Catalunha: presos e exilados retirados do executivo da Generalitat

O presidente da Generalitat, Quim Torra, retirou do novo governo os quatro nomes de conselheiros que estão presos ou exilados, dando razão ao governo central.

Pela primeira vez em muitos meses, chegou da Catalunha um sinal de desanuviamento das relações entre a autonomia e o governo central: o presidente da Generalitat, Quim Torra, retirou da proposta de formação do novo governo os quatro nomes de futuros conselheiros que estão presos ou exilados: Jordi Turull, Josep Rull, Lluís Puig e Toni Comin.

A remodelação do governo permitiu que Torra também nomeasse um governo mais igualitário, com seis mulheres e oito homens. Assim, Elsa Artadi – que chegou a ser por duas vezes apintada como possível candidata à presidência – será conselheira da Presidência e porta-voz do governo catalão no lugar de Jordi Turull; a pasta das Empresas e Conhecimento, que estava inicialmente destinada a Turull, passará para Àngels Chacón; Damià Calvet, também adjunto do partido Junts por Catalunya, ficará com a pasta do Território (inicialmente atribuída a Josep Rull); Laura Borras será a conselheira da Cultura em substituição a Lluis Puig; e finalmente, a quarta secretária da Mesa do Parlamento, Alba Vergès, será conselheira da Saúde em substituição de Toni Comín.

A nomeação de novos dirigentes ocorreu após o governo central de Mariano Rajoy ter anunciado que não iria admitir os nomes inicialmente propostos pela Generalitat que fossem de alguém que está preso ou exilado.

Refira-se que, segundo a imprensa espanhola, Elsa Artadi será também uma das correias de transmissão mais diretas entre o ex-presidente Carles Puigdemont, exilado em Berlim, e o novo governo catalão.

A nomeação dos novos nomes vem assim desbloquear a formação de um governo para a Catalunha – coisa que já não existe há mais de meio ano. A nomeação do governo vem por outro lado permitir a supressão do artigo 155 – que suspendia a autonomia e havia transferido a gestão do território para o governo de Madrid.

Mas, para vários analistas, a decisão tomada por Torra está, ou pode estar, longe de dever ser entendida como uma trégua: pode ser apenas um expediente para acabar com a impossibilidade de formação de um governo – que os independentistas sabem estar a retirar-lhes apoio no interior da própria autonomia. Esta evidência ficou bem patente na quase quebra de solidariedade regional entre o partido de Puigdemont e a Esquerda Republicana da Catalunha – que fez saber que deixaria de apoiar a estratégia do exilado na Alemanha se este persistisse em fazer-se investir como presidente da Catalunha.

A inexistência de um governo tem, por outro lado, consequências negativas em termos da economia regional – com os agentes económicos, nomeadamente as grandes empresas e a banca, a retirar os seus ativos regionais e a deslocalizá-los para outras regiões de Espanha.

Segundo estes analistas, a verdadeira prova de fogo do novo governo – e do seu relacionamento com Madrid – dar-se-á na medida em que o executivo de Quim Torra insistir ou não em ser apenas um veículo de alguém, Puigdemont, que a alguns muitos milhares de quilómetros da Catalunha tem em mãos o controlo remoto da sua capacidade decisória.

Em expectativa está, apesar de todas as suas declarações, que Torra acabe por considerar que esse controlo remoto não só é ineficaz em termos da governação diária, como acaba por ser um péssimo capítulo do seu currículo pessoal.

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