Companhias aéreas norte-americanas cedem ao “nonsense Orwelliano” chinês

China impõe a sua política de unidade territorial a companhias aéreas. O prazo limite para as empresas visadas terminou ontem. A United Airlines, a Delta Air Lines e a American Airlines ‘obedeceram’ à China.

Três companhias aéreas norte-americanas acederam às pretensões chinesas e alteraram as referências a Macau, Hong-Kong e Taiwan presentes nos seus sites de forma a respeitarem a política de unidade territorial imposta pelo Partido Comunista chinês, liderado por Xi Jiping.

A informação é veiculada pelo “The New York Times”, “Washington Post” e “Reuters” e referem que as companhias American Airlines, a Delta Air Lines e a United Airlines acederam às pretensões chinesas.

Em causa está uma carta endereçada pela Administração da Aviação Civil Chinesa a cerca de 40 companhias aéreas no passado dia 27 de fevereiro de 2018. De acordo com a versão da carta enviada à United Airlines, a que o jornalista Josh Rogin do “Washington Post” teve acesso, as autoridades chinesas pediam às companhias aéreas para investigarem os seus sites e retirarem todas as referências a Taiwan, Hong-Kong e Macau que “erradamente os descrevem como países [independentes] ou de forma contrária à lei chinesa”, lê-se na carta.

Assim, as companhias aéreas visadas teriam até ontem, dia 25 de julho de 2018, para aceder às imposições chinesas. Até essa data, todas as companhias áreas deveriam adaptar todas as suas referências para, por exemplo, “Taiwan, Província/Região da China”. O mesmo sucedendo com Macau e Hong Kong.

Desde 1949 que a China e Taiwan são governados separadamente como dois países diferentes.

A Casa Branca, por altura do envio da carta chinesa, emitiu um comunicado no qual qualificou as pretensões chinesas de “nonsense Orwelliano” (numa clara alusão ao livro de George Orwell, 1984).

Segundo as publicações já mencionadas, a British Airways e a Lufthansa já acederam às imposições chinesas, referindo Taipei, capital de Taiwan, enquanto destino pertencente a “Taiwan, China”.

O”Washington Post” explica ainda que a carta dava instruções no sentido de “Taiwan ser incluído em qualquer mapa da China no site da United. Esta deve ainda utilizar a mesma cor no seu site para o território da China, Taiwan, Hong Kong e Macau. Taiwan não pode ser listado como um [outro] país perto da China. Os destinos de Taiwan não devem ser considerados como estando no sudeste asiático” mas antes fazendo parte do território chinês.

O Jornal Económico tentou contactar a TAP em vão. No entanto, todos os quatro aeroportos que aparecem no motor de busca do seu site – Hangzhou, Hong Kong, Macau e Pequim – fazem uma referência expressa a “República Popular da China”

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