CMVM procura ajuda das universidades para acompanhar inovação financeira

“Parece-nos que a abordagem correta é de diálogo e cooperação com a sociedade civil, onde os centros de conhecimento, nomeadamente a academia, assumem um papel determinante”, explicou a vice-presidente da CMVM, ao Jornal Económico, na assinatura de dois protocolos com universidades em Lisboa.

A inovação e digitalização estão a transformar todos os setores, incluindo o financeiro. A Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM) está ciente do ritmo acelerado dos avanços tecnológicos e não quer passar ao lado. Para isso, estabeleceu esta terça-feira duas parcerias com universidades, que se juntam a outras três já existentes. O supervisor financeiro não deverá ficar por aqui.

“A CMVM tem já uma tradição antiga de relacionamento com a academia, nomeadamente através dos nossos programas de estágios”, a vice-presidente da CMVM, Filomena Oliveira, em declarações ao Jornal Económico, à margem da primeira edição da Jornada de Crowdfunding, que se realizou esta terça-feira, em Lisboa.

“Neste momento, com estes protocolos procuramos dar vários passos à frente porque entendemos que, por um lado, a importância da literacia financeira é reforçada no atual contexto de grande transformação financeira a que estamos assistir e, por outro, que é também nossa missão enquanto supervisores uma relação de diálogo direto com todos os stakeholders“, referiu.

Filomena Oliveira assinou um protocolo com a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, representada pelos professores Miguel Teixeira de Sousa e Pedro Romano Martinez, e outro com a Nova School of Business and Economics, representada por Daniel Traça.

A vice-presidente do supervisor nacional sublinhou a relevância do papel das universidades no aprofundamento de temas relacionados com nível inovação financeira e que “a CMVM por si não conseguiria desenvolver”. Assim, alunos de mestrado e doutoramento poderão ter acesso a informação, conhecimentos do sistema financeiro e da regulação, bem como estágios no regulador.

“Fazemos estes protocolos muito orientados para o acompanhamento da inovação financeira em parceria com a academia porque a transformação financeira é uma realidade que o supervisor financeiro enfrenta no seu dia-a-dia. Todos os dias surgem novas formas, novos produtos, novas abordagens de mercado, com componentes tecnológicas profundas. Compete à CMVM acompanhar e monitorizar estes movimentos, no sentido de informar e educar os investidores”, acrescentou Filomena Oliveira.

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