Bernardo Meyrelles sai do Deutsche Bank Portugal

Bernardo Meyrelles liderou o Deutsche Bank Portugal quando este começou a operar na banca de particulares e com o seu principal foco nos clientes de banca privada de segmento alto e médio-alto. O Deutsche Bank em Portugal vai ficar uma sucursal da banca de investimento.

Foto cedida

A venda do negócio de banca comercial em Portugal ao espanhol Abanca, deixa o Deutsche Bank resumido à  banca de investimento e banca de empresas. “O Deutsche Bank vai manter uma presença em Portugal, através da sucursal Deutsche Bank Portugal, que desenvolverá actividade ao nível da banca corporativa e de investimento, incluindo Global Transaction Banking, prestando serviços bancários às empresas nacionais e estrangeiras, instituições financeiras, ao Estado e demais entidades públicas”, explica o comunicado. Na sequência disso Bernardo Meyrelles do Souto, que lidera a sucursal do banco alemão em Portugal vai sair do banco, soube o Jornal Económico.

Bernardo Meyrelles liderou o Deutsche Bank Portugal quando este começou a operar na banca de particulares e com o seu principal foco nos clientes de banca privada de segmento alto e médio-alto, com um modelo de negócio centrado na comercialização de produtos financeiros e na colocação de fundos de investimento internacionais.

A questão é que o Deutsche Bank segue os passos dos bancos Credit Suisse e UBS que só fazem banca de retalho comercial nos seus países de origem (na Suíça) e internacionalizam apenas a banca de investimento e a área de private banking, e Bernardo Meyrelles não é especialista em banca de investimento.

Contactado o responsável pelo Deutsche Bank Portugal, não quis fazer comentários.

Como CEO do Deutsche Bank em Portugal, Bernardo Meyrelles, viu, em  2011, o Deutsche Bank transformar a operação em Portugal numa sucursal, de modo a evitar a exposição ao risco de um país sob resgate da troika e com “rating” lixo. A passagem a sucursal livrou o banco dos constrangimentos financeiros da altura dos bancos com sede em Portugal, mas mais tarde isso passou a ser um factor de risco, quando o Deutsche Bank na Alemanha, em 2016, ficou em risco de precisar de um resgate, caso este não fosse capaz de angariar capital para pagar os custos do processo judicial, bem como a multa — de 14 mil milhões de dólares — aplicada pelos Estados Unidos por um caso relacionado com o subprime e sobre o seu papel na crise imobiliária iniciada nos EUA em 2007. O que a acontecer, e dada a nova legislação de  resgate via bail-in, punha os clientes de altos rendimentos em Portugal em risco de perderem os seus investimentos para recapitalizar o banco alemão.

Abanca cresce substancialmente em Portugal

Abanca, com o negócio local de retalho, Private and Commercial Clients (PCC), em Portugal,  passa a ter um banco com 45 balcões e uma carteira de crédito de 2.400 milhões de euros. Acrescenta ainda à sua atual diminuta presença no mercado português 1.000 milhões de euros em depósitos e 3.100 milhões de euros de ativos sob gestão.

O banco espanhol incrementa o seu volume de negócio em 6.500 milhões de euros com a aquisição da rede PCC (Particulares e Banca Privada) do Deutsche Bank Portugal.

A equipa que gere o negócio em Portugal de cerca de 50.000 clientes é composta por 330 colaboradores e 100 agentes externos.

As negociações remontavam a janeiro, altura em que o Jornal Económico noticiou o interesse do Abanca no Deutsche Bank Portugal, mas só ficou concretizada nesta terça-feira dia 27 de março. O Deutsche Bank anunciou ter chegado a acordo para vender “o seu negócio local de retalho, Private and Commercial Clients (PCC), em Portugal, ao Abanca Corporación Bancaria”, indica a instituição em comunicado.

“Com esta transação o Deutsche Bank continua a executar a estratégia de se concentrar nas suas áreas de atividade mais relevantes e reduzir a complexidade da sua operação”, adiantou o banco alemão.

Integração total no primeiro semestre de 2019

“Ambas as partes estão empenhadas na conclusão da transação no primeiro semestre de 2019”, diz o banco.
O Deutsche Bank garante que irá trabalhar em parceria com os clientes, reguladores, colaboradores e outros stakeholders com o objetivo de assegurar uma transição suave.

O processo de integração está previsto estar concluído em junho de 2019. “O calendário da operação de compra finalizará no primeiro semestre de 2019, uma vez obtidas todas as autorizações e concluída a integração tecnológica. A equipa de IT do Abanca conta com grande experiência neste tipo de processos e realizou integrações similares em operações corporativas anteriores”, diz o banco galego em comunicado.

“Uma vez concluída a integração, o Abanca reforçará a sua presença no mercado português no qual espera crescimentos positivos nos próximos anos, acompanhados de uma recuperação de emprego”, salienta o banco que em Portugal está presente através de uma sucursal que tem como responsável Pedro Pimenta.

O Abanca em Portugal quer ser um banco focado no segmento de empresas e particulares de médio e alto rendimento, e a compra da atividade do Deutsche Bank Portugal serve na mouche este objetivo. Pois o enfoque comercial da sucursal do banco alemão “é claramente diferente da concorrência em Portugal e responde a um modelo de negócio muito valorizado nos segmentos de banca de particulares e privada”, diz a nota de imprensa.

O Abanca vai também manter a carteira de crédito hipotecária do Deutsche Bank Portugal.

O Abanca é a instituição financeira líder no Noroeste de Espanha, com 640 balcões e mais de 4.600 colaboradores. Já opera em Portugal através uma sucursal com quatro balcões, e um modelo de negócio focado nas pequenas e médias empresas. “Esta transação faz parte do plano estratégico do Abanca no sentido de reforçar a presença em Portugal e, complementarmente, crescer nos segmentos estratégicos de particulares e de private banking”.

O Abanca diz que no dia 27 de março saiu vencedor do processo formal de venda da unidade de banca de particulares do Deutsche Bank PCC em Portugal.

“Com esta operação o Abanca aumenta o seu negócio internacional e ganha presença no segmento de banca de particulares e privada, áreas nas quais o Deutsche Bank PCC Portugal é especializado. Adicionalmente, o Deutsche Bank e o Abanca acordaram estudar futuramente uma potencial colaboração comercial em Portugal”, diz o banco galego.

A compra permite ao Abanca uma melhoria de 5.0% da margem de intermediação e um aumento de 20% em comissões.

A conclusão da transação fica condicionada às aprovações regulatórias exigidas, entre outras condições operacionais.

O Abanca contou com o apoio da Clifford Chance como assessor jurídico e do Nomura como assessor financeiro.

 

 

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