Fusões e aquisições: Estas serão grandes tendências do mercado em 2018

O Jornal Económico ouviu os líderes na assessoria jurídica e financeira para medir o pulso ao mercado de Fusões e Aquisições (M&A). Advogados e banqueiros de investimento estão de acordo: 2017 foi particularmente positivo em termos de atividade e a tendência deverá manter-se este ano, embora as apostas em termos de setores com mais potencial não sejam consensuais.

1  Que balanço faz do ano passado, na área de M&A?

2  O que espera para este ano?

3  Quais os setores com maior potencial?

 

Ricardo Andrade Amaro – Sócio da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva (MLGTS)

“Energia e infraestruturas têm mais potencial”

2017 foi um ano muito forte na área de M&A. A recuperação da economia nacional e a confiança que se voltou a gerar à volta do nosso país, instituições e governo atraiu um grande número de investidores para Portugal, sobretudo fundos de investimento à procura de oportunidades para investir nas áreas de energia, infraestruturas, imobiliários, entre outras.
Para 2018, e tendo em atenção o pipeline de operações em curso, antecipamos uma manutenção da tendência de crescimento da atividade de M&A. À semelhança do que tem a acontecido no passado, penso que serão os sectores da energia e das infraestruturas que terão maior potencial de crescimento. Noto também um maior interesse de investidores estrangeiros pela área da Saúde, quer na dimensão hospitalar, quer na dimensão da gestão das infraestruturas hospitalares. O sector do grande retalho pode também ser palco de algumas operações de M&A durante o ano de 2018.

 

Francisco Xavier de Almeida – Sócio de Direito Societário da CMS Rui Pena & Arnaut

“Banca e indústria serão novamente os setores quentes”

Penso que é consensual que foi um ano bastante positivo para o mercado português. Na CMS, pela nossa presença global, pudemos perceber que a nível global a atividade de M&A recuou ligeiramente, quer a nível de valor, quer de número de negócios concretizados. Na Europa, aconteceu precisamente o contrário, com um aumento superior a 10% no número de negócios e uma estabilização face a 2016 quando olhamos para os valores globais. Em particular na Europa, entrámos em 2017 com os investidores bastante alerta para o surgimento de movimentos políticos pró-nacionalistas e pouco amigos de operações transnacionais. Esse risco acabou por não se materializar nas economias mais importantes do bloco – a Alemanha e França – e foi, por isso, possível retomar e até reforçar as operações de M&A.
Mesmo o Brexit, cujas implicações continuam a ser bastante incertas, acabou por favorecer os negócios uma vez que enfraqueceu a moeda britânica e teve o efeito de promover consolidações em muitos setores, como forma de proteção para o que resultar das negociações.
Sobre Portugal em particular, notamos que a atividade de M&A tem crescido de forma muito significativa desde 2014, coincidindo com o final do programa de ajustamento. E Em 2017, e falando da CMS Rui Pena & Arnaut, voltou a ser uma área de franco crescimento em que tivemos a oportunidade de acompanhar algumas das operações mais relevantes, nomeadamente no setor da aviação e não só. Diria ainda que um dos setores mais ativos foi o da banca e certamente que será uma das tendências que se manterá em 2018. As perspetivas são para mais um ano de crescimento significativo. A nível global, os Estados Unidos serão um grande protagonista, com o corte dos impostos para as empresas a dar um novo fôlego financeiro. Na Europa, as perspetivas de crescimento e o baixo custo do financiamento (as taxas de juro do BCE vão continuar muito baixas até, pelo menos 2019) vão certamente garantir mais um ano forte em operações de M&A e acreditamos que a banca e a indústria serão novamente sectores quentes. Quanto a Portugal, aquilo que nos parece para já, é que o imobiliário e o turismo vão continuar a ser os catalisadores de crescimento mas não só. Na banca, no setor da energia e no que nós chamamos de TMC – Tecnologia, Media e Comunicações, será um ano bastante ativo.

 

Pedro Rebelo de Sousa – Managing Partner da SRS Advogados

“Em 2018, antecipamos um crescendo”

Nesta área, o ano de 2017 foi lento no início mas acelerando ao longo do segundo semestre. Para 2018, antecipamos um crescendo com ênfase ou em algumas seletivas “big ticket transactions” ou no âmbito de múltiplas operações com médias empresas. Quanto aos sectores da economia onde vemos mais potencial para fusões e aquisições, são indústria e serviços.
Em termos de nacionalidades, os investidores que estão a ter mais interesse em Portugal, de acordo com a nossa experiência, são asiáticos, europeus do espaço da União Europeia, americanos e, pontualmente, brasileiros.

