Cerberus dá preço mais alto pelos imóveis do Novo Banco

O Novo Banco está na fase final das negociações com dois candidatos – Cerberus e Bain – para escolher o comprador do portfólio de imóveis conhecido por “Sertorius”.

Cristina Bernardo

A Cerberus Capital ofereceu o preço mais alto pelo portefólio de imóveis que o Novo Banco pôs à venda com o nome de “Projeto Sertorius”, sabe o Jornal Económico. No entanto não há ainda garantias de que seja o vencedor, pois o banco está a negociar em simultâneo com o outro candidato, a Bain Capital.

Os dois candidatos que passaram à fase das propostas vinculativas foram a Cerberus, que se apresenta com a portuguesa Finsolutia como servicer, e a Bain Capital que leva a Whitestar como servicer.

O banco liderado por António Ramalho quer ter um vencedor escolhido até à próxima segunda-feira, dia 15, sabe o Jornal Económico.

Nesta altura, e apesar do preço mais alto oferecido por um dos candidatos, o processo ainda não está na fase de negociações exclusivas, pelo que não há garantias de que ganhe a Cerberus.

As propostas vinculativas foram entregues até ao dia 26 de junho e desde então o Novo Banco tem estado a reunir-se com ambos os consórcios candidatos.

Em causa está uma carteira de imóveis recebidos pelo banco como dação em cumprimento, com um valor contabilístico bruto de 500 milhões de euros.

O Novo Banco lançou em abril o “Projeto Sertorius” para a venda de cerca de 300 imóveis recebidos por dação em cumprimento de crédito e avaliados em 500 milhões de euros. A carteira consiste principalmente (cerca de dois terços) em terrenos não edificados e alguns ativos imobiliários industriais. Mas há também alguns imóveis residenciais e comerciais. A maioria está concentrada em Lisboa e Setúbal.

A PwC está a assessorar o Novo Banco nesta operação.

Esta é a segunda venda de um portfólio de imóveis recebidos por incumprimento de crédito, depois do banco ter vendido imóveis no Projeto Viriato, com um desconto de 45% face ao valor contabilístico bruto de 716,7 milhões de euros.

Recorde-se que o Novo Banco acordou, em outubro do ano passado, a venda de uma carteira composta por quase nove mil imóveis a fundos da Anchorage Capital Group, por 388,9 milhões de euros, e que incluiu ativos imobiliários maioritariamente residenciais, mas também alguns imóveis industriais, comerciais e terrenos. O Projeto Viriato acumulou perdas de 159 milhões de euros com a venda de imóveis ao fundo Anchorage.

NB quase a fechar a venda de 3,3 mil milhões em malparado
Tal como o Jornal Económico avançou na semana passada, o prazo para a entrega das propostas vinculativas para a compra do portfólio de crédito malparado designado de “Nata 2” foi adiado do final de junho para o próximo dia 12 de julho.

O conselho de administração do Novo Banco escolheu uma short-list de três candidatos para passarem à fase da binding-offers (propostas vinculativas): a Bain Capital; a KKR com o Hipoges e o Davidson Kempner Capital. Tal como já foi noticiado, a Bain Capital, caso saia vencedora, terá a Whitestar como servicer para fazer a gestão e recuperação dos créditos.

O banco liderado por António Ramalho colocou à venda, em abril, um montante total de 3,3 mil milhões de euros de crédito malparado.

A Bloomberg entretanto confirmou a data de 12 de julho para a entrega das propostas para a compra dos créditos incobráveis (NPL – Non Performing Loans).

A agência diz que a Bain Capital está mais bem posicionada para ganhar este concurso.

O “Projecto Nata 2” é a maior carteira de crédito malparado à venda no mercado português. Tem o valor de 3,3 mil milhões e cerca de um quinto são créditos de empresas fora de Portugal, a maioria em Cabo Verde. O que irá implicar a intervenção de inúmeros escritórios de advogados para a atividade de recuperação.

Em causa estão 60 a 70 créditos de grandes devedores, dos quais apenas um terço tem colaterais e garantias reais (cerca de 1.000 milhões), enquanto os restantes financiamentos não apresentam quaisquer garantias (unsecured). A maioria dos créditos, segundo revelou uma fonte ao Jornal Económico, são créditos à construção e ao imobiliário.

Na lista de créditos incobráveis que estão englobados no Projecto Nata 2, estão os créditos da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, e da Ongoing, de Nuno Vasconcellos. Segundo apurou o Económico, o crédito malparado da Sogema tem o valor indicativo de 540 milhões de euros (o que incluirá juros) e os créditos da Ongoing, de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, têm o valor indicativo de 350 milhões de euros, a que acresce 240 milhões em papel comercial da holding que era dona do extinto “Diário Económico”.

Esta operação de venda está a ser liderada pela espanhola Alantra.

São esperadas perdas para o Novo Banco, com as vendas desta carteira. Tal como já referido, um dos administradores da Comissão de Acompanhamento do Novo Banco, que está encarregue de seguir a venda dos ativos que estão cobertos pelo mecanismo de capital contingente, José Bracinha Vieira, disse na COFMA que em 2019 prevêem-se prejuízos de 400 milhões decorrentes da “venda de um grande conjunto créditos (projeto Nata 2)”.

Artigo publicado na edição nº 1997, do dia 12 de julho, do Jornal Económico

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