Azeite: O ouro líquido português

A produção de azeite atingiu, em 2017, as 125 mil toneladas, um aumento de cerca de 80% em relação a 2016. As exportações de azeite registaram, no final de 2017, um valor global de 496 milhões de euros.

A Herdade de Maria da Guarda, no Alentejo, está na família de João Cortez de Lobão há várias gerações. Mesmo quando está em Lisboa, este responsável de uma das maiores produtoras de azeite, sabe tudo o que está a acontecer. “A empresa é muito tecnológica. Todo o controlo é feito informaticamente, sei como andam os tratores e até se caiu alguma árvore”, explica ao Jornal Económico.

Situada em Serpa, no Alentejo, tem um olival com cerca de 1,3 milhões de oliveiras. Há dez anos, a propriedade tinha 400 hectares e dois trabalhadores. João Cortez de Lobão deixou tudo para trás, aplicou-lhe um investimento de 15 milhões de euros, incluindo a construção de um lagar e arregaçou as mangas. A faturação, que no ano passado foi de oito milhões de euros, tem sido reinvestida em melhoramentos e expansão.

Hoje em dia, são produzidos anualmente dois milhões de quilos de azeite no Lagar da Herdade, quase integralmente dedicados à exportação a granel – Itália, Espanha, Chile ou Estados Unidos são alguns dos principais mercados. “Somos das poucas propriedades que produzem azeite 100% virgem extra”, acrescenta João Corte Lobão.

Jornalista durante uma década, trabalhou depois no fundo de investimento Friends Villas Fischer Trust Investiments, nas Torres Gémeas em Nova Iorque, nos EUA, e regressou uns anos depois a Portugal. Trabalhou como administrador no BCP até 2005, altura em que deixou a instituição financeira para investir em Serpa. “Temos sempre a preocupação de afinar as melhorias da apanha. Dessa forma, temos mecanismos que baixam os custos de distribuição, aumentam a eficiência e as regalias dos colaboradores. Preocupamo-nos em manter as pessoas estimuladas”, explica João Cortez Lobão.

Segundo dados da Casa do Azeite, ao nível das trocas internacionais, que se situam atualmente próximos das 772 mil toneladas (sem o comércio intracomunitário), os principais países exportadores são, naturalmente, os principais produtores.

Na média das três últimas campanhas, a União Europeia, com 76%, e a Tunísia, com 10%, foram os principais países exportadores. Entre os principais importadores encontramos os países considerados os novos consumidores de azeite, que, no seu conjunto, foram responsáveis por cerca de 63% das importações mundiais: os Estados Unidos (38%), o Brasil (6%), a Austrália (3%), o Canadá (5%), o Japão (7%) e a China (4%).

Portugal é, tradicionalmente, um país com vocação exportadora. Entre as denominações de origem protegida temos: DOP Azeites de Trás-os-Montes;_DOP Azeites da Beira Interior;_DOP Azeites do Ribatejo;_DOP Azeites do Norte Alentejano;_DOP Azeites do Alentejo Interior;_DOP Azeites de Moura. Entre os mercados de destino das exportações nacionais, destaca-se o mercado brasileiro, que absorve cerca de 29% do total das exportações nacionais de azeite, fazendo com que este produto seja igualmente o produto português mais exportado para aquele país.

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, anunciou recentemente que a produção de azeite atingiu, em 2017, as 125 mil toneladas, um aumento de cerca de 80% em relação a 2016. As exportações de azeite registaram, no final de 2017, um valor global de 496 milhões de euros.

Luís Vieira, que se reuniu com olivicultores na Cooperativa de Valpaços, sublinhou o “desenvolvimento exemplar da olivicultura”, setor que na última década viu a produção quadruplicar e as exportações triplicar.

O secretário de Estado, em declarações à agência Lusa, destacou “termos passado de uma situação deficitária no setor do azeite para um país exportador com um superavit de 150 milhões de euros”. Na última década, o crescimento do preço médio, por quilo, das exportações registou um aumento de 35%.

“Esta dinâmica teve um impacto significativo na valorização da produção olivícola e traduziu-se num aumento real dos rendimentos dos olivicultores, como ocorreu na região de Trás-os-Montes”, afirmou Luís Vieira, destacando o facto de a região ser a segunda maior produtora de azeite em Portugal, dispondo de “diferentes variedades regionais que permitem uma diferenciação da oferta de azeite, de reconhecida qualidade no mercado nacional e internacional”.

O governante disse também que “esta performance notável deve-se ao investimento qualificado que tem vindo a ser feito em lagares de azeite de alta tecnologia, à expansão da área de olival de regadio e a uma aposta sustentada no conhecimento e nas novas tecnologias, originando um azeite de qualidade diferenciada”.

Luís Vieira referiu que o Governo quer “diversificar os destinos da exportação de azeite” e desafiou os produtores a “explorar novas geografias e a continuar o percurso de investimento e inovação”.

“Assumimos o compromisso de continuar a trabalhar intensamente para abrir novos mercados e levar o azeite português a outros destinos, já que 80% das exportações de azeite têm como destino Espanha e Brasil”, acrescentou.

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