 

Francisco Brito e Abreu – Sócio de M&A da Uría-Menéndez Proença de Carvalho (UM-PC)

“Movimentos de concentração prosseguem no setor financeiro”

O ano de 2017 foi excelente para esta área. Houve um importante volume de transacções no mercado que gerou elevados níveis de atividade.
As perspectivas para este ano são igualmente positivas. A conjuntura que propicia a actividade nesta área mantém-se estável. Há vários factores, como os níveis historicamente baixos das taxas de juro ou a presença no mercado de investidores de perfil muito variado com grandes disponibilidade de liquidez, que enquanto não se mantiverem, continuarão a propiciar a realização de transacções em Portugal.
Há vários sectores que apresentam potencial para a concretização de operações de M&A. Prosseguem os movimentos de concentração ou ajustamento nos sectores bancário, financeiro e segurador, e as oportunidades de investimento que surgem em sectores como o das infra-estruturas, energia, imobiliário, turismo, tecnologia e industria continuam a despertar grande interesse. Mantendo-se as actuais condições é previsível que vejamos várias operações nestes sectores nos próximos meses.

 

Rodrigo Almeida Dias – Managing Partner da FCB Glocal

“Fenómeno é transversal a todos os setores”

O balanço de 2017 é extremamente positivo. Terá sido o ano em que se tornou verdadeiramente evidente a mudança de paradigma nas operações de fusões e aquisições. Até então, na génese da maioria das operações, encontrávamos estratégias de restruturação e saneamento financeiro, por um lado, e, por outro, aquisições de estruturas em situação financeira débil por parte de operadores concorrentes ou vocacionados para a recuperação, neste caso tendo em vista a posterior alienação. No ano transacto, ressurgiram as fusões e aquisições motivadas pelas mais tradicionais estratégias de investimento e desenvolvimento de médio e longo prazo, num claro sinal de que a economia regressou a um ciclo ascendente. E o que se pode esperar para 2018? Sem dúvida, um incremento acelerado deste tipo de operações. Os dados preliminares do primeiro trimestre de actividade do nosso departamento de M&A indicam um aumento quer do número de operações, quer do valor das mesmas. Antecipamos, por conseguinte, um ano muitíssimo positivo neste sector.
A nossa experiência mais recente leva-nos a concluir que o fenómeno é, de certa forma, transversal aos diferentes setores da economia. No entanto, olhando aos sectores prioritários na nossa estratégia de business development para 2018, podemos assinalar, num primeiro grupo mais tradicional, o sector do imobiliário (corporate real-estate) e do turismo; e, num segundo grupo, Telecomunicações, Media e Tecnologias de Informação, mais concretamente no âmbito de projectos de IT de cariz financeiro, onde as competências técnicas de várias empresas portuguesas começam a ser cada vez mais reconhecidas e consequentemente
a suscitar mais interesse a nível internacional.

 

Diogo Leónidas Rocha – Sócio da Garrigues

“O setor bancário e financeiro poderá assistir a alguma consolidação”

O ano de 2017 na área de M&A evidenciou uma moderada recuperação da economia portuguesa e a subida do rating para um nível de investment grade, o que permitiu a entrada de novos investidores no mercado. Particularmente ativos estiveram o sectores dos seguros, imobiliário e de certa forma o setor bancário.
Em 2018, a tendência de recuperação da economia portuguesa continua, notando-se a entrada de novos investidores não só na aportação de capital como na concessão de financiamentos. O mercado português está a assistir a um fenómeno de shadow banking, onde diversas formas de financiamento estão a ser concedidas por entidades não tradicionalmente bancárias, como private equities, fundos de pensões, etc., especialmente no setor imobiliário.
Julgo que o setor bancário e financeiro poderá assistir a algum fenómeno de consolidação e estabilização de bases acionistas.
O setor bancário poderá continuar ainda ativo.

