Cristina Bernardo

O presidente do Llodys Bank, António Horta Osório, nos 180 anos da Câmara do Comércio, apelou a que o Governo adoptasse políticas de imigração inteligentes, ou seja, captar pessoas com os “skills” que Portugal precisa.

Citou os casos de Singapura, Canadá e Austrália, que promoveram a recepção de imigrantes nas áreas em que mais precisavam. A população dobrou em 20 anos e a economia cresceu.

“Se não fizermos isso estaremos dependentes do rácio reformados versus pessoas ativas”, disse referindo-se à relação entre população ativa e o crescimento da população.

O envelhecimento da população afecta Portugal e daqui a 15 anos será critico, disse Horta Osório.

Horta Osório lembrou que apesar da população mundial continuar a crescer, a portuguesa continua queda. E isso é “dramático, pois daqui a 15 anos, apenas teremos 89% das pessoas que trabalham hoje e em pouco mais de 30 anos teremos apenas 73%. Vamos ter dois reformados por três trabalhadores ativos. Portugal está a perder população e isso não é sustentável em termos de estrutura de custos fixos do país, de rácio de dependentes por trabalhador. Temos atraído estrangeiros com os vistos gold, impostos favoráveis mas o Governo devia pensar numa política de imigração inteligente, tal como já acontece em Singapura, no Canadá, e na Austrália”.

Reconhecendo que os dois últimos Governos têm vindo a fazer progressos notáveis, quer em termos do défice externo, quer a nível do défice público, realçou que Portugal tem de reduzir a dívida  (pública e privada) que tem um elevado rasto (stock). Horta Osório lembrou que Portugal é o segundo maior país da Europa em termos de rácio de endividamento, a seguir à Grécia e à Itália, sendo que este último tem uma dívida privada em percentagem do PIB, mais baixa.

O elevado stock de dívida trava o crescimento económico, porque gerou PIB no passado, mas depois, como a dívida tem de ser paga, compromete o crescimento. “A situação é bastante frágil, apesar dos progressos”, lembrou.

“Temos um enorme stock de dívida. E quanto maior for esta, menor será o potencial de crescimento do país. Temos de pagar esta dívida e ver como, progressivamente, vamos reduzir o seu peso em função do produto. Se o produto subir, o enorme peso da dívida começa a baixar. E este é o primeiro eixo em que as políticas se deviam centrar. Devíamos ter um plano, de toda a sociedade, a médio prazo, para reduzir a dívida em função do PIB”, disse.

“Os países com dívidas elevadas não registam subidas no crédito há seis anos” e citou os casos de Itália, Portugal e Grécia. Enquanto nos EUA, Alemanha, Reino Unido ou França, o crédito já começou a subir”, disse António Horta Osório.

Sobre o papel da banca, disse que é fundamental para “olear a economia”. Apesar dos progressos ao nível da capitalização, ainda tem um elevado stock de crédito malparado. Portugal, Itália e Irlanda têm um peso maior de malparado sobre o total do crédito  (16%, 16% e 14,1% respetivamente).

Mas quando se compara o montante de crédito em incumprimento com os capitais próprios dos bancos verifica-se que em Portugal representa 106% do capital próprio da banca.

“Falta tratar dos NPL (Non Performing Loans). O NPL deve ser reciclado, para que estes ativos sejam vendidos a quem melhor sabe tomar conta deles, gerando algum crescimento económico e libertando capital para quem precisa. Temos um rácio elevadíssimo de NPL, que são a quase totalidade dos capitais próprios dos bancos. E isto é muito importante que se resolva rapidamente”, alertou o banqueiro ao serviço de Sua Majestade a Rainha Isabel II .

Finalizou o seu discurso dizendo que são precisas reformas na educação, no investimento produtivo (internos ou vindos de fora), e que é preciso baixar as rendas excessivas na energia.

(atualizada)

 

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