Após um início de 2017 risonho, ainda vale a pena investir em ações de bancos?

O Jornal Económico procura responder a essa pergunta, com a ajuda de análise da Schroders e do Banco Carregosa.

Kai Pfaffenbach/Reuters

Os bancos dos Estados Unidos foram os que mais valorizaram e os da UE os que menos subiram em bolsa em 2016, segundo a Schroders.

Uma análise da gestora de ativos revela que os bancos dos Estados Unidos subiram em bolsa 23,5%, e lideraram a valorização do sector no ano passado. Em segundo lugar nas valorizações estiveram os bancos do Reino Unido (+13,9%); a Ásia registou ganhos de 5,4%, e os bancos da União Europeia (UE) ficaram no fim da tabela com uma valorização de 4,2 %. É de salientar que a nível global a banca valorizou 13,7%.

Já o Banco Carregosa, a pedido do Jornal Económico, analisou as valorizações de alguns índices do sector (não os mesmos da Schroeders), e verifica-se que este ano, até sexta-feira dia 9 de junho, o índice NSE Nifty Bank Index (India) lidera os ganhos com 16,95%, superando já a valorização de todo o ano passado (15,68%). Em 2015 a valorização foi de apenas de 5,4%.

O índice  Stoxx Europe 600 Financial Services ganha este ano 15,46%, o que compara com uma quebra registada em 2016 de 7,41%. O Stoxx Europe 600 Banks já subiu este ano 7,81% e no ano passado tinha caído no ano 6,77%.

Os bancos norte-americanos este ano estão a perder o gás das valorizações que registaram em 2016. Segundo o Banco Carregosa, o KBW Bank Index US, em 2016, valorizou 25,60% e este ano, até agora, só tem ganhos de 2,37%. A banca japonesa lidera as quedas do ano. O Tokyo Stock Exchange TOPIX Bank perde 1,95%, menos do que em 2016 onde as perdas foram de 9,52%.

Ainda vale a pena investir em ações de bancos?

A Schroders analisou a banca como potencial destino de investimento em 2017 e deixa a pergunta. David Brett, da Schroders, face à recente evolução positiva das ações de bancos cotados, pergunta se irá esta tendência manter-se em 2017?

Em 2016, o setor bancário, em termos globais, apresentou um retorno global de 13,7%, dividendos incluídos. O índice MSCI World apresentou uma evolução favorável mas mais modesta, de 8,2%.

Mas o alerta vem do facto de estas boas taxas de retorno da banca na bolsa surgirem após anos de fracas prestações, em resultado da crise financeira global que se verificou há uma década atrás (2007). Em resultado dessa crise surgiu o reforço da supervisão da atividade bancária .

Apesar dos ganhos de 2016, o índice bancário mundial MSCI ainda está 14,1% abaixo do que era há 10 anos. Se alguém tivesse investido 1.000 dólares no índice MSCI World Bank, em 31 de dezembro de 2006, esse investimento valeria 859 dólares, a 31 de dezembro de 2016, avança a Schroders.

Os bancos dos EUA negociaram com um prémio de 47% face ao price to earnings ratio (representa a relação entre o preço da ação e os lucros da empresa) médio dos últimos 10 anos, no final de 2016. Os bancos do Reino Unido apresentam-se com um prémio de 80% acima da média do P/E dos últimos 10 anos. Este indicador, quanto mais baixo melhor para avaliar o potencial de valorização.

Os bancos europeus e asiáticos são mais caros para os investidores que os bancos dos EUA. Embora os seus P/E permaneçam abaixo da média de 10 anos, de acordo com dados da MSCI.

Ian Kelly, Gestor do Fundo, Equity Value, leva a análise mais longe, “nós vemos ações de bancos com boas performances, mas o sector continua entre os mais baratos do mundo hoje. “Os balanços do banco melhoraram radicalmente numa década, desde a crise financeira e novos negócios rentáveis ​​ajudaram a banca a construir uma almofada de capital significativa”, diz a casa de investimento.

“O nosso foco está na normalização dos lucros “, que são ajustados para eliminar os efeitos de sazonalidade de receitas e de despesas que são não recorrentes. “Isso permite-nos esperar uma normalização dos dividendos”, adianta.

Porque subiram os bancos?

Isto foi principalmente porque Donald Trump foi eleito presidente, diz a Schroders . A sua retórica em defesa do comércio e a sua política expansionista elevou as expectativas da inflação e de subida das taxa de juros. O aumento das taxas de juro é bom para os bancos.

Alguns investidores também acreditam que os bancos estão a chegar ao fim do processo de limpeza dos seus balanços – nota-se efetivamente uma restauração das suas reservas financeiras.

O que aconteceu com as ações dos bancos?

A análise de Schroders baseada nos dados do índice MSCI, mostra os retornos totais (com dividendos incluídos) entre 31 de dezembro de 2006 e 31 de dezembro de 2016 dos bancos por regiões. Diz a análise que 1.000 libras investidos nos bancos do índice MSCI UK valeriam agora 543 libras. Já nos EUA, 1.000 dólares aplicados nas acções dos bancos do índice  MSCI EUA agora valem 904 dólares. Na Europa 1.000 euros investidos no MSCI European, sem o Reino Unido e sem os bancos suíços (dados disponíveis apenas a partir de 31 de dezembro de 2007), valeriam agora 595 euros e 1.000 dólares aplicados no índice MSCI Asia, valerão agora 979 dólares.

Porque abandonaram os investidores os bancos?

Os reguladores tentaram reprimir as más práticas que contribuíram para a crise financeira global. Os bancos foram forçados a vender ativos e a reduzir sua exposição ao risco. Sofreram o reforço da regulação no seu balanço, o que prejudicou seus lucros. Este período turbulento abalou inevitavelmente a confiança dos investidores nos bancos, diz a Schroders.

Como avaliar ​​os bancos?

O rácio P/E é um bom começo, mas apenas mede a visão que o mercado tem dos bancos, não revela quão saudáveis estão os bancos, o que tem sido motivo de preocupação.

No Reino Unido, os gestores de fundos Nick Kirrage e Kevin Murphy lideram uma equipa de avaliação que examinou atentamente os balanços dos bancos. Em particular concentraram-se na relação entre passivos e ativos. Em tempos de crise, a qualidade dos ativos que detêm podem fazer a diferença entre a sobrevivência ou o a falência dos bancos, relembra a Schroders.

Um indicador que avalia o valor dos ativos é o price to book value (P/B), o valor do título no mercado face ao seu valor registado no balanço. Quando um banco tem um valor de mercado abaixo do valor a que os seus activos estão registados no balanço, isso significa que, em teoria, se o banco vendesse todos os seus ativos eles valeriam mais do que o seu valor em bolsa, o que é positivo.

Os bancos do Reino Unido, da Europa e da Ásia têm um rácio P/B inferior a um. Os bancos dos EUA, com um valor de P/B de 1,2, surgem como menos baratos.

Andrew Evans, outro gestor de fundos, analisou os bancos do Reino Unido os chamados “Big Four” e concluiu que “o Barclays, o HSBC, o Lloyds e o RBS  estão subavaliados pelo mercado de capitais pelo que permanecemos muito confortáveis ​​com a nossa exposição ao setor”.

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