BE contra mais despesas militares, porque que país não precisa de “lixo”

Portugal comprometeu-se com a NATO a aumentar a despesa em Defesa para 1,66% do PIB, até 2024, podendo chegar a 1,98% se conseguir obter os fundos comunitários a que se irá candidatar no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE

A coordenadora do BE insurgiu-se esta sexta-feira, na Assembleia da República, contra o anunciado aumento de despesas em equipamento militar, considerando que “é lixo” de que o país não precisa, e elencou medidas que quer ver no próximo Orçamento do Estado.

“Senhor primeiro-ministro, gastar em equipamento militar e armamento de que não precisamos é comprar lixo, mesmo que em parte seja ‘made in’ Portugal. Porque haveremos de comprar lixo e desperdiçar mais de 1.000 milhões de euros a cada ano?”, questionou Catarina Martins.

Portugal comprometeu-se com a NATO a aumentar a despesa em Defesa para 1,66% do produto interno bruto (PIB), até 2024, podendo chegar a 1,98% do PIB se o país conseguir obter os fundos comunitários a que se irá candidatar no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período 2021-2027, nomeadamente através do Horizonte Europa e do Fundo Europeu de Defesa.

No final da reunião dos Estados-membros da Aliança Atlântica, que decorreu a 11 e 12 de julho, em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, disse não acreditar que o aumento da despesa com a Defesa complique as negociações para o Orçamento de Estado de 2019 com o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP).

“Não creio que seja uma matéria que introduza dificuldades acrescidas. Este ritmo de convergência é conhecido. O objetivo e o compromisso que foi assumido com a NATO em 2014 é também conhecido. É mais um constrangimento nas decisões orçamentais que temos que tomar”, defendeu.

De acordo com os dados publicados na terça-feira pela Aliança Atlântica, Portugal destinou no ano passado 2.398 milhões de euros a despesas em Defesa, o que equivale a 1,24% do seu PIB, devendo este ano aumentar para 2.728 milhões de euros, o equivalente a 1,36% da riqueza nacional.

Esta sexta-feira, intervindo no debate parlamentar sobre o estado da nação, a deputada do BE Catarina Martins perguntou a António Costa porque “falta o investimento no território e no desenvolvimento do interior” ao mesmo tempo que “promete à NATO gastar mais de 1.000 milhões de euros a cada ano em despesa militar”.

“Não é em defesa civil, não é para responder a necessidades do nosso país”, sustentou, considerando que esse dinheiro “falta nas escolas” e podia “substituir material obsoleto nos hospitais”.

E, acusou: “Porque aceitamos as metas de Trump [Presidente norte-americano] enquanto mantemos a ciência e a cultura na penúria?”.

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onvergência é conhecido. O objetivo e o compromisso que foi assumido com a NATO em 2014 é também conhecido. É mais um constrangimento nas decisões orçamentais que temos que tomar”, defendeu o primeiro-ministro português. Em declarações aos jornalistas, no final da cimeira da Aliança Atlântica que decorreu entre quarta-feira e hoje em Bruxelas, António Costa escudou-se no programa “responsável” que apresentou na véspera ao secretário-geral da NATO e que especifica que Portugal vai consagrar 1,66% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa até 2024. “Reforçar a capacidade das nossas Forças Armadas é reforçar a soberania nacional, investir no sistema científico e na indústria nacional é reforçar a capacidade de produção nacional, e isso obviamente é defendido de forma muito consensual no conjunto da sociedade portuguesa. Se o nosso programa de aquisições fosse para adquirir armamento importado, seguramente seria menos consensual”, observou o primeiro-ministro.

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