Bastidores

Se o Banco Popular estava com algumas dificuldades em captar dinheiro, agora sim foi desvalorizado e forçado a ser “vendido” a uma outra instituição.

Após ter recebido um aviso do Conselho Único de Resolução, entidade criada no âmbito da União Bancária Europeia, as acções do Banco Popular entraram em queda livre. O nível de crédito malparado ainda existente no balanço transforma, o que outrora foi o melhor banco da Península Ibérica, num banco potencialmente tóxico, pelo menos para as autoridades europeias. Não deixa de ser estranho que os testes de stress realizados nada tenham detectado.

Em 2014, ainda a economia europeia estava a iniciar a sua recuperação, os testes de stress realizados pelas autoridades europeias demonstraram que o Banco Popular passou com folga substancial, cerca de 7,56% de rácio de capital no cenário adverso.

Já em 2016, e considerando o aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros realizado em Dezembro desse ano, os resultados destes testes foram ainda mais positivos, demonstrando que para 2018, num cenário adverso e cumprindo as regras de Basileia III, o rácio atingia os 9,95%, tornando-o num dos mais resistentes bancos europeus.

Sendo a finalidade destes testes assegurar transparência e fidedignidade ao sistema financeiro, parece que chegou a altura de por um ponto final nesta inutilidade.

O objectivo das entidades de supervisão deve ser o de manter a estabilidade do sistema financeiro e um nível de concorrência saudável. Em declarações, a Sra. Elke Koenig, presidente deste Conselho, admitiu que o banco espanhol poderá ter de ser resolvido se não for encontrado comprador. Este alto (ir)responsável afirma que “já estão em curso preparações gerais, ainda que não tenham sido dados passos concretos“, ou seja, está a caminho um processo similar ao do BES.

Para além da enorme falta de consideração por accionistas, clientes e colaboradores, este senhor parece ter como meta dar persecução ao objectivo do BCE – aumentar o nível de concentração de bancos, diminuir a concorrência. Se o banco estava com algumas dificuldades em captar dinheiro, agora sim foi desvalorizado e forçado a ser “vendido” a uma outra instituição.

Esta é a Europa que quer mudar, mas que nada aprende com os erros e experiência efectuadas país após país.

Já alguém se questionou por que motivo na Grécia, a braços com uma dívida impagável e incumprimentos que atingem os 40% dos créditos, nenhum banco foi resolvido? Ou ainda por que razão o BCE ou este famoso Conselho não emitem opiniões com este teor acerca de um banco nacional, como a CGD ou algumas Caixas francesas e bancos regionais alemães?

As instituições europeias, a coberto de mais eficiência e melhor controlo, estão a promover um autêntico monopólio, do qual apenas o consumidor poderá sair prejudicado. Não admira que haja quem queira fugir a este sistema aprisionador e supervisionado por quem não tem de prestar contas.

Se a zona euro quer realmente afirmar-se então tem de acabar com as manobras de bastidores. As obrigações impostas às instituições que forçam ao gasto de recursos em testes que não servem para nada, a não ser levar o público menos informado ao engano, é uma vergonha e não ajuda à tão necessária refundação europeia.

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

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