Compram online, detestam massificação e são altamente desconfiados: estes são os Millenials

Estão a transformar hábitos de consumo, têm preferência por marcas locais e escolhem adiar a vida em casal e a constituição de família. Estima-se que existam dois mil milhões de Millenials no mundo inteiro, o que corresponde a mais de 25% da população mundial.

REUTERS/Jeff Zelevansky

Segundo um relatório da Goldman Sachs, os membros da geração Millenials – pessoas nascidas entre 1980 e 2000 – constituem uma das mais numerosas gerações da história. Só nos Estados Unidos da América (EUA) o relatório conclui que existem cerca de 92 milhões de Millenials, um número muito acima dos 61 milhões da geração anterior, a Generation X, e dos 77 milhões que compõem os baby boomers.

Estima-se que existam dois mil milhões de Millenials no mundo inteiro, o que corresponde a mais de 25% da população mundial, que serão responsáveis por alterações profundas na sociedade – desde transformações nos hábitos de consumo a preferências por marcas locais sem esquecer a escolha em adiar vida em casal e constituir família.

Os Millenials trazem ainda outras alterações estruturantes na sociedade global. Quatrocentos milhões são chineses e, nos Estados Unidos, 43% não são brancos, avança o site espanhol Expansiòn. Embora os asiáticos superem os ocidentais em larga escala, os Millenials, como qualquer outra geração, reúnem traços característicos que lhes são transversais.

O marketing das massas, muito popular entre os baby boomers entre as décadas de 60 e de 90, não agrada à geração mais numerosa do planeta. As grandes marcas tiveram que se adaptar às preferências deste tipo específico de consumidores que prefere comunicar e comprar online e tem uma predilecção por marcas mais pequenas e locais, que lhe inspiram mais confiança. “Produtos orgânicos, naturais e que não estejam geneticamente modificados estão a cristalizar-se rapidamente nos Estados Unidos”, afirma Laurent Freixe, diretor comercial da Nestlé no continente americano. No passado dia 11 de novembro de 2017, durante o festival do consumo online na China, gastaram-se vinte e cinco mil milhões de dólares no Alibaba, revela o expansión.com.

As empresas solidificadas no mercado estão ameaçadas com o surgimento de novas alternativas mais apelativas para os Millenials. A Disney foi ultrapassada pela Netflix como a empresa de entretenimento mais valiosa no mundo enquanto as gigantes tecnológicas Google e Facebook, que geram milhões de euros em publicidade, puseram em causa os grandes agentes mundiais de marketing, como a WPP. O expansion.com conclui que, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group, os grandes grupos de consumo norte-americanos perderam vinte e dois mil milhões de dólares em vendas para as marcas mais pequenas.

Também a forma como se produz e consome informação está a mudar. O uso da televisão está a cair e os programas de rádio estão a ser suplantados por podcasts que, devido à sua especificidade, fornecem conteúdos mais alinhados com os interesses dos Millenials. Aliás, a especificação de conteúdos resulta numa maior fragmentação da informação que, contrariamente ao que dantes se fazia, atrai vários nichos de mercado em vez do mercado em geral.

Esta tendência é patente, por exemplo, na indústria da beleza que expõe produtos no Instagram. São muitas as pequenas marcas, mas mais provocadoras que os grandes agentes de mercado, que cresceram 16% entre 2008 e 2016. A expansão desta indústria naquela rede social gerou cerca de 250 mil milhões de dólares.

Regra geral, os Millenials americanos e europeus são pessimistas. Quando questionados sobre as suas opções de melhorar em relação aos seus pais, um estudo da UK Resolution Foundation demonstrou que “os pessimistas superam os otimistas”. Em Inglaterra, 39% dos Millenials têm formação superior, contrastando com 23% da geração anterior. Os Millenials “são pessoas sofisticadas e ambiciosas, mas falta-lhes segurança”, conclui o estudo. “Sair de casa, conseguir um emprego e ter filhos ficou para mais tarde: 45% dos norte-americanos entre os 18 e 0sd 34 anos já o tinham feito em 1975; em 2015, apenas 24% o conseguiu”.

Os Millenials são uma geração desconfiada – talvez pelo clima económico que se espalho no mundo depois da crise de 2008. Esta geração, de modo geral, não confia nos governos nem nas instituições. Um estudo realizado em 2014 descobriu que os Millenials são quem menos confia nos demais, apenas 19%, enquanto os 40% dos baby boomers e 31% da Generation X afirma não ter problemas de confiança.

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