 

Paulo Trindade Costa – Sócio da Vieira de Almeida & Associados

“Imobiliário, infraestruturas e reestruturações vão continuar a destacar-se”

O ano de 2017 foi um ano interessante, embora grande parte das transações se tenha concentrado num número restrito de setores (ex.: energia, seguros, imobiliário). Um outro aspecto interessante, resulta da capacidade acrescida de fazer (ou coordenar) transacções multijursidicionais, diretamente com clientes ou firmas internacionais.
Em 2018, no mercado doméstico, é possível que existam movimentações relevantes em alguns setores capazes de originar transações com alguma relevância, sendo que o mercado das vendas secundárias, de transações associadas ao mercado imobiliário, das infraestruturas e resultantes de reestruturações deverá continuar. No mercado fora de portas, as expetativas são elevadas em particular em Angola, onde se vê um ímputo reformista passível de gerar movimentos importantes em termos de privatizações de empresas públicas relevantes e concentrações derivadas do reestruturação do setor bancário. Há também alguma expetativa em tormo do há muito adiado mercado de capitais.
O sector financeiro e segurador deverá gerar oportunidades para transações resultante da necessidade de ajustamento do setor ou de decisões estratégicas de alguns investidores.

 

Diogo Perestrelo – Sócio de Corporate/M&A e Private Equity da PLMJ

“Turismo, imobiliário, energia e infraestruturas estão a gerar mais oportunidades de negócio”

O ano de 2017 foi muito positivo para a área de M&A, dando continuidade ao crescimento que se vem verificando desde 2015. Não só o volume das transações foi assinalável, como o tipo de investimento realizado é revelador de uma alteração progressiva dos padrões que vigaram nos anos da crise. Já não se verifica uma prevalência das operações de restruturação e de distressed M&A, assistindo-se cada vez mais a investimentos em ativos consolidados, com a presença de fundos de private equity e de infraestruturas nacionais e internacionais. Para este balanço positivo contribuiu sem dúvida a melhoria da imagem de Portugal no estrangeiro, destacando-se o crescimento da economia, a melhoria da notação de Portugal pelas agencias de rating e a saída do procedimento por défice excessivo que marcaram o ano de 2017 e tornaram Portugal num país mais atrativo para o investimento estrangeiro.
Para este ano, considerando os três primeiros meses, antecipa-se um grande dinamismo das transações de M&A em Portugal no ano de 2018, com a presença cada vez mais acentuada de investidores estrangeiros. A longo prazo, a perspetiva é mais incerta, dependendo nomeadamente da evolução da economia mundial, Europeia e nacional, da política monetária que for seguida pelo Banco Central Europeu, da evolução política nacional e das escolhas legislativas que forem feitas. É por exemplo certo que uma subida das taxas de juros pelo Banco Central Europeu ou uma alteração do quadro legislativo laboral em Portugal poderão afetar negativamente o mercado Português.
O turismo, o imobiliário, as infraestruturas e a energia são os setores da economia que estão a gerar mais oportunidades de negócio. Em 2017 bateram-se recordes no turismo em Portugal, prevendo-se que a tendência de crescimento continue, com uma forte componente de investimento estrangeiro. As operações imobiliárias associadas ao M&A acompanharam o mesmo movimento. No que se refere às infraestruturas, antevemos transações nos setores das concessões rodoviárias, telecomunicações e perspetivas de investimento público no setor da saúde e dos transportes.

 

Nuno Azevedo Neves – Sócio da DLA Piper ABBC

“Continuam a faltar reformas estruturais na nossa economia”

2017 foi um ano crescentemente positivo, e para isso contribuíram diversos fatores. Em setembro, uma das principais agências de notação financeira retirou Portugal da categoria “lixo”, seguindo-se semelhante alteração foi efetuada, com a subida de nível por outra agência de notação financeira. São sinais de um inequívoco reforço da confiança dos investidores na economia nacional. A concretização de alguns investimentos relevantes por investidores globais e institucionais é o maior exemplo desse elemento essencial para o crescimento. No nosso caso específico, foi um ótimo ano: a nível global, a DLA Piper é, há 8 anos consecutivos, a sociedade de advogados que mais operações de M&A assessorou, facto que consolida as nossas capacidades e experiência nesta matéria. Em Portugal tivemos dois sócios distinguidos no TOP 10 do Transactional Track Record para os melhores assessores jurídicos em Fusões e Aquisições.
Vemos o ano de 2018 com bastante otimismo. Portugal tem tido uma inequívoca e relevante evolução económica e financeira, associada a um claro incremento da confiança dos investidores, de que a melhoria do rating de Portugal pelas agências de notação financeira é um reflexo.
Nessa medida antecipamos 2018 como um ano de grande dinâmica ao nível do investimento estrangeiro em Portugal, que continua a ser um mercado com valor e com excelentes oportunidades de investimento, e do investimento das empresas Portuguesas.
Continuam, no entanto, a faltar algumas reformas estruturais para a nossa economia, e continua a ser essencial dar aos investidores uma maior segurança no investimento, em pontos como uma justiça célere, uma previsibilidade legislativa e uma estabilidade fiscal.
Em termos de setores, 2018 vai ser um ano de consolidação do que sucedeu em 2017, pelo que não esperamos uma alteração material. Realço os desafios do setor financeiro, em termos de consolidação dos rácios de capital e com os desafios regulatórios existentes, a continuação de uma exposição dos investidores ao setor imobiliário, e uma continuação da procura de valor em inúmeros projetos portugueses por investidores internacionais.

