CGD com lucros de 194 milhões de euros no primeiro semestre

Caixa voltou aos lucros no primeiro semestre de 2018.

Cristina Bernardo

O banco liderado por Paulo Macedo apresentou um resultado líquido de 194,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2018, resultados que contrastam com os 49,9 milhões de euros de prejuízo registados nos primeiros seis meses de 2017, de acordo com comunicado divulgado hoje na CMVM.

A rentabilidade dos capitais próprios fixou-se em 5,3% (5,7% no que respeita à atividade recorrente).

A atividade doméstica contribui com 119 milhões para o resultado consolidado o que compara com 169 milhões negativos no semestre homólogo de 2017.

O banco destaca a “continua melhoria da qualidade dos ativos, com uma redução do rácio de NPL (malparado) para 10,5%, descendo 3 pontos percentuais face a junho de 2017”. A cobertura por imparidades foi de 61,6% e 41,9% a cobertura por colateral, o que dá uma cobertura total de 103,5%.

A explicar a melhoria dos resultados no primeiro semestre deve-se, sobretudo, à redução das provisões e imparidades, que cairam 88,5% para 44,8 milhões de euros. Um decréscimo face aos 390,3 milhões no período homólogo. Isto condicionou de forma significativa os resultados operacionais que totalizaram 328,6 milhões.

Mas houve um agravamento para mais do dobro das imparidades para crédito (subiram para 113 milhões), que foi compensado pelo recuo das provisões e imparidades para os outros activos (como fundos de reestruturação), que passou de 343 milhões positivos para 68,2 milhões negativos.

O custo de risco de crédito (imparidades a dividir pela carteira de crédito) é de 0,38%. Piorou em relação a junho de 2017, porque, explicou José Brito, administrador financeiro, decidiram reforçar os níveis de cobertura por imparidades para facilitar a venda de portfólios de crédito (carteiras).

Após o ano de 2017 em que a CGD reduziu os seus NPL (Non Performing Loans, segundo definição da EBA) em 2,7 mil milhões de euros, o primeiro semestre de 2018 regista já uma redução adicional de 1,1 mil milhões de euros, com forte impacto das componentes de curas (reestruturações), write-offs e recuperações.

Paulo Macedo disse na conferência de imprensa de apresentação de resultados que a meta agora acordada com Bruxelas é de atingir um rácio de NPL de 7%, e por isso será feito através de vendas de carteiras, write-offs e recuperação de créditos.

O presidente do banco reduziu o malparado em 3,6 mil milhões de euros entre 31 de dezembro de 2016 e junho de 2018.

O total do balanço consolidado da Caixa reduziu-se em 1.740 milhões no semestre atingindo os 91.508 milhões.

“Assumiu especial relevo nesta redução o reembolso de 2 mil milhões de euros de financiamento ao Banco Central Europeu (BCE)”, disse a CGD que assim é o único banco que não tem empréstimos do BCE.

O crédito a clientes líquido caiu 5,9% face ao período homólogo de 2017. Soma 53.763 milhões.

“A redução sentida no crédito a clientes, fortemente influenciada pelos processos de vendas e write-offs de NPL”, adiantou ainda a CGD.

Paulo Macedo admitiu ainda reforçar o crédito ao consumo, mas para os seus próprios clientes, para que não o tenham de fazer com outro banco, pois “a Caixa tem perdido quota de mercado nessa área”, disse. A CGD é o único que não tem estado a aumentar o crédito ao consumo.

O crédito bruto a empresas em Portugal (sem construção e imobiliário) cresceu 6% (ou mais 468 milhões) face a dezembro elevando o stock para 8.264 milhões.

No outro lado do Balanço, os depósitos aumentaram 681 milhões (+1,1%) para 64.190 milhões, sobretudo em Portugal.

No total de recursos captados o banco em Portugal soma 71.067 milhões em Junho, mais 2% do que em Junho do ano passado. Devido apanhar produtos de poupança fora do Balanço como as OTRV.

A Caixa diz que o plano estratégico está a ser cumprido e no rumo certo para atingir os objetivos acordados para 2020. O banco atingiu o número de balcões de 522 em Junho e o número de empregados 7.903 (-418 face a dezembro).

Ainda na conta de resultados, a margem financeira da CGD em Portugal teve um crescimento de 5,8% face ao primeiro semestre de 2017 alcançando 367,2 milhões de euros. A margem financeira consolidada reduziu 2,1% fixando-se em 593,3 milhões impactada por efeitos cambiais adversos em Angola e Macau, explicou a instituição. Excluindo o referido efeito cambial, a margem financeira consolidada da CGD teria alcançado os 619,3 milhões de euros, um crescimento de 2,2% face ao primeiro semestre de 2017.

