BPI passa de lucro a prejuízo nos primeiros nove meses

O Banco BPI registou um resultado líquido negativo de 114,3 milhões de euros entre janeiro e setembro, que compara com o lucro de 72,7 milhões de euros apurado no mesmo período do ano passado, revelou hoje o banco. O resultado líquido da entidade liderada por Fernando Ulrich foi “penalizado por resultados não recorrentes na atividade […]

O Banco BPI registou um resultado líquido negativo de 114,3 milhões de euros entre janeiro e setembro, que compara com o lucro de 72,7 milhões de euros apurado no mesmo período do ano passado, revelou hoje o banco.

O resultado líquido da entidade liderada por Fernando Ulrich foi “penalizado por resultados não recorrentes na atividade doméstica com um impacto negativo de 186,9 milhões de euros”, frisou o BPI no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O banco acrescentou que “excluindo esses resultados não recorrentes, o lucro líquido consolidado ascenderia a 72,5 milhões de euros”.

Em causa estão as menos-valias de 137,5 milhões de euros (105,9 milhões de euros após impostos) realizadas principalmente no primeiro trimestre com a venda de dívida pública de médio e longo prazo de Portugal e Itália.

Somam-se os custos de 26,7 milhões de euros (20,5 milhões de euros após impostos) com juros das obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCo) subscritas pelo Estado português, incorridos nos primeiros seis meses do ano, já que os CoCo foram integralmente reembolsados em junho.

Há ainda custos extraordinários de 26,1 milhões de euros (20 milhões de euros após impostos) relativos a reformas antecipadas realizadas ou acordadas que o banco prevê que sejam concretizadas até ao final do ano.

O BPI aponta ainda para a anulação de impostos diferidos (reporte fiscal) relativo aos prejuízos de 2011 (-20,9 milhões de euros).

E acrescenta os custos não recorrentes diversos, que não são especificados, de 19,6 milhões de euros após impostos.

Já a atividade internacional contribuiu positivamente para os resultados consolidados com um lucro de 83,2 milhões de euros (um aumento homólogo de 33%).

Quanto aos restantes indicadores financeiros, nota para a evolução favorável de 6,3% da margem financeira para 377,2 milhões de euros.

As comissões e outros proveitos baixaram ligeiramente para 230,7 milhões de euros, ao passo que os ganhos e perdas em operações financeiras passaram de ganhos de 228,8 milhões de euros em setembro de 2013 para perdas de 13,3 milhões de euros em setembro de 2014.

É neste último ponto que se enquadram as vendas de dívida pública portuguesa e italiana que mais penalizam os resultados dos primeiros nove meses.

Os rendimentos e encargos operacionais sofreram um agravamento de 2,7 milhões de euros para 18,6 milhões de euros negativos.

Assim, o produto bancário fixou-se nos 600 milhões de euros, longe dos 819,9 milhões de euros apurados em igual período do ano passado.

Os custos de estrutura cresceram 27,2 milhões de euros para 508 milhões de euros (devido aos custos extraordinários acima mencionados).

O resultado operacional caiu de 339,2 milhões de euros em setembro de 2013 para 92 milhões de euros em setembro último.

Por seu turno, o resultado antes de impostos foi negativo (52,4 milhões de euros), quando em setembro do ano passado ascendia a 151,4 milhões de euros.

No que toca ao capital, o rácio ‘common equity tier 1’ (rácio de capital que está a ser usado para medir a solvabilidade dos bancos) situou-se nos 12,5% (face às regras aplicáveis em 2014) e nos 9,8% (em virtude da aplicação integral das regras para o setor).

O rácio de transformação de depósitos em crédito foi de 88%.

Ao nível do risco, o rácio de crédito em risco foi de 5,4% e a cobertura do crédito em risco por imparidades de 81%.

As imparidades para crédito recuaram de 182 milhões de euros para 141 milhões de euros entre setembro de 2013 e setembro de 2014.

E o custo do risco de crédito caiu de 0,84% para 0,68% (em termos homólogos anualizados).

O BPI informou ainda que as responsabilidades com pensões tinham no final de setembro uma cobertura de 104%.

 

OJE/Lusa

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