“Berlusconi é o único capaz de parar o populismo na Itália”, afirma Antonio Tajani

Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu e candidato de Berlusconi ao lugar de primeiro-ministro, arrisca-se a ter de regressar a Itália: a coligação Forza Italia está à frente de todas as sondagens sobre as eleições de amanhã.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, poderá ter de regressar a Itália se se confirmar que a coligação liderada pelo antigo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi ganhará as eleições gerais de amanhã. A Forza Itália – que surge à frente em todas as sondagens, avançará com a proposta de Tajani para assegurar um lugar que de verá ser particularmente difícil: a maioria absoluta está longe de qualquer das sondagens que foram sendo publicadas, e o país tende para uma espécie de um tripartidarismo – que tem todos os ingredientes para tornar a governação numa dor de cabeça constante. As duas outras pontas deste tripartidarismo são o Partido Democrático (de Matteo Renzi) e o Movimento 5 Estrelas (do comediante Beppe Grillo).

“Espero que na Itália as coisas funcionem bem e que a estabilidade seja preservada”, disse numa entrevista concedida ao jornal espanhol “El Pais”, durante a qual proferiu uma das mais inesperadas declarações políticas que era possível esperar da sua parte: depois de agradecer a confiança em si depositada por Berlusconi, Tajani afirmou que “Berlusconi é o único capaz de parar o populismo na Itália”.

Sendo Berlusconi reconhecidamente uma espécie de pai do moderno populismo italiano – que ter pergaminhos com várias décadas – a frase de Tajani é, no mínimo, surpreendente, mas talvez queira dizer que o provável próximo primeiro-ministro não seguirá o caminho de quem o convidou para assumir esse cargo.

“Agradeço a Berlusconi o seu convite; pediu-me para ser primeiro-ministro e acabei aceitando: sempre trabalhei para a Europa e para o meu país. Mas a decisão final é dos italianos nas eleições e do presidente da República”, explica.

Tajani (Roma, 1953) foi porta-voz de Berlusconi em 1994 e permaneceu fiel ao seu mentor contra todas as probabilidades. “Berlusconi é imprevisível”, admite, “mas a Europa compreende-o agora melhor do que antes e considera-o uma garantia de estabilidade na Itália, dado o risco que representa o extremismo”, disse ainda. Tajani quer que a Itália seja um país de moderação, de europeísmo e de estabilidade. Berlusconi é o único capaz de parar os pés do populismo na Itália “.

Os resultados do domingo deixarão um Parlamento italiano atomizado, que Tajani comenta assim: “Esta situação repete-se em toda a Europa: a Alemanha tem estado sem governo desde setembro. Uma grande crise como a que sentimos, que deixou tantas cicatrizes na cidadania, terá necessariamente consequências políticas inesperadas. Mas a Itália mostrou há décadas que sabe como navegar em águas turbulentas”.

Por outro lado, Tajani debate-se com um dilema. O seu antecessor à frente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, deixou Bruxelas para liderar os social-democratas alemães e acabou ‘morto’ para a política. Mas isso, diz, não o assusta.

Talvez assuste uma das suas opções estratégicas: “É importante que, nos próximos anos, a Espanha e a Itália sejam mais protagonistas. Isso é do interesse da Europa. Somos essenciais: é hora de esses dois países recuperar a centralidade. Em áreas capitais, como a defesa, a segurança e a imigração, Madrid e Roma devem ser importantes”, como também nas decisões de política económica. Tajani irá em breve a Espanha, para participar no congresso do Partido Popular Europeu, em Valência.

O problema é que talvez a União Europeia seja demasiado pequena para sobreviver a dois eixos: Paris-Berlim e Madrid-Roma – dado que isso iria criar uma espécie de concorrência que certamente não seria benéfica para ninguém.

Amanhã se verá para que lado corre a Itália.

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