Banco Nacional de Angola injeta 215 milhões de euros em divisas

Aumento da oferta de divisas pelo BNA alivia pressão sobre as empresas angolanas.

Depois de duas semanas de interrupção, o Banco Nacional de Angola (BNA) injetou 26,9 milhões de euros para a aquisição de bens alimentares na véspera da quadra festiva (de 19 a 23 de Dezembro), informou a instituição no seu sítio na Internet. Com o aumento da oferta de cambiais os empresários angolanos sentem-se menos pressionados e apontam já dois ganhos importantes para a económica: previsibilidade, mesmo que condicionada, e transversalidade, em que todos importem, mas à medida das suas necessidades.

No mesmo período, o BNA realizou vendas de divisas ao mercado no montante de 215 milhões de euros, equivalentes a 240 milhões de dólares, para cobertura de operações do sector petrolífero (28 milhões de euros), para operações diversas (33 milhões) e para operações do sector da indústria (28 milhões).

Já para operações com salários de expatriados, o banco central disponibilizou 27 milhões de euros, e ainda mais 18 milhões de euros para operações com cartões de crédito e igual montante de 18 milhões de euros para cobertura de viagens, ajuda familiar, saúde e educação.

Para o sector das pescas foi disponibilizado o montante de 9,4 milhões de euros e para ministérios e outros organismos do Estado mais 14 milhões, enquanto para a aquisição de peças e acessórios de transporte o montante disponibilizado foi de 13 milhões de euros.

De acordo com o BNA, a taxa de câmbio média de referência de venda do euro ao mercado cambial primário, apurada no final da semana, foi de 186,281 kwanzas, com uma variação de 0,001 pontos percentuais, face à semana anterior, enquanto a referência de um dólar foi de 166,727 kwanzas, com uma variação de 0,001 pontos percentuais face à semana anterior.

Segundo a edição digital do Jornal Expansão, o quadro macroeconómico contínua desfavorável para a atividade empresarial no País, mas os gestores contactados por esta publicação estão mais confiantes quanto ao futuro devido sobretudo à maior disponibilidade de divisas.

Ao Jornal Expansão alguns empresários angolanos dão conta que as limitações ainda são notórias, mas com o aumento da oferta de cambiais pelo BNA afirmam sentirem-se “menos pressionados”. Ainda assim, José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola, considera que o BNA tem de abrir mais o leque para equilibrar o mercado.

Rui Santos, presidente da Sistec, empresa que comercializa produtos de tecnologias de informação e comunicação, defende que que “a situação nos últimos meses tende a melhorar no que diz respeito às importações, mas ainda há carência de consumíveis”, acrescenta. Do ponto de vista financeiro, o empresário garante que a Sistec sempre funcionou com fundos próprios e isso deu-lhe vantagens devido à inexistência de dívidas da empresa. Ainda assim a Sistec teve de teve de fazer um plano de contingência para “segurar” a empresa com “as vendas a reduzirem-se em cerca de 50%”.

Ler mais
Recomendadas

Como a Indústria 4.0 pode ajudar a criar a fábrica do futuro

A fábrica do futuro é o centro de uma cadeia de distribuição que combina clientes, fornecedores, distribuidores e parceiros com sistemas analíticos avançados. Isso pode levar a uma “produção perfeita” com o mínimo de tempo de inatividade, negligência, desperdício e ineficiência.

Sustentabilidade no investimento: menos risco, mais valor

Reduzir a quantidade de plásticos descartáveis ou viajar de comboio são duas formas de reduzir a nossa pegada ecológica. E no investimento, o que podemos fazer para reforçar a sustentabilidade?
Comentários