Aposta dos fundos de investimento portugueses em Wall Street compensa

Fundos que investem em ações norte-americanas dão os melhores retornos, enquanto os que focam na bolsa portuguesa perderam rendibilidade.

Crash de 25% em Wall Street

Se euforia era a palavra de ordem nos mercados financeiros em 2017, este ano é incerteza. Entre mudanças na política monetária, guerra comercial e desaceleração da economia global, houve uma desaceleração dos ganhos. Ainda assim, a aposta dos fundos portugueses em ações norte-americanas foi certeira.

“O ano de 2018 está a ser um ano de transição de contexto”, explica Paulo Freire de Oliveira, CEO da BPI Gestão de Activos. Nos últimos anos viveram-se tempos de baixa volatilidade e elevada correlação entre ativos graças às políticas expansionistas dos bancos centrais a nível global. Em 2018, a Reserva Federal norte-americana está a normalizar a política monetária e a expetativa é que o Banco Central Europeu (BCE) lhe siga os passos, primeiro com o fim do quantitative easing, em dezembro, e com as primeiras subidas de taxas de juros, em 2019.

“Estes períodos de alteração de contexto de política monetária são geralmente momentos de alguma volatilidade nos ativos financeiros, não colocando, no entanto, em causa a rendibilidade quando avaliamos em prazos mais longos”, refere Freire de Oliveira. Às mudanças nos bancos centrais acrescem ainda as tensões ligadas à guerra comercial entre EUA e vários parceiros, como a China, mas também a zona euro. “Apesar de alguns riscos geopolíticos que pairam sobre a economia global, o ambiente macroeconómico é positivo e deste modo ainda está propício para o investimento em activos de risco”.

Entre os 10 fundos de investimento mobiliário nacionais com melhor rendibilidade nos 12 meses que terminaram no fim de junho, apenas um não é de ações e quatro são de ativos norte-americanos. A liderança, em termos de retorno, pertencia ao fundo de ações sectoriais Montepio Euro Energy, da sociedade gestora Montepio Gestão de Activos, com uma rendibilidade de 25% e 4,1 milhões de euros sob gestão, de acordo com dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP).

Dos fundos de ações norte-americanas, o Caixagest Ações EUA, da Caixagest conseguiu um retorno de 14,1% na gestão de 105,9 milhões de euros em ativos, enquanto o BPI_América – Classe D, da BPI_Gestão de Activos, rendeu 12,2% com 17,9 milhões investidos, fechando o pódio. Os EUA voltam a aparecer nos 5º e 6º lugares com os fundos BPI América – Classe E e IMGA Ações América, com retornos de 11,5% e 10,6%, respetivamente.

“Acreditando que entrámos numa fase de normalização progressiva das taxas de juro, então aqueles ativos de taxa fixa e longas maturidades serão os que mais dificuldade terão em obter boas rentabilidade no curto e médio prazo”, refere Freire de Oliveira. Neste processo, que na Europa está ainda na finalização da compra de ativos pelo BCE, o consenso é que as yields das dívidas da zona euro comecem a subir. O quarto fundo mais rentável – o NB Obrigações Europa – apostou exatamente nestes ativos. O fundo da GNB Gestão de Ativos gere 52,2 milhões de euros com um retorno de 12,2%.

“A expetativa sobre o crescimento económico futuro será um dos fatores primordiais que determinará a evolução dos mercados financeiros. Neste momento, e apesar de alguma suavização recente, em geral, as economias globais estão a crescer de forma sincronizada e a um ritmo interessante. Questões como as ‘guerras comerciais’ ou fenómenos de instabilidade política localizada poderão ter impacto, sendo necessário um acompanhamento próximo e atento dos mesmos”, afirmou o CEO.

Os gestores das sociedades parecem concordar, dados os ganhos com ativos de risco estrangeiros. Outros fundos de ações internacionais da GNB e da Caixagest também entram no ‘top 10’ da rendibilidade. O NB Momentum teve uma rendilidade de 9,6%, enquanto o Caixagest Ações Líderes Globais de 9%. Quanto a ativos portugueses, apenas dois fundos estão entre os mais rentáveis, mas no fim da tabela. O NB Portugal Ações da GNB (fundo que liderou os ganhos no total de 2017) teve um retorno de 8,9% e o Santander Ações Portugal – Classe A de 8,2%. “O mercado nacional continua à semelhança de anos anteriores com crescimentos ténues. As alterações regulatórias recentes, nomeadamente a entrada em vigor da DMIF II, poderão de alguma forma explicar esse ritmo algo lento de crescimento dos ativos sob gestão”, acrescentou.

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