Capgemini faz contas aos ganhos da automatização inteligente

O setor dos serviços financeiros poderá vir a obter ganhos de 512 mil milhões de dólares até 2020 se implementar este tipo de tecnologia em larga escala.

A automatização pode ser utilizada para melhorar a experiência dos clientes e para aumentar o volume de negócios. O estudo “Growth in the machine: How financial services can move intelligent automation from cost play to growth strategy”, realizado pelo Digital Transformation Institute da consultora Capgemini contabiliza em 512 mil milhões de dólares (cerca de 438 mil milhões de euros) os ganhos da automatização inteligente no setor dos serviços financeiros até 2020.

Para alcançarem este objetivo, as empresas do setor terão, no entanto, de conjugar a automatização dos processos através da robotização (RPA) com a inteligência artificial e com a otimização dos processos de negócio.

Segundo o estudo, a implementação da RPA pode, por exemplo, permitir que uma empresa obtenha uma redução de custos de 10 a 15%. Valores que disparariam para 30% a 50% caso a RPA seja conjugada com a Inteligência Artificial.

A Capgemini revela também que os líderes do setor dos serviços financeiros já começaram a recorrer à automatização para melhorar a experiência do cliente e para gerarem receitas, em vez de focarem apenas na sua utilização apenas para otimizar custos.

A automatização inteligente é encarada pelas empresas de serviços financeiros como aliado face à entrada iminente dos fornecedores não tradicionais no seu mercado. Entre esses fornecedores figuram BigTechs como a Amazon e a Alphabet (a dona da Google), que, segundo 45% das inquiridas pela Capgemini, serão os principais concorrentes dos players tradicionais nos próximos cinco anos.

Apesar das oportunidades que apontam e da ameaça das BigTechs, a adoção da automatização inteligente pelas empresas dos serviços financeiros da decorre “lentamente”. Apenas 10% das inquiridas afirma ter feito implementações desta tecnologia em larga escala. A maior parte das empresas aponta as dificuldades relacionadas com a sua atividade, a tecnologia e os recursos humanos, como os principais fatores de bloqueio à implementação.

O estudo revela igualmente que apenas um quarto das empresas inquiridas possui o nível de maturidade tecnológica necessário à implementação as tecnologias de automatização cognitiva, e que incluem a aprendizagem automática, a visão computacional e os sistemas biométricos. As principais dificuldades situam-se na organização, na infraestrutura tecnológica e nos talentos. De acordo com o estudo, 43% das empresas disse ter dificuldade em apresentar um plano de negócio que favoreça claramente a automatização. Grande parte (41%) revelou ter dificuldade em convencer os seus responsáveis sobre a necessidade e o valor de adotar uma estratégia de automatização inteligente coerente.

Ler mais
Recomendadas

“Setores sujeitos a mediatismo valorizam os danos patrimoniais”

Os danos patrimoniais como cobertura complementar é cada vez mais valorizado por empresas sujeitas a grande mediatismo como a banca, saúde e advocacia, afirma André Vicente da corretora de seguros MDS.

Empresas devem prestar mais atenção à defesa dos segredos comerciais

Portugal encontra-se na cauda da Europa no número de produção de patentes. Apesar do potencial de crescimento, os especialistas consideram que é preciso continuar a mudar mentalidades.

Alves Bandeira: “Queremos chegar aos 200 postos até 2024”

Pedro Mascarenhas, diretor de marketing do grupo Alves Bandeira, revela a estratégia para competir com as grandes marcas e aborda os desafios da eletrificação dos carros. “Estamos preparados”.
Comentários