Confiança dos consumidores portugueses aumenta e hábitos mudam

Portugueses estão mais confiantes sobre o futuro do mercado de trabalho e finanças, perto da média europeia. Mas poupança “continua a ser uma prioridade”, segundo a Nielsen.

Cristina Bernardo

Após a recessão económica, a confiança dos consumidores portugueses aumentou para níveis históricos e refletiu mudanças nos hábitos: os consumidores estão agora mais disponíveis para pagar preços mais elevados por produtos que tragam