Badoo usa festas para recrutar e fechar negócios

Na Baddo, em Londres, há festas com danças de varão e modelos que servem como travessas de sushi. Num momento em que as políticas sexuais das empresas estão cada vez mais sob escrutínio, a rival da Tinder conta com estas festas para recrutar novos empregados, mas também para fechar negócios.

São mais de 60 milhões as pessoas que usam a app de encontros Badoo, que partilha o nome com a empresa que a gere, a Badoo Trading Ltd. A maior parte dos seus clientes está na América Latina e na Rússia, mas em Londres, onde está a sede da empresa, a Baddo é mais conhecida pelas suas festas que pela sua aplicação. Mulheres seminuas vestidas de sereia, modelos quase despidas a servir como travessas de sushi e outras ainda com pinturas corporais, assim são as festas da empresa fundada e liderada pelo russo Andrey Andreev.

De acordo com a Blooomberg, na passada sexta-feira, na festa de primavera Too Funky Friday, um número de tributo a George Michael dançava no palco ao lado de uma stripper e enquanto vários modelos desfilavam na sala, com máscaras de dimensão reduzida. A ideia é, dizem os dois responsáveis pelo seu planeamento, tornar a empresa mais apelativa. Mas as festas, com custos que vão dos 22 mil aos 1,7 milhões de euros, pretendem ainda servir como forma de recrutamento, dizem à Bloomberg recrutadores da Badoo e ainda atuais e antigos colaboradores.

Mas a estratégia da empresa está a ter os seus custos, e não apenas financeiros. Vários dos colaboradores da empresa já apresentaram queixas no departamento de Recursos Humanos e seis terão mesmo deixado a empresa por causa das festas e da política sexual da empresa. As queixas, de natureza consistente, diz a Bloomberg, envolvem um ambiente sexista nos seus escritórios. Apesar de a Badoo negar à Bloomberg ter recebido qualquer tipo de queixa “formal”, a frequência das festas tem diminuído, passando de semanais para mensais.
Andrey Andreev, o fundador e CEO da Badoo, diz ainda que as festas pretendem recompensar os colaboradores, que na sua maioria são jovens russos a viver longe de casa pela primeira vez: “Os temas e os artistas são selecionados pelos empregados, homens e mulheres, e baseiam-se nas suas sugestões e no seu feedback”, diz Andreev. Mas recrutadores e antigos colaboradores da empresa dizem à Bloomberg que esse não é o seu único propósito e que amiúde, estas festas ajudam a Badoo a vencer ofertas mais competitivas de concorrentes como a Google ou a Facebook.

Andreev diz ainda à agência noticiosa britânica que “por vezes, as temáticas não me agradam”, acrescentando que recentemente trocou a equipa de planeamento de eventos e que a Badoo também faz festas mais orientadas para a família, como a festa anual de Natal. Curiosamente, a Bloomberg reporta que, no ano passado, a festa de Natal da Badoo não permitia a entrada a crianças. Foi nessa festa que os convivas puderam comer sushi diretamente dos corpos das modelos seminuas que serviam como travessa.

Jo Keddie, advogada de direito laboral, diz à Bloomberg que estas festas são “inapropriadas”. E também arriscadas, numa altura em que há várias empresas de renome a braços com queixas de assédio sexual, como acontece com a Uber, que desde fevereiro leva a cabo uma investigação interna às queixas feitas por Susan Fowler no seu blogue.

A Badoo, fundada em 2006, obtém as suas receitas a partir dos utilizadores que pagam para ter mais visibilidade na app e enviar presentes virtuais aos seus pretendidos, como imagens de rosas ou cuecas (a maior parte dos compradores são homens). Andreev diz que a Badoo é rentável mas declinou comentar à Bloomberg o estado das finanças da empresa.

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