Bolsa de Lisboa em queda acompanha Europa. Ibex é exceção

O PSI 20 fechou em queda com a desvalorização das ações da Mota-Engil, da Altri, Navigator, Pharol, Sonae Capital e Semapa (títulos que mais caíram). Pela positiva destacou-se a Jerónimo Martins e o BCP. A Europa fechou em terreno negativo, com exceção de Madrid. No mercado obrigacionista, os juros alemães a 10 anos caíram 4 pontos base para 0,347%, não tendo ocorrido movimentos significativos nos spreads de risco da periferia.

Reuters

O índice da Bolsa de Lisboa, PSI 20, fechou a cair 0,20% para os 5.606,6 pontos, com a queda da Pharol (-3,33%) e das papeleiras (Navigator -1,57% e Altri – -1,43%). Estas últimas sofreram o contágio do sentimento negativo que rondou a Stora Enso,  gigante finlandesa de papel, mais comparável com a Navigator do que com a Altri, que caiu na bolsa 13,54%, por ter apresentado resultados decepcionantes.  Nas suas metas para o 3ºtrimestre a empresa voltou também a desiludir.

A Mota-Engil também registou uma queda de -1,70% para 2,885 euros; a Semapa deslizou -1,81% para 21,65 euros; Sonae Capital (que recentemente anunciou a substituição de presidente) fechou em terreno negativo (-1,39%).

Pela positiva destacaram-se as ações da Jerónimo Martins (+1,38% para 13,225 euros). Segundo o Caixa BI, de acordo com os dados divulgados pelo instituto de estatística da Polónia, onde a empresa retalhista tem a Biedronka, os salários no mês de junho apresentaram uma variação homóloga de +7,5%, enquanto face aos valores de maio verificou-se uma subida de 3,2%.

A subida dos salários foi acompanhada por uma subida do emprego em junho de +0,2% em relação aos valores de maio e de +3,7% face ao período homólogo. Os dados relativos ao comportamento dos salários e do emprego na Polónia continuaram a apresentar valores positivos em junho, confirmando o dinamismo da economia, diz o daily do banco de invstimento.

O BCP também teve uma sessão positiva, ao subir em bolsa 0,69% para fechar nos 0,2640 euros, numa altura em que se aproxima a apresentação de resultados do semestre. Os analistas do BPI prevêem que os resultados do banco terão subido 60% isso ajudou à performance das ações.

Na Europa os principiais índices fecharam em queda com exceção do índice da bolsa de Madrid.

O EuroStoxx 50 deslizou 0,25% para 3.463,02 pontos; em Paris a bolsa  fechou em queda de 0,33%. O analista do Millennium Investment Banking diz que que a reação negativa às receitas abaixo do esperado apresentadas pela Faurecia (empresa francesa da indústria automóvel) “é mais um sinal de pressão para o setor Auto, um dos mais afetados pela guerra comercial”.

Em Londres o FTSE desceu 0,11% para 7.675,83 pontos numa altura em que  Bruxelas insta os 27 países da UE a prepararem-se para um eventual ″hard Brexit″.

O alemão Dax  caiu 0,93% para 12.567,8 pontos. “O Ministério das Finanças da Alemanha fez alguns comentários sobre o crescimento doméstico no segundo trimestre do ano. A instituição disse que o crescimento económico alemão provavelmente irá acelerar +0,3% do que no primeiro trimestre. Os riscos externos são o maior perigo para a economia alemã, especialmente o aumento das tendências protecionistas”, segundo a gestora do XTB, Libana Loureiro.

O índice italiano FTSE MIB desceu 0,29% para 21.822, 6 pontos. Já o Ibex fechou em alta de 0,23% para 9.743 pontos, e foi, a par com o AEX da Holanda, a excepção que confirma a regra nas bolsas da Europa.

“A desilusão nas contas da Stora Enso merecem a atenção das papeleiras nacionais Altri e Navigator. Pela positiva de notar a revisão em alta que anima os títulos da RWE e a boa resposta aos números das francesas Thales e Remy Cointreau”, diz  Ramiro Loureiro, Analista de Mercados do BCP.

Os analistas do Bankinter, por seu turno, dizem que”a sessão de hoje vem marcada pelo tom misto das bolsas asiáticas e pela escassez de referências macroeconómicas importantes. Apenas há a destacar a Balança por Conta Corrente europeia relativa ao mês de maio, onde não esperamos grandes surpresas. O mais importante a curto prazo é que os índices de volatilidade (VIX) mantêm-se em níveis historicamente baixos”

Libana Loureiro da XTB diz que “o anúncio de Donald Trump de tarifas de 500 mil milhões de dólares em bens chineses condenou ações do velho continente”.

Os analistas do BPI dizem que “apesar  da  earnings  season  começar  a  ganhar  alguma  dimensão  na  Europa, o principal catalisador dos mercados bolsistas do Velho Continente continuará a ser o desempenho dos seus pares americanos”.

“Este padrão tem permitido aos investidores darem um menor peso ao fato de as estimativas de lucro serem de apenas 6% na Europa face aos 21% dos EUA”.

O BPI fala em incertezas políticas  associadas  ao  novo  Governo  Italiano,  assim  como  alguma  instabilidade  governativa  em Espanha e na Alemanha, para além de algumas indefinições em relação ao futuro da política  monetária do BCE.

No mercado obrigacionista, os juros alemães a 10 anos caíram 4 pontos base para 0,347%, não tendo ocorrido movimentos significativos nos spreads de risco da periferia.

A dívida espanhola sobe 3,3 pontos base para 1,134%; Itália viu a dívida agravar 8,3 pontos base para 2,589% e Portugal também com os juros a subirem 2,9 pontos base para 1,782%.

“Trump acusou também a China e a Zona Euro de desvalorizarem as suas moedas, fazendo o dólar americano apreciar face a essas divisas. No dia de hoje o Dólar esteve a realizar precisamente o movimento inverso, ou seja, a depreciar face ao Euro”, diz o analista do banco de investimento do BCP.

O euro vale 1,1708 dólares (+0,57%).

No petróleo em Londres o Brent sobe 0,52% para 72,96 dólares e nos EUA o crude WTI valoriza  0,55% para 69,84 dólares.

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