Com Draghi previsível, mercados olham para divergência do BCE face à Fed

A maioria dos analistas acredita que ainda não é desta que o BCE vai mexer nas taxas de juro ou nos estímulos. No entanto, esperam alterações para um discurso mais otimista, na reunião de política monetária do BCE esta quinta-feira.

Reuters

A recuperação económica na zona euro está robusta, os perigos anti-euro das eleições parecem estar a desvanecer-se e nem o Brexit está a agitar as águas europeias mais que o esperado. Por isso, o foco dos mercados europeias poderá estar a transitar para as divergências entre a postura dos bancos centrais da Europa e dos EUA.

“As discussões nos mercados de capitais vão provavelmente focar-se de forma mais forte na divergência nas abordagens de política monetária – particularmente entre a Reserva Federal norte-americana (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE)”, refere a Allianz Global Investors numa nota de research.

“Ao contrário das nossas expetativas, os mercados parecem esperar uma abordagem menos acomodatícia dos guardiões da moeda norte-americana”, continua. Pelo contrário, os analistas esperam poucas mudanças vindas da reunião de política monetária europeia desta quinta-feira.

Os 65 economistas consultados pela agência Reuters mostram consenso: tanto as taxas de juro como o programa de compra de ativos deverão manter-se inalterados na reunião do conselho de governadores do BCE. Na semana passada, quando esteve no Parlamento europeu, Mario Draghi lembrou que a inflação subjacente e a subida dos salários permanecem contidos, salientando que é muito cedo para o BCE começar a pensar em mudar o rumo.

No entanto, o presidente do BCE elogiou a retoma da economia e os analistas esperam que o italiano mantenha um discurso otimista sobre o progresso sincronizado dos países da moeda única. Draghi poderá até melhorar as previsões sobre o crescimento económico e sobre a diminuição dos riscos, segundo 90% dos economistas questionados pela Reuters.

Uma das razões para isso é Draghi estar a preparar o caminho para o que se vai seguir ao verão. Mais cedo ou mais tarde, o BCE terá de começar o tapering, ou seja, a redução gradual dos estímulos à zona euro. Para já, o plano é manter o ritmo atual de compra de ativos em até 60 mil milhões de euros por mês, sendo que o BCE tem referido que irá começar por retirar os estímulos e apenas depois irá aumentar as taxas de juro.

“Esta é uma situação difícil para o BCE, uma vez que o crescimento robusto e as fracas pressões sobre os preços trazem expetativas divergentes de políticas”, explicou a economista-sénior da ING, Bert Colijn, à Reuters. “O BCE será cauteloso sobre os planos para a política monetária para evitar uma ‘birra’ devido ao tapering, mas uma mudança na comunicação sobre o equilíbrio do risco e orientação para a frente pode ser esperada”.

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