Bolsa de Lisboa em queda com seis cotadas a negociar ex-dividendo. Europa afetada pela crise em Itália

A banca é o setor que mais cai na Península Ibérica. O BCP perdeu 3,34% na semana da sua Assembleia Geral. Na Europa as bolsas fecharam em queda afetadas pela crise política de Itália. Dívida dos países periféricos agrava-se.

Em Portugal, seis empresas cotadas estão a negociar em ex-dividendo, levando o PSI20 a fechar em queda. Neste período, quem comprar ações não recebe os dividendos propostos pelas empresas. Altri, F.Ramada, Galp, Sonae e Sonae Capital.  Daqui, a Sonae (-1,21%), a Sonae Capital  (-1,9%) e a Galp (-1,61%) fecharam em terreno negativo. Ainda assim, a F. Ramada (que não pertence ao PSI 20) terminou em terreno neutro (10.2000 euros) e a Altri conseguiu encerrar em alta, com uma valorizações de 0.95%.

O PSI 20 fechou a cair 1,74% para 5.513 pontos, com o BCP a liderar as perdas -3,34% para 0,2603 euros. Pela positiva destaque para a Corticeira Amorim (+1,03%), NOS (0,21%) e Semapa (0,70%).

Os títulos dos CTT cairam 0,84%. Os CTT comunicaram que o Goldman Sachs reduziu a sua participação no capital da empresa para abaixo do limite de 2%, passando a deter apenas 1,94% (versus 2.42% anteriormente comunicados). A operação ocorreu no passado dia 17 de maio, um dia após os CTT terem pago o dividendo relativo ao exercício de 2017 (0.38 euros). Antes desta operação, o Goldman Sachs era o quinto maior acionista dos CTT. A Gestmin (12,58%), a Global Portfolio Investments (5,66%), o Norges Bank (4,27%) e o Credit Suisse (3,31%) são os maiores acionistas da empresa liderada por Francisco Lacerda.

O mercado nacional foi hoje afetado também pela conjuntura externa. Em Itália, no fim-de-semana assistiu-se a um braço de ferro entre o futuro Governo, formado pelos eurocéticos Movimento 5 Stelle e a Lega Nord, e o Presidente da República. Em causa esteve a nomeação de Paolo Savona para a poderosa pasta das Economia. A negação do Presidente da República em nomear Paolo Savona como Ministro das Economia (em Itália é o Presidente que nomeia formalmente os ministros), assim como as críticas de alguns expoentes europeus induziu Giuseppe Conte, Primeiro-Ministro indigitado, a demitir-se e os dois partidos do governo a exigirem a realização de eleições antecipadas.

Na Europa, Itália fechou a perder 2,08%, depois de o presidente ter rejeitado a nomeação do ministro da economia. “Por um lado, a Europa descansa uma vez que o ministro nomeado não era a favor do conceito europeu, por outra lado, voltamos à estaca zero e o receio sobre eleições antecipadas, volta a estar no ar. As yields das obrigações do sul da Europa reagem em alta”, diz a gestora da XTB Carla Santos.

Assim, a praça italiana fechou com uma queda significativa, “tendo os bancos sido os principiais catalisadores desta tendência”, referem os analistas do BPI.

Para além da crises políticas da Itália também a de Espanha marcou o primeiro dia da semana. Em Espanha o Ibex 35 caiu 0,63%, para 9.764 pontos, seu nível mais baixo desde há mais de um mês (em 12 de abril fechou em 9.747 pontos), numa sessão em que os bancos foram os mais afetados da sessão.

Todos os bancos listados no Ibex 35, com exceção do Banco Sabadell (+ 0,5%), fecharam com quedas significativas. O Bankinter foi o que registou o pior desempenho, após cair 2,33%. No entanto, os dois principais do índice, Banco Santander e BBVA, também caíram acentuadamente.

Isso fez com que o BCP em Portugal caísse significativamente.

O FTSE 100 subiu 0,18% para 7.730,3 pontos e foi a única praça europeia em alta. O Dax alemão caiu (-0,58% para 12.863,46 pontos); e o CAC perdeu 0,61% para 5.508,93 pontos. O global EuroStoxx 50 desceu 0,32% para 3.482,64  pontos.

No exterior nota para alegadas investigações sobre manipulações de gases da Daimler e para as questões políticas em Itália e Espanha. Nas matérias-primas movimentos no sentido de retirar os cortes de produção estão a trazer os preços do petróleo para baixo.

Relativamente ao mercado de dívida, as yields das OT italianas a 2 anos subiram para níveis em torno dos 0.862%, enquanto que as OT a 10 anos registaram um agravamento de 22,3 pontos base, tendo situado nos 2.684%.

Portugal viu os juros a 10 anos agravarem 12,1 pontos base para 2,071% e Espanha viu os juros soberanos subirem 5,9 pontos base para 1,525%.

Em sentido contrário a dívida alemã viu os juros descerem 6,2 pontos base para uma yield de 0,344%. O spread das dívidas periféricas aumentou face ao benchmark alemão.

No mercado cambial, o euro sofreu uma ligeira desvalorização face ao dólar.

No mercado do petróleo o Brent caiu 1,28% para 75,46 dólares e o WTI nos EUA cai 1,89%para 66,6 dólares.

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