KPMG, EY, PwC e Deloitte: ‘big four’ também querem uma fatia do bolo de M&A

KPMG, EY, PwC e Deloitte apostam em força na assessoria a fusões e aquisições, disputando o mercado aos bancos e às firmas de advogados.

As intervenções da KPMG, EY, PwC e Deloitte – as chamadas big four da auditoria e consultoria – no mercado de assessoria a operações de M&A têm colocado estas firmas em concorrência direta com os bancos de investimento e mesmo com as sociedades de advogados.

Considerando que a atuação no mercado de M&A “é muito semelhante” à dos bancos de investimento, em termos de processo, como fatores de diferenciação, João Sousa Leal, partner da KPMG em Portugal, elenca o posicionamento de independência; as equipas altamente especializadas em diferentes setores de atividade e a participação em operações de M&A cross-border, alavancada pelo facto de estarem inseridos numa rede global (mais de 150 países).

João Sousa Leal destaca este aspeto da presença a uma escala global já que lhes permite apoiar os clientes em transações em diferentes geografias “e aportar sempre um conhecimento profundo do mercado em questão”, acrescentando ainda que, esta atuação integrada das equipas de M&A, também permite prestar assessoria a vários clientes internacionais em aquisições em Portugal, bem como a clientes nacionais que decidiram internacionalizar o seu negócio de forma inorgânica.

O responsável dá ainda nota de que, no que se refere particularmente às firmas de advogados, atuam de forma complementar, trabalhando em estreita parceria, sendo que em Portugal não oferecem serviços de assessoria legal.

No caso da EY, o fator diferenciação é alicerçado numa abordagem integrada ao mercado de consultoria financeira, apoiando os clientes em todo o processo de gestão do seu capital, nomeadamente nas componentes de definição estratégica, due diligence em diversas áreas, avaliação de empresas, restruturação financeira e assessoria em todo processo de M&A. “O que nos diferencia claramente da banca de investimento ou das firmas de advogados que apenas apoiam em vertentes parcelares deste processo”, reforça Miguel Farinha, partner e Head of Transaction Advisory Services da EY.

A estratégia de crescimento da consultora nos últimos quatro anos, que levou a equipa a quadruplicar a sua dimensão, passou pela integração de serviços adicionais aos tradicionalmente oferecidos por empresas de consultoria financeira, culminando com a recente integração da Augusto Mateus & Associados, que visou reforçar as suas competências na vertente estratégica.

Na hora de escolher um assessor, o que faz a diferença?

Relativamente às valências que fazem a diferença, João Sousa Leal destaca essencialmente três fatores: o posicionamento de independência; a capacidade de execução e envolvimento direto dos sócios bem como, a capacidade de identificar e promover oportunidades de investimento a uma escala global. No que se refere aos serviços a prestar, para a KPMG é essencial oferecer aos clientes uma assessoria integrada: além da assessoria tradicional de M&A, é fundamental apoiar os clientes no processo financiamento das transações, no ‘due diligence’ e no processo de integração pós transação.

Para além da complementaridade de serviços, a EY aponta fatores como a experiência em transações, de quem participa em mais de uma centena de transações por ano.

A consultora frisa ainda, no seu caso, o peso que assume o facto de ser uma empresa mundialmente integrada, que facilmente mobiliza recursos de qualquer parte do mundo.

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