Banca reconhece impacto negativo do malparado na concessão de crédito novo

O inquérito que abrange o mercado até junho avaliou ainda o impacto do rácio de créditos não produtivos (NPL) na concessão de crédito novo.

A banca reconhece que o elevado rácio de crédito malparado tem impacto na concessão de crédito novo à economia. Nomeadamente ao nível dos custos relacionados com a captação de fundos próprios, das pressões relacionadas com os requisitos regulamentares ou prudenciais e da perceção e tolerância de riscos. Este factores contribuíram para uma maior restritividade da respetiva política de concessão de crédito.

O inquérito aos bancos sobre o mercado do crédito do Banco de Portugal, apresentado esta terça-feira, aborda também o impacto do rácio de créditos não produtivos (non-performing loans – NPL) nos critérios, termos e condições subjacentes à concessão de empréstimos a empresas e a particulares, assim como o contributo de um conjunto de fatores através do qual o rácio de NPL afeta a política de concessão de crédito das instituições.

Para isso foram considerados no inquérito diferentes períodos de tempo: últimos seis meses, próximos seis meses e o período entre 2014 e 2017.

Nos últimos seis meses, três dos cinco bancos consideraram que o rácio de NPL não teve impacto nos critérios, termos e condições aplicados na concessão de crédito ao setor privado não financeiro (empresas privadas), e dois bancos consideraram que contribuiu ligeiramente para os tornar mais restritivos.

No que respeita aos fatores através dos quais o rácio de NPL afeta a política de concessão de crédito das instituições, a maioria dos bancos, no
primeiro semestre de 2018, indicou que os custos relacionados com a captação de fundos próprios, as pressões relacionadas com os requisitos regulamentares ou prudenciais e a perceção e tolerância de riscos contribuíram para uma maior restritividade da respetiva política de concessão de crédito.

Para o segundo semestre de 2018, os bancos participantes antecipam, de um modo geral, impactos e contributos semelhantes aos reportados no semestre anterior.

Para o período compreendido entre 2014 e 2017, a maioria das instituições considerou que o impacto do rácio de NPL se traduziu em critérios, termos e condições mais restritivos, sobretudo no segmento das empresas.  Neste período, os custos relacionados com a captação de fundos próprios e com as operações de limpeza do balanço, as pressões relacionadas com os requisitos regulamentares ou prudenciais e a perceção e tolerância de riscos foram os fatores através dos quais o rácio de NPL afetou a política de concessão de crédito das instituições inquiridas.

Recorde-se que segundo dados do recente Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, ao longo de 2017 os bancos nacionais reduziram 20% dos créditos problemáticos dos seus balanços, para 37 mil milhões de euros. Isto é, reduziram 9,3 mil milhões o stock do malparado. Essencialmente através de write-off (imparidade a 100%).  Isto é o volume de empréstimos abatidos ao ativo, através da utilização de capital para reconhecer perdas — isso foi possível, em grande parte, graças aos reforços de capitais em bancos como o Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Montepio.

Também teve um impacto importante a venda de carteiras de ativos problemáticos a outros investidores, incluindo o “empacotamento” de vários créditos em produtos titularizados. Os bancos conseguiram ainda recuperar alguns valores que tinham imparidades por serem considerados de risco mas que acabaram por ser recuperados — isso verificou-se, sobretudo, no segmento dos particulares.

Com estes efeitos, a banca portuguesa conseguiu baixar o rácio de crédito malparado — os non performing loans, ou NPL — para 13,3%, o que é um valor significativamente inferior aos 17,2% no final de 2016 mas que continua a ser um rácio elevado, segundo os dados divulgados em junho pelo supervisor bancário.

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