Chuva de março prejudicou o investimento na construção em Portugal

O investimento em construção tinha tido especial relevância para o crescimento económico do país, no ano passado. Em janeiro e fevereiro, manteve a tendência, mas março foi de queda para o setor devido às fortes chuvas.

A quebra da construção ao longo do primeiro trimestre do ano travou a evolução do investimento em Portugal e, consequentemente, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Num relatório publicado esta quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) aponta para o impacto das fortes chuvas de março no setor.

“O abrandamento da FBCF [Formação Bruta de Capital Fixo] total resultou, em grande medida, do crescimento menos intenso da FBCF em Construção, que passou de uma variação homóloga de 7,9% no quarto trimestre [de 2017] para 2,3% [no primeiro trimestre de 2018]”, explicou o INE.

“Refira-se que em março se registaram elevados níveis de precipitação, o que poderá ter condicionado a atividade de construção”, referiu.

A atividade na construção aumentou em janeiro e fevereiro, mas o crescimento abrandou para 2,5% em março (menos 0,3 pontos que no mês anterior). Este parâmetro da FBCF tinha tido especial relevância para o crescimento económico do país, no ano passado, ao ritmo mais rápido desde 2000.

Em 2017, o PIB cresceu 2,7%, tendo atingido, em termos nominais, os 193 mil milhões de euros. O investimento aumentou 8,4%, graças à aceleração da FBCF para uma taxa de variação de 9% (em comparação com 1,5% em 2016). A componente da construção foi que mais contribuiu, tendo registado um aumento de 9,2%, após ter diminuído 0,3% em 2016.

Investimento avança mesmo com travão na construção 

Apesar da desaceleração da atividade na construção do início do ano ter penalizado, o indicador de FBCF, que engloba aquisições líquidas de cessões efetuadas por produtores residentes de ativos fixos, aumentou 4,7%. O valor do primeiro trimestre representa uma diminuição de 1,2 pontos percentuais face ao último trimestre de 2017.

A FBCF em equipamento de transporte aumentou 11,7% em volume, enquanto em outras máquinas e equipamentos subiu 9,2% e em produtos de propriedade intelectual cresceu 1%.

Assim, o investimento (onde se inclui FBCF e variação de existências) registou um crescimento homólogo de 6,6% em volume, que compara com 6,4% no trimestre anterior.

“Esta ligeira aceleração foi determinada pelo comportamento da variação de existências, que apresentou um contributo positivo de 0,3 pontos percentuais para a variação homóloga do PIB (0,1 p.p. no quarto trimestre), refletindo o efeito de base determinado pelo contributo negativo verificado no primeiro trimestre de 2017 (-0,4 p.p.). Por seu lado, a FBCF aumentou 4,7% no primeiro trimestre, menos 1,2 pontos percentuais que no trimestre anterior”, acrescentou o INE.

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“A procura externa líquida apresentou um contributo mais negativo para a variação homóloga do PIB”, explica o relatório do INE, publicado esta quarta-feira, que confirma a desaceleração da economia nacional nos primeiros três meses de 2018.

Construção foi o alicerce do crescimento económico mais rápido desde 2000

A economia nacional cresceu 2,7% em 2017, impulsionada pelo investimento. Todos os segmentos aumentaram – desde a maquinaria à propriedade intelectual -, mas foi a construção que mais se destacou.

Produção no setor da construção abrandou para 2,5% em março

Os dados revelados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o abrandamento da atividade na construção foi penalizada pelo setor da engenharia civil, cuja produção caiu 0,7 pontos percentuais em março.
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