CGD: Blockchain é a solução para alguns problemas da banca

“Há que criar momento e as circunstâncias para que [a tecnologia] cresça e se torne ‘mainstream'”, defendeu o diretor de Sistemas de Informação / Tecnologias da Informação da Caixa Geral de Depósitos, após elencar as potencialidades da blockchain para o sistema financeiro.

A inovadora tecnologia blockchain não será milagrosa, mas poderá representar a solução para alguns dos problemas da banca em Portugal, segundo Eugénio Baptista, diretor de Sistemas de Informação / Tecnologias da Informação da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

“O setor financeiro está a recuperar de uma grande crise que levou a uma grande desvalorização dos ativos. Em Portugal, o objetivo é o retorno da rentabilidade. Há que rentabilizar o dinheiro que, no nosso caso, é o dinheiro dos contribuintes”, afirmou Baptista, na conferência Blockchain no Setor Financeiro, que teve lugar esta segunda-feira no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.

“A tecnologia blockchain não vem substituir tudo o que temos. Não é uma solução para tudo, mas é a solução para alguns problemas”, defendeu.

Segundo o responsável da CGD pelos sistemas de informação e tecnologia, há várias dimensões em que o sistema financeiro poderá beneficiar da implementação da tecnologia blockchain (que se baseia na descentralização e incorruptibilidade dos dados associados aos elos). Transferências bancárias e pagamentos, operações de comércio externo, crédito hipotecário e reporte regulatório são algumas das formas, segundo Baptista.

“Há uma panóplia de opções”, afirmou, referindo que a tecnologia poderá ajudar a banca a lidar com a pressão relacionada regulatório, de redução de custos, de novos hábitos de consumo (mais rápidos e digitais) por parte dos clientes e de competição por parte de fintech e gigantes tecnológicas.

Sublinha, no entanto que “há que criar momento e as circunstâncias para que [a tecnologia] cresça e se torne mainstream“.

Os agentes do setor, com destaque para grandes bancos como JP Morgan, BNP Paribas e Santander, estão a investir fortemente e estimam que o impacto da blockchain para o sistema financeiro chegue aos biliões de euros. Além da banca e gestão de ativos, também empresas de outros setores, incluindo a BP e a IBM, estão a apostar na tecnologia. “Há o capital necessário para responder aos desafios”, acredita Eugénio Baptista.

“O maior problema que vamos ter não é tecnológico – claro que vamos ter problemas tecnológicos -, mas é um problema de escala. Para ser rentável e ter escala, tem de haver participantes e capital. É algo que temos de olhar com atenção e acompanhar”, acrescentou.

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