Cimpor tenta captar capital e reduzir dívida

Além de poder aumentar o capital da Cimpor em até dois mil milhões de euros, o grupo brasileiro decidiu dispersar o capital da participada argentina.

A Cimpor está a tentar captar capital fresco de diversas formas e em vários continentes com o objetivo de reduzir a dívida e reforçar a estrutura financeira do grupo, uma vez que neste momento (final do primeiro trimestre) apresenta capitais próprios negativos de 456 milhões de euros. Com efeito, nos primeiro três meses deste ano, a dívida líquida da cimenteira aumentou 4% face a 31 de dezembro do ano passado, para um total de 3.509 milhões de euros.

Esta situação será um dos principais fatores explicativos para o anúncio que ocorreu esta semana da convocatória de uma assembleia geral extraordinária da sua subsidiária na Argentina, a Loma Negra, para “promover uma oferta de capital nos mercados de capitais local e internacionais”.
Segundo apurou o Jornal Económico, isto quer dizer que o grupo brasileiro irá cotar uma parte do capital da Loma Negra através de um IPO (Oferta Pública Inicial), para atrair novos investidores e acionistas, mas mantendo o controlo da empresa.

“No âmbito das iniciativas de fortalecimento da sua estrutura de capital, a Cimpor informa que o conselho de administração da sua subsidiária Loma Negra, CIASA (…), Argentina, convocou uma assembleia geral extraordinária, de cuja agenda de trabalhos consta a promoção de um conjunto de diligências que permitam dotar a Loma Negra dos requisitos necessários para promover uma oferta de capital nos mercados de capitais local e internacionais”, revela o referido comunicado hoje divulgado pela CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A assembleia geral extraordinária da Loma Negra para aprovar este IPO está agendada para o próximo dia 3 de julho, em Buenos Aires.

Além da cotação na bolsa da capital argentina, o IPO poderá ser colocado na bolsa de São Paulo, não se sabendo se a Euronext Lisbon será uma das opções a ter em conta neste processo.

Contactada pelo Jornal Económico, fonte oficial da Cimpor remeteu para o teor do comunicado divulgado.

A 8 de dezembro passado, o jornal paulista Estadão, citando a Reuters, avançava que a Camargo Corrêa estava a negociar a venda de uma fatia de 40% do capital da Loma Negra, maior produtora de cimento da Argentina, a diversos investidores, em particular a fundos de investimentos e grupos empresariais não focados exclusivamente na produção de cimento.

Não se sabe se esta operação poderá travar a possibilidade de a Cimpor aumentar o capital social. Na assembleia geral do passado dia 5 de abril foi aprovada uma proposta do conselho de administração da empresa para renovar no tempo a possibilidade de efetuar um aumento de capital social da empresa, aumentando o seu teto máximo de mil para dois mil milhões de euros, podendo esta ser uma operação faseada. Entretanto, a 26 de maio, a Cimpor anunciou que irá retirar-se da bolsa portuguesa.

A tentativa da Cimpor encaixar dinheiro já decorre há uns tempos com a alienação de ativos considerados não estratégicos. Ainda em maio, a Cimpor vendeu a sua participação na Hidroelétrica do Estreito, no Brasil, por um montante de 86 milhões de euros, como é referido no relatório e contas da empresa referente ao primeiro trimestre deste ano.

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