Brexit: União Europeia e Reino Unido não conseguiram chegar a qualquer acordo

O fantasma da saída sem acordo está a crescer a cada instante. A reunião de hoje só veio concluir que as posições estão praticamente inconciliáveis: o ‘Livro Branco’ de Theresa May, que fez os eurocéticos debandarem do seu governo, não agradou aos países da União.

© União Europeia

Theresa May está em maré de azar: a proposta que apresentou há poucos dias para solucionar o Brexit e encontrar uma saída suave para o Reino Unido não esclareceu as preocupações dos 27 Estados-membros – para além de ter anteriormente originado uma debandada dos eurocéticos do interior do seu governo.

A União Europeia adverte que o tempo para chegar a um acordo está esgotado e que como não houve acordo – especialmente no que diz respeito à questão irlandesa – os ministros dos Negócios Estrangeiros do agregado, reunidos em Bruxelas, europeus concordaram esta sexta-feira em acelerar os planos de contingência caso a negociação fracasse. Aparentemente, é o que vai suceder.

A fronteira entre a Irlanda, país da União Europeia e Irlanda do Norte, território britânico acompanha o Brexit, continua a ser o ponto mais difícil da agenda. Para evitar o controlo da fronteira que foi objeto de violência até há 20 anos atrás e durante décadas, a primeira-ministra Theresa May propôs um plano suave, mas teve de recuar face à onda de indignação vinda da parte dos eurocéticos.

O negociador europeu do Brexit, Michel Barnier, recorreu à linguagem diplomática para expressar a sua preocupação. “«Livro Branco’ de May levanta muitas questões. As propostas apresentadas devem ser viáveis ​​”, disse, citado pelas agências noticiosas, após a reunião realizada em Bruxelas. Barnier teme que, ao evitar tais controlos em bens entre Belfast e Irlanda, Londres tenha acesso ilimitado garantido ao mercado único sem aceitar as regras do jogo da União Europeia.

Mesmo assim, Barnier está ciente de que rejeitar a proposta de May a enfraquece em favor dos partidários da linha-dura dos conservadores, que são precisamente aqueles que a União Europeia não quer ver à frente das negociações. Nesse quadro, Barnier reconhece que o documento, que propõe uma espécie de área de livre comércio de bens entre o Reino Unido e os seus parceiros em que Londres aceita algumas regulamentações europeias, é “útil para negociar”.

Seja como for, a preocupação com um Brexit sem um acordo continua a aumentar. “É difícil ser otimista nesses momentos de grande desafio. O tempo está a esgotar-se e estou a ficar um pouco nervoso”, admitiu o responsável pelos Assuntos Europeus do governo de ANgela Merkel, Michael Roth, no final da reunião.

A sua homóloga francesa, Nathalie Loiseau, seguiu o mesmo diapasão: “ninguém quer, mas é nossa responsabilidade preparar um Brexit sem acordo. É o que vamos fazer em França”.

Durante a reunião, que durou quase três horas, vários países alertaram para que este cenário é agora mais provável do que nunca, embora o enorme dano que causaria a ambos os lados aconselhasse a que as divergências fossem ultrapassadas.

Barnier evitou assumir o horizonte mais catastrófico, mas apresentou o plano de Bruxelas aos ministros para acelerar os preparativos para uma saída sem acordo. Embora o prazo oficial para fechar todo o pacote do Brexit outubro, o negociador-chefe do lado da União mostrou um pouco mais de flexibilidade. “Seria necessário chegar a um acordo ou verificar se não há opções antes de dezembro”, resumiu.

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