Catalunha: Puigdemont tinha criado protocolo de atuação em caso de buscas, meses antes do referendo

As autoridades espanholas indicam que as instruções foram dadas por email e foram enviadas para os vários departamentos do Governo regional, em antecipação de possíveis investigações policiais por rebelião.

O governo catalão liderado por Carles Puigdemont criou, meses antes do referendo que deu vitória à independência da região, um protocolo de atuação para os altos dirigentes governamentais se protegerem de eventuais ações policiais. As autoridades espanholas indicam que as instruções foram dadas por correio eletrónico e foram enviadas para os vários departamentos do Governo regional, em antecipação de possíveis investigações policiais por rebelião.

A informação está a ser avançada pelo jornal espanhol “El Confidencial”, que teve acesso ao último relatório feito pela Guardia Civil sobre o processo independentista iniciado na Catalunha a 1 de outubro. O protocolo terá sido preparado pelo diretor do gabinete jurídico do Governo regional, Francesc Esteve, e aconselha os governantes a agir “no caso de possíveis ordens judiciais de investigação”.

Uma das recomendações dadas era a de nunca deixarem os oficiais da política fazerem buscas sozinhos: “Devem estar presentes durante a prática da diligência e acompanhar os membros da polícia judiciária que executarem a busca o tempo todo”. O cenário antecipado pelo Governo acabou por se tornar realidade quando Madrid deu início à “Operação Anubis”, com buscas no Ministério da Economia.

O referendo de outubro viria a dar vitória à independência, com mais de 90% dos votos. No entanto, apenas 42% dos 5,3 milhões de eleitores exerceram o direito de voto. Madrid negou a validade da consulta popular e propôs novas eleições para 21 de dezembro, tendo estas dado vitória ao partido de Albert Rivera e Inés Arrimadas, o Cidadãos (C’s), que conseguiu conquistar 37 lugares no Parlamento catalão. No entanto, os partidos independentistas levaram a melhor ao conseguirem, em conjunto, a maioria absoluta no Parlamento catalão.

Apesar disso, os três partidos a favor da independência, que se candidataram às eleições de dezembro, ainda não chegaram a acordo para formar Governo e o antigo presidente da Generalitat (Governo regional) da Catalunha, Carles Puigdemont, assumiu que se fosse hoje não teria suspendido a independência catalã. Dados do Centro de Estudios de Opinión da Catalunha indicam que a percentagem de apoiantes da independência da região rondava os 48,7% em outubro, sendo que os últimos dados, registados em fevereiro, colocam a aprovação da independência em torno dos 40,8%.

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