Os resultados de serviços e comissões totalizaram 239,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2018, um crescimento de 21,0 milhões de euros (+9,6%), face ao valor apurado no final do período homólogo de 2017, beneficiando do aumento de 21,3 milhões de euros registados em Portugal (+13,3%).

O resultado obtido em operações financeiras atingiu os 50,9 milhões de euros no final do primeiro semestre de 2018, valor que compara com 217,9 milhões de euros apresentados no período homólogo de 2017, altura em que este valor estava influenciado por receitas de trading one-off.

O produto bancário gerado pela CGD no semestre alcançou assim 889,3 milhões de euros, uma redução de 153,1 milhões de euros face ao semestre homólogo de 2017, influenciado pela redução significativa dos resultados de operações financeiras, dada a elevada expressão, dos mesmos, registada em 2017.

O total de Clientes Ativos na CGD Portugal atinge 3,8 milhões em junho de 2018, incluindo a captação de 26 mil novos clientes no primeiro semestre.

Os rácios de capital da CGD beneficiaram no semestre da emissão Tier 2 de 500 milhões que causou a subida do rácio total (phased-in) em 1, p.p., alcançando 16,5% em junho. Os rácios CET 1 phased-in e fully implemented fixaram-se ambos em 14,0%, “evidenciando uma robusta posição de capital da CGD, mesmo com a implementação no primeiro trimestre de 2018 sem phasing-in da norma IFRS 9”, diz o banco.

A CGD concluiu em Junho o Plano de Recapitalização acordado com Bruxelas, no valor total de 4.944 milhões, em Junho.

Os custos operacionais do primeiro semestre de 2018 evidenciam uma redução homóloga de 14,3%, tendo atingido 515,8 milhões de euros. Esta diminuição de custos de estrutura na atividade consolidada “foi transversal a todas as componentes, tendo atingido 49,0 milhões de euros (-13,1%) nos custos com pessoal, 21,7 milhões de euros (-12,1%) nos gastos gerais administrativos e 15,6 milhões de euros (-32,9%) nas depreciações e amortizações”, diz a CGD.

O nível de eficiência da CGD continuou a progredir com o cost-to-income a registar 50,8%. Isto excluindo os custos não recorrentes de 50,7 milhões de euros em 2018 e 61,0 milhões de euros em 2017 referentes a programas de redução de pessoal bem como a gastos gerais administrativos.

O resultado de exploração core (soma da margem financeira com comissões deduzida dos custos operativos) aumentou 29,9 % face ao período homólogo do ano anterior para 367,3 milhões.

Os resultados de filiais detidas para venda ascenderam a 24,8 milhões de euros. Por sua vez, os resultados em empresas por equivalência patrimonial atingiram 27,1 milhões de euros, o que representou um aumento de 16,1 milhões de euros, refletindo em particular a evolução favorável da atividade seguradora no semestre.

A CGD também avança, tal como o BCP e BPI, na banca a digital, e anuncia 2 milhões de clientes ativos, o que são 46% dos utilizadores de internet banking no mercado nacional.

(Atualizada)

Ler mais
Relacionadas

CGD vai pagar 100 mil euros por mês para abater juros negativos nos créditos à habitação

Este é o banco que até agora sente mais o impacto da nova legislação. O BCP tinha anunciado que esse impacto foi em 5.200 contas e o BPI em 3.000 contas.

CGD vende 300 milhões de euros em imóveis no semestre

A Caixa Geral de Depósitos alienou no primeiro semestre mais de 300 milhões de euros em imóveis, dos quais 110 milhões de euros já estão escriturados (com escrituras feitas). Este valor inclui 113 milhões de euros de uma carteira de NPL (malparado) com mais de cinco anos.
Recomendadas

Inovação e empreendedorismo

Há que aplicar as novas tecnologias à cadeia de valor de uma empresa para que esta possa fornecer a melhor resposta ao cliente, conhecendo e focando-se nas necessidades que este tem. Neste ponto as startups representam uma mais-valia.

CGD avalia ações contra gestores que aprovaram crédito a Vale do Lobo

Advogados da CGD estão a avaliar ações cíveis contra gestores da administração de Santos Ferreira que deram ‘luz verde’ a operação Vale do Lobo. Parecer é entregue após o verão para decisão final.

JP Morgan bem posicionado para liderar entrada em bolsa da WeWork

Dona da WeWork vai emitir obrigações até seis mil milhões de dólares e fontes próximas da empresa revelaram que a instituição financeira que montar esta operação poderá ter papel ativo na entrada em bolsa da WeWork.
Comentários