Bolsa portuguesa afunda quase 3%. BCP pressiona com tombo de 7%

O principal índice bolsista nacional tomba 2,86%. A instabilidade política em Itália e Espanha leva as principais praças europeias para o ‘vermelho’. O efeito de contágio está a penalizar o setor bancário, sobretudo no sul da Europa.

A praça lisboeta está a negociar em terreno negativo esta terça-feira, num dia em que o BCP afunda mais de 7%, para mínimos de outubro do ano passado. O principal índice bolsista nacional, PSI 20, tomba 2,86%, para 5.355,28 pontos, em linha com as principais congéneres europeias que estão a ser influenciadas pela instabilidade política em Espanha e Itália.
Na sessão desta terça-feira, as ações do BCP caem 7,11%, para 0,24 euros, tendo já tocado nos 0,23 euros. O banco liderado por Nuno Amado está a ser pressionado pelo sentimento negativo dos mercados europeus, devido à situação política em Itália (onde haverá um governo de gestão até setembro, altura em que haverá novas eleições legislativas) e Espanha (onde PSOE anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao governo de Mariano Rajoy). O efeito de contágio está a penalizar o setor bancário, sobretudo no sul da Europa.
“Todo o setor financeiro na Europa está a ser afetado pelos eventos em Itália, e o BCP é vulnerável a isso, sem dúvida”, explicou Gualter Pacheco, trader da GoBulling, no Porto. O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 Banks desce quase 4%.
Gualter Pacheco salientou que incerteza está a penalisar vários ativos nos mercados financeiros, incluindo as taxas das dívidas soberanas europeias. A yield das obrigações italianas benchmark, ou seja a 10 anos, escala 41 pontos base para 3,086% para tocar em máximos de quase quatro anos. As pares da periferia da zona euro estão a sentir o contágio, com a equivalente portuguesa a subir 21 pontos base para 2,28%, enquanto a de Espanha avança 11 pontos para 1,64%. Em sentido contrário, a taxa da Bunds alemãs, um ativo de porto-seguro para os investidores em altura de turbulência, desce 8 pontos base para 0,27%.

A crise política em Itália teve novos episódios nos últimos dias, após o presidente Sergio Mattarella ter rejeitado a escolha de um ministro da Economia eurocético, deitando por terra a tentativa de formação de um governo de coligação do Movimento 5 Estrelas e a Liga, um partido de extrema-direita.

“Os mercados de ações europeus prolongam as perdas do início da semana, com um arranque da sessão de terça-feira em correção superior a 0,5%. As praças de Londres e de Nova Iorque regressam [esta terça-feira] à negociação. Se a instabilidade política em Espanha e Itália marca a evolução das yields e afeta o setor da banca, a trajetória recente de queda dos preços das matérias-primas pressiona os setores energético e de recursos naturais”, explica o analista de mercados do Millenium Investment Banking, Ramiro Loureiro.

Entre as principais congéneres europeias, o dia está a ser pintado de ‘vermelho’. O alemão DAX tomba 1,59%, o britânico FTSE 100 recua 1,38%, o francês CAC 40 deprecia 1,68%, o espanhol IBEX 35 cai 2,45% e o italiano FTSE MIB 2,81%.

“Os próximos dias serão mais ricos em termos de indicadores macroeconómicos e por isso é natural que os investidores estejam mais cautelosos. Para hoje teremos indicadores de confiança e ambiente económico em Portugal que merecem observação. Por cá a Navigator anunciou datas de pagamento de dividendo”, conclui Loureiro.

Em Lisboa, nenhuma cotada está em terreno positivo, numa sessão onde as papeleiras Navigator (-2,16%, para 5,20 euros) e Altri (-3,22%, para 7,21 euros) são destaque tamém. A Navigator informou hoje o mercado sobre o pagamento dos dividendos, 0,23 euros por ação, e da distribuição de reservas livres, 0,04 euros por ação. “As ações deixam de transacionar sem direito aos mesmos a partir do dia 15 de junho [ex-date]”.

Já a Altri informou o mercado da emissão de 50 milhões de euros em obrigações, por subscrição particular, pelo prazo de dez anos. A “operação visa a extensão do perfil de maturidade da dívida, o reforço da estrutura de capitais e a diversificação das fontes e tipologia de financiamento”, explica o analista de mercado do Millenium Investment Banking.

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