 

José Diogo Horta Osório – Sócio de Corporate/M&A da Cuatrecasas em Portugal

“Sentimos um maior interesse dos fundos de private equity estrangeiros”

O balanço de 2017 é extremamente positivo, consolidando-se um crescimento sustentado do mercado de M&A. Se analisarmos o mercado em termos de volume de operações, quer em termos de valor das operações, não subsistem dúvidas que o mercado de M&A em 2017 cresceu em termos materiais.Naturalmente, houve sectores em que este mercado esteve mais dinâmico do que outros. Sectores como o retail, o imobiliário, turismo, health, energia, sobretudo renováveis, ou o sector tecnológico tiveram em 2017 um crescimento relativo muito significativo.
2018 será mais um ano de crescimento sustentado do mercado de M&A e o primeiro trimestre confirma-o. Sentimos um maior interesse dos fundos de private equity estrangeiros e de players industriais internacionais por activos em sectores específicos. A maior liquidez, uma maior facilidade de acesso ao crédito bancário e empresas targets com exposição internacional e exportadora são claramente drivers deste crescimento.
Tendo em conta a nossa experiência, sectores como o imobiliário, o turismo, health e o sector tecnológico são os sectores com maior potencial para fusões e aquisições. A energia renovável continuará a ser objecto de operações importantes de M&A.

 

Joaquim Castro – Diretor, Bankinter Banca de Investimento Portugal

“Empresários encaram as empresas com menos emoção e menos razão”

O dinamismo das fusões e aquisições demonstra que a economia portuguesa entrou numa nova etapa do seu desenvolvimento. A internacionalização das empresas nacionais, o seu posicionamento em nichos de mercado e a aposta de alguns setores como os têxteis e o calçado nas suas próprias marcas, tornou-as relevantes para multinacionais e fundos internacionais. Este facto, associado a uma alteração de mentalidade dos empresários, sobretudo por parte dos mais jovens, que já encaram a suas empresas com menos emoção e mais razão, permite um consentimento mais fácil num processo de venda total ou parcial. Se, numa primeira análise, se pode afirmar que a economia portuguesa está a perder o domínio de boas empresas, a acumulação de capital que estas transações permitem tem como resultado uma mais-valia para o país, pois passam a existir investidores nacionais capazes de apoiar novos projetos empresariais ou outros projetos com potencial mas debilitados por um baixo nível de capital.

 

Miguel Farinha  – Partner responsável pelos serviços de assessoria da EY

“Imobiliário, energia, telecoms, media, financeiro e setores exportadores têm maior potencial”

2017 continuou a ser um ano de crescimento acentuado nas operações de M&A no mercado Português, batendo anteriores máximos de número e volume de transações. Na nossa atividade este efeito foi notório no crescimento alcançado e, principalmente, no volume de clientes que assessorámos durante o ano, sendo que notámos uma alteração no tipo de investidores, com uma maior preponderância de investidores externos. Em relação a 2018, e com base nos primeiros 3 meses do ano, a tendência continua a ser de consolidação deste mercado, sendo expectável um aumento de alienações por parte dos fundos de capital de risco nacionais, agora que vários fundos estão na fase de saída do seu ciclo de investimento.
Para além do óbvio interesse pelo setor imobiliário que tem sido uma importantíssima alavanca do mercado de M&A em Portugal, e irá continuar durante 2018, vemos com maior potencial transacionável, quer em volume e em valor, setores como a energia, telecomunicações, media, financeiro e toda a indústria com carácter exportador.

