Bolsas de Lisboa e Milão foram as resistentes à investida de Trump

O reaquecimento das tensões entre os EUA e os parceiros comerciais levaram as bolsas europeias para terreno negativo. O PSI 20 e o FTSE MIB contrariam, mas no acumulado do mês, o índice português perdeu 0,8%.

Reuters

O PSI 20 fechou esta quinta-feira com um ganho de 0,46% para 5.468,67 pontos, a contrariar a tendência que imperou na Europa. O reaquecimento das tensões entre os EUA e os parceiros comerciais levaram as bolsas europeias para terreno negativo. Lisboa e Milão foram as exceções.

Departamento do Comércio norte-americano suspendeu esta quinta-feira a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México, numa decisão que fez disparar as tensões comerciais e poderá provocar represálias dos parceiros.

O secretário de Estado do Comércio, Wilbur Ross, anunciou a decisão de não estender o regime de exceção, pelo que as tarifas de 25% e 10% na importação de aço e alumínio, respetivamente, entrarão em vigor na sexta-feira. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reagiu logo de seguida, dizendo que vai denunciar a decisão à Organização Mundial do Comércio responder de forma “proporcional”.

O anúncio levou a uma queda generalizada nas bolsas – norte-americanas e europeias – invertendo a tendência de recuperação após o pânico com Itália vivido na terça-feira.

“Vamos ter uma tremenda incerteza ao longo do verão. Não vejo, neste momento, que haja uma grande jogada direcional. O que vejo é muita incerteza, o que resulta em muita volatilidade”, explicou o estrategista-chefe de macro-economia da Informa Financial Intelligence, David Ader, à agência Bloomberg sobre o impacto do anúncio nos mercados globais.

PSI 20 no ‘vermelho’ no acumulado do mês

Maio não foi um mês fácil para os mercados e o PSI 20, que terminou a sessão no ‘verde’, acumulou uma perda de 0,79%. Esta quinta-feira, o BCP voltou a estar em destaque. O banco tinha sido uma das principais vítimas da instabilidade política em Itália e manteve a recuperação, tendo fechado a subir 1,87% para 0,2512 euros por ação.

As papeleiras beneficiaram da desaceleração do euro. A Altri subiu 4,36% para 7,900 euros e a Navigator ganhou 1,14% para 5,340 euros, num dia em que a moeda única valorizou apenas 0,03% para 1,1669 dólares.

Na energia, o dia foi misto, com a REN (0,93%), Galp Energia (0,73%) e EDP Renováveis (0,69%) a fecharam com valorizações. Por outro lado, a EDP resvalou 1,18% para 3,350 euros por ação. Entre as restantes cotadas do PSI 20, fecharam no vermelho a Pharol (1,55%), a Corticeira Amorim (0,87%), a Jerónimo Martins (0,52%) e a Semapa (0,46%).

O índice pan-europeu Euro Stoxx 50 perdeu 0,64%, enquanto entre as bolsas nacionais, o alemão DAX caiu 1,44%, o espanhol IBEX 35 cedeu 1,19%, o francês CAC 40 recuou 0,53%, o britânico FTSE 100 desvalorizou 0,20%. Em contra-ciclo, o italiano FTSE MIB conseguiu fechar no ‘verde’, mesmo que com uma subida ligeira de 0,03%.

Os juros das dívidas soberanas da zona euro recuaram de forma generalizada, incluindo em Portugal. A yield das Bunds alemãs a 10 anos caíram para 0,341%, a das obrigações italianas para 2,794%, a das espanholas para 1,503% e a de Portugal perdeu 7,1 pontos base para 1,981%.

[Notícia atualizada às 17h20]

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