Ativos com mais qualidade beneficiam da redução do malparado, realça Banco de Portugal

O Banco de Portugal considera que vários dos principais indicadores do sistema bancário estão a evoluir favoravelmente. O que não é o caso da solvabilidade.

O Banco de Portugal (BdP) refere, na sua análise ao primeiro trimestre do ano, que o sistema bancário português registou a melhoria da qualidade dos ativos, beneficiando da redução do crédito mal parado e da rendibilidade do sistema. O banco central diz ainda que a cobertura do crédito passível de acrescentar imparidades às contas dos bancos também melhorou – o que de algum modo desmente referências recentes sobre a matéria – e que apenas a solvabilidade não melhorou.

Do lado negativo, o banco regista também que, no primeiro trimestre do ano, o ativo total do sistema voltou a diminuir – 1% face ao trimestre anterior, tendo-se fixado no final do período em análise nos 377 mil milhões de euros.

O financiamento da banca portuguesa junto de bancos centrais manteve a trajetória de redução, registando o valor mais baixo desde o primeiro trimestre de 2010. Os indicadores de liquidez permaneceram em níveis elevados, tendo, em geral, melhorado, diz o BdP.

Os depósitos de clientes diminuíram 1%, em linha com o ativo. O rácio entre empréstimos e depósitos permaneceu estável, “refletindo uma redução idêntica das duas rubricas”, matéria que foi uma das maiores preocupações da ‘troika’ quando esteve em atividade na economia portuguesa.

O gap comercial (empréstimos líquidos de depósitos de clientes) permaneceu com um saldo negativo de 19 mil milhões.

A rendibilidade do sistema “aumentou de forma significativa no primeiro trimestre”, traduzindo uma “redução expressiva” do fluxo de imparidades, em especial para crédito, face ao trimestre homólogo, no que constitui um dos destaques do banco diretor como um dado a reter do lado positivo. A rendibilidade dos capitais próprios subiu 7,9% e do ativo 0,8%.

Verificou-se também uma redução do mal parado e do rácio dos empréstimos non-performing (NPL) – cuja cobertura também melhorou. O rácio de NPL diminuiu 5%, por via de uma redução de crédito malparado em cerca de 30% (menos cerca de 15 mil milhões de euros).

O Banco de Portugal alerta para que o rácio de alavancagem aumentou ligeiramente face ao trimestre anterior (0,1%) passando a situar-se em 7,9%.

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