 

João Sousa Leal – Partner da KPMG em Portugal

“Número de transações deverá manter-se, mas dimensão média vai ter redução”

2017 foi um bom ano para o mercado de M&A e para a KPMG. Em 2017, concluímos várias transacções nos sectores de infra-estruturas, saúde, retalho e financeiro (Banca e Seguros). As perspectivas para 2018 são positivas. Contudo, tendo em consideração que nos últimos quatro a cinco anos assistimos a um elevado número de transacções de grande dimensão no nosso mercado, é normal que agora se inicie um período de consolidação destes investimentos.
Antecipamos que em 2018 e provavelmente ainda em 2019, o número de transacções deverá manter-se mas a dimensão média deverá apresentar uma redução, perspectivando-se um aumento do número de operações outbound efectuadas por empresas portuguesas.
Recentemente, além dos típicos mandatos de assessoria a Private Equities e clientes internacionais estamos também a colaborar com várias empresas portuguesas no seu processo de internacionalização e em processos de sucessão familiar.
Após uma vaga de transacções nos sectores de infra-estruturas, Energy & Utilities, imobiliário e financeiro, entendemos que haverá mais apetite pelos sectores de retalho e indústria especializada (químico, plásticos, moldes, etc.).
No sector financeiro, acreditamos que devemos continuar a assistir a um processo acelerado de venda activos (NPL’s, Imobiliário, etc.).

 

Alberto Galhardo Simões – Sócio da Miranda responsável pela área de M&A

“Poderá haver algum abrandamento”

O balanço de 2017 é muito positivo. Até melhor que 2016. Assessorámos vários clientes (principalmente investidores estrangeiros) em inúmeras transações que envolveram fusões e aquisições.
Quanto a 2018, tudo indica que este ano continuará a ser interessante na área de M&A, mas poderá haver algum abrandamento. Apesar de fevereiro ter aparentemente sido um mês muito bom em termos de volume e número de transações, a realidade é que em 2017 foram concluídas várias operações de grande dimensão e não me parece que se consiga manter esta tendência em 2018. Será provavelmente um mercado mais marcado pelo número de transações do que pelo seu valor, ou pelo menos tem sido essa a nossa experiência no primeiro trimestre.
Imobiliário, tecnologia e energias renováveis são os setores da economia com maior potencial para fusões e aquisições.

 

Marcos de Sousa Monteiro – Sócio responsável pelo departamento de Corporate da Linklaters LLP em Lisboa

“Pipeline existente fazem antever 2º trimestre forte”

2017 foi um ano em que o mercado de M&A esteve particularmente ativo em Portugal, tendo-se registado uma subida acentuada no volume de transações e no valor médio das transações em que estivemos envolvidos. Fazemos um balanço muito positivo do ano de 2017, tanto numa análise de mercado como em relação ao ano que tivemos no escritório. O ano de 2018 será seguramente positivo. Resta apurar se o ano será positivo de modo parcial, designadamente até ao Verão, ou se todo o ano de 2018 mantém esse mesmo sinal positivo.
Isto porque o início do ano evidenciou a mesma intensidade de 2017, continuando o mercado de M&A forte tanto a nível mundial como a nível nacional. Os resultados já alcançados no 1.º trimestre e o pipeline existente fazem antever um 2.º trimestre igualmente forte, com a continuidade da atenção dos investidores internacionais ao mercado português sendo que esse apetite se deverá em parte à aparente liquidez dos mercados.
A antevisão dos 3º e 4º trimestres torna-se mais difícil face a alguns sinais contraditórios que vão surgindo. Se é um facto que a atividade não tem dado sinais de abrandamento, outros sinais como uma relativa volatilidade dos mercados, evidenciada pelo recente mini-crash das bolsas americanas, ou os impactos que a aproximação da data prevista para o Brexit, poderá trazer ou uma eventual evolução negativa de potenciais conflitos comerciais que envolvam as maiores potências mundiais, são aspetos que poderão levar a um arrefecimento da atividade na parte final de 2018 ou no início de 2019. É por este motivo que tendo a certeza que o ano será muito forte até ao Verão, não deixará de haver alguma incerteza quanto à reta final de 2018.
Os setores em que constatam mais atividade em 2017 e 2018 centram-se nos setores financeiro, infraestruturas, energia, imobiliário e alguns segmentos do setor industrial português. Antevendo ainda que estes setores continuarão a dinamizar o mercado, juntamente com alguma atividade ou mesmo crescimento de setores como o de Healthcare e TMT.

