Biomassa é a próxima oportunidade para Portugal crescer no setor agrícola

Estudo do BIC defende que as biorefinarias locais, alimentadas de matérias- primas específicas, seriam sustentáveis em Portugal.

Estabeleça “metas verdes” para 2019

A biomassa é a próxima oportunidade para Portugal crescer no setor agrícola e florestal nacionais, de acordo com um estudo recente do BIC – Bio-based Industries Consortium (consórcio das bio-indústrias).

“Portugal tem na biomassa uma nova oportunidade de desenvolvimento e crescimento, sobretudo para os setores agrícola e florestal”, garante esta entidade.

Para chegar a esta conclusão, o estudo do BIC recorre a dados antigos, mas relevantes: mais de um milhão de toneladas/ano de resíduos de origem agrícola (fonte: Estudo Ibero Massa Florestal de 2014 que usa dados de 2007) e de mais de 1,7 milhões de toneladas/ano de resíduos florestais “verdes” + 750 mil toneladas/ano de resíduos vegetais secos (outro estudo de 2014 da Ibero Massa Florestal, com dados de 2006).

Adicionalmente, o BIC recorda que em Portugal existem também diferentes categorias de biomassa, com maiores concentrações em regiões específicas (por ex. cereais, tomates e azeitonas na região centro do Alentejo; pinheiro bravo e eucalipto na região litoral centro), “o que nos dá indicadores de que as biorefinarias locais, alimentadas de matérias- primas específicas, seriam sustentáveis”.

“O valor monetário desta biomassa de matérias-primas depende da sua utilização. No entanto, se for queimada para produzir energia terá um valor claramente inferior caso venha a ser utilizada para produzir produtos químicos e outros materiais”, explica um comunicado do BIC.

O mesmo documento acrescenta que “a criação de biorefinarias para converterem matérias-primas em produtos químicos e outros materiais de valor acrescentado com várias finalidades, entre as quais a alimentação humana e a alimentação animal, poderá requerer investimentos elevados”, pelo que “é preciso definir o negócio e qual o modelo que lhe deve corresponder caso a caso”.

O BIC, o parceiro privado da Bio-based Industries Joint Undertaking (BBI JU), acaba de publicar três novos estudos que mapeiam o potencial e identificam as oportunidades de expansão das bioindústrias.

Além de Portugal, estiveram em análise a Polónia e a Roménia. “Estes estudos, realizados por país, são os primeiros de uma série de publicações do BIC que visam identificar oportunidades de expansão das bioindústrias na Europa, num esforço de equilibrar esta nova realidade nos vários países e de contribuir para a criação de uma bioindústria de base europeia que se possa afirmar à escala global”, adianta o comunicado.

Os estudos destacam também os resultados do exercício de mapeamento das fontes locais de biomassa, que poderão ser utilizadas como matéria-prima sustentável para as atividades industriais bio-baseadas, bem como os principais atores e os setores mais relevantes em cada país.

Dirk Carrez, diretor executivo do BIC, defende que “estes estudos revelam a existência de um enorme potencial de desenvolvimento da bioindústria local em Portugal,  na Polónia e na Roménia”.

“Estes três países estão neste momento a criar as suas estratégias nacionais para a bioeconomia, que contribuirão para desenvolver as atividades das indústrias bio-baseadas. O estabelecimento de uma parceria com o BIC e com o BBI JU irá ajudar os vários intervenientes locais a acelerarem o potencial da bioeconomia no seu país e, ao mesmo tempo,  fortalecerá o desenvolvimento de uma bioeconomia Europeia”, assegura o responsável.

Em Portugal, o potencial das bioindústrias está diretamente relacionado com a ampla atividade industrial dos setores primários da indústria agroalimentar, silvicultura e pescas, a par da produção de produtos de cortiça e de couro.

“Além de contribuir significativamente para a economia nacional, a atividade destes setores gera quantidades abundantes de fluxos residuais, que constituem uma fonte de potencial matéria-prima para a bioindústria local. As quantidades em que estes fluxos são produzidos justificam a instalação de biorefinarias de larga escala para a sua valorização”, avisa o comunicado do BIC.

O mesmo documento sublinha que “os desafios que Portugal terá que enfrentar incluem: as explorações agrícolas – na sua maioria de pequena dimensão, a sua dispersão geográfica e a ausência de políticas nacionais de apoio que promovam a adoção mais generalizada da bioeconomia, a par da insuficiência de ações de sensibilização acerca das potencialidades e benefícios da economia circular”.

O trabalho que está em curso, tendo em vista a criação de uma estratégia nacional para a bioeconomia,  será o estímulo necessário ao desenvolvimento da bioindústria, entendem os responsáveis do BIC.

“Portugal poderá vir a registar um aumento muito significativo das atividades das indústrias bio-baseadas a breve trecho, tendo em conta esta nova estratégia nacional para a bioeconomia, e dado que além de possuir setores primários muito fortes, o país já conta com a presença de instituições de investigação de alto nível, incluindo centros de excelência dedicados à biotecnologia e à produção de microalgas”, observa o referido comunicado.

O BIC, que irá visitar Portugal já em abril próximo, garante que irá partilhar este documento com os vários intervenientes locais e criar um plano de ação conjunto, em especial com os intervenientes da indústria e as instituições governamentais, a fim de apoiar a expansão da bioindústria local.

Ao longo deste ano serão lançados planos de ação nestes três países para apoiar os atores locais na adoção generalizada da bioeconomia e na expansão das bioindústrias.

O BIC irá visitar Portugal em abril, a Polónia em julho e  a Roménia em setembro, para ajudar a divulgar as potencialidades da bioeconomia, das bioindústrias e da economia circular e para estabelecer a ligação entre os vários intervenientes locais, as iniciativas e as redes europeias ligadas às bioindústrias.

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