Café: investidores estão de olho no preço

O preço do café está cada vez mais volátil devido à queda de produção no Brasil. Este é o maior exportador mundial e em 2014 transacionou mais de 20 milhões de sacas de 60 Kg do grão de café. Entre os maiores consumidores mundiais estão África, Ásia e Oceânia.

A evolução do preço do café deverá aumentar ao longo de 2017, segundo uma ‘poll’ de analistas consultados pela agência Reuters. Com a procura a superar a oferta nos próximos dois anos, o valor do primeiro contrato deverá atingir os 1,550 dólares por libra-peso no final do ano, um aumento de cerca de 13% em relação ao final de 2016.
No início do ano, a queda da oferta levou ao aumento do preço da robusta, utilizado na produção de café instantâneo, mas também ao aumento do preço dos grãos arábica. “Existem muitos motivos para otimismo”, disse Harish Sundaresh, analista de commodities em Boston da Loomis Sayles Alpha Strategies, à agência Bloomberg. “Estamos a começar o ano com um inventário muito baixo e os principais centros de produção, Brasil e Vietname, terão uma produção menor”, acrescentou.
A falta de chuva no Brasil causou graves problemas aos produtores e o governo foi obrigado a impor limites à irrigação com água dos rios. No fim do ano passado o governo suspendeu esta limitação, que durava já desde 2015, porém a seca levou o executivo a impor novamente limites. A produção diminuiu de forma acentuada. Por outro lado, no Vietname – outro dos maiores produtores e exportadores de café – as chuvas prolongadas também prejudicaram as colheitas.
Portugal é o país que tem mais estabelecimentos por habitante. Há um café de rua por cada 160 habitantes, o que contrasta com o que acontece na Europa, com um estabelecimento por cada 400 habitantes. Cada português consome, em média, perto de cinco quilos de café por anos.
O maior exportador mundial é o Brasil, que só em 2014 transacionou mais de 20 milhões de sacas de 60 Kg do grão de café. Já entre os maiores consumidores mundiais desta matéria-prima estão os continentes africano, Ásia e Oceânia, América Central e México e Europa.
As cápsulas poderão representar 75% do total das vendas constantes de café a retalho em 2021. O estudo da Euromonitor sobre “Tendências Internacionais do Consumo de Café”, prevê que as cápsulas em Portugal registem um valor CAGR (taxa de crescimento anual composto) de 3% a preços constantes de 2016.
No ano passado, segundo o mesmo estudo, em Portugal o consumo de cápsulas de café esteve acima da média europeia, conquistando mercado aos grãos de café frescos. Por seu turno, as máquinas de cápsulas representaram 84% das vendas de máquinas de café em 2016, com uma penetração no mercado português de 59%.
O mesmo estudo da Euromonitor estima que “as vendas de café sejam moldadas pela evolução dos padrões de consumo, com uma tendência para variedades mais ‘premium’, mais saudáveis e mais inovadoras”, antevendo também o contínuo aumento da venda de cápsulas como resultado de estilos de vida mais ocupados, especialmente entre os consumidores mais jovens.
Na Europa, os mercados de café em franco crescimento são a Alemanha, a Itália e a França. Na continente europeu, no ano passado foram transacionadas 2,2 milhões de toneladas de cafés; 31,2 milhões de unidades de máquinas de café foram vendidas; e sete mil milhões de euros gastos em lojas especializadas em café.
O volume total de vendas de café na Europa Ocidental foi de 75% (zero crescimento) e na Europa Oriental de 25%, mais 1,2%. As cápsulas de café estão estabelecidas na Europa Ocidental, já na Europa Oriental domina o café instantâneo.
O café foi descoberto em 575 d.C. na Etiópia e tem origem nos grãos da planta do café, Coffea Rubiaceae. Existem muitas espécies desta planta equatorial, contudo as mais exploradas comercialmente são C. arabica e C. canephora. Rapidamente difundiu-se para o Mundo através do Egito e da Europa.

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