 

João Santos – Managing Partner da Tradinveste

“A imagem de Portugal no mercado internacional é um ativo”

Para nós, 2017 foi um ano muito interessante, não só em operações ‘In-Bound’ como ‘Out-Bound’. Em geral e em Portugal, as transações de M&A registaram um crescimento relativamente a 2016 com mais de 330 transações, o que representa um acréscimo face a 2016 de cerca de 9% no número de transações encerradas. Neste crescimento houve uma grande expressão do setor imobiliário que se contrapôs ao setor financeiro que de acordo com os dados disponíveis, registou uma queda expressiva. Se olharmos para a atividade tendo em conta o tipo de investidores, temos os Fundos de Private Equity responsáveis por um desempenho interessante sendo responsáveis por 43 transacções. Ao nível dos Fundos de Venture Capital, continuam a ter uma atividade muito residual em termos de valores movimentados, atendendo ao habitual baixo valor dos investimentos que são feitos.
Em 2018, vai continuar a crescer em termos de transações de um modo mais estruturado, possivelmente mais seletivo e com um peso no setor imobiliário ainda grande mas menor face ao registado nos anos anteriores. A imagem de Portugal no mercado internacional é de facto um ativo com que contamos cada vez mais, fazendo com que investidores estratégicos e financeiros de diversas nacionalidade olhem para o nosso país com recorrência e atenção. Além disso, a maior estabilidade das contas públicas, a maior facilidade de acesso a linhas de crédito e a entrada de alguns promotores de Private Debt, são de facto bons instrumentos de apoio às transações de M&A, antevendo um bom ano de 2018. Portugal tem potencial em inúmeros sectores, no entanto, tentando enumerar alguns sectores que sentimos estarem com uma dinâmica transacional muito interessante, posso referir o Real Estate, o Turismo, o Lazer, a Energia e entendo que pela atenção do mercado internacional às nossas IT, quer em fases mais Early Stage, quer mais maduras e consolidadas, este sector terá uma atividade muito interessante no ano de 2018, perspetivando-se algumas transações de referência.
Acredito que o ano de 2018 vai continuar a crescer em termos de transacções de um modo mais estruturado, possivelmente mais selectivo e com um peso no sector imobiliário ainda grande mas menor face ao registado nos anos anteriores. A imagem de Portugal no mercado internacional é de facto um activo com que vamos contando cada vez mais, fazendo com que investidores estratégicos e financeiros de diversas nacionalidade olhem para o nosso país com recorrência e atenção. Para além disso a maior estabilidade das contas públicas, a maior facilidade de acesso a linhas de crédito e a entrada de alguns promotores de Private Debt, são de facto bons instrumentos de apoio às transacções de M&A, antevendo um bom ano de 2018
Portugal tem potencial em inúmeros sectores, no entanto, tentando enumerar alguns sectores que sentimos estarem com uma dinâmica transaccional muito interessante, posso referir o Real Estate, o Turismo, o Lazer, a Energia e entendo que pela atenção do mercado internacional às nossas IT, quer em fases mais Early Stage, quer mais maduras e consolidadas, este sector terá uma actividade muito interessante no ano de 2018, perspectivado-se algumas transacções de referência.

 

Domingos Cruz – Managing Partner da CCA ONTIER

“O fluxo de trabalho para as sociedades aumentou”

De um modo geral, 2017 foi um bom ano. O fluxo de trabalho para as sociedades de advogados aumentou, em grande parte devido ao investimento estrangeiro, sobretudo no que diz respeito aos setores do imobiliário e financeiro. Também a CCA ONTIER acompanhou esta tendência e registou um aumento do interesse por parte de investidores internacionais em Portugal, tendo como objetivo a expansão da sua atividade e negócio.
Penso que, nos próximos anos, as Fusões & Aquisições irão manter-se de forma inquestionável nas agendas dos escritórios de advogados. O investimento estrangeiro continuará a ser uma realidade a médio prazo, o que aumentará o número e o nível de aquisições ‘cross-border inbound’, que contribuem para a boa dinâmica que o mercado M&A português atravessa.
Apesar de as operações de M&A serem transversais a diversos setores, neste caso, os principais setores são o bancário e financeiro, imobiliário e turismo e novas tecnologias (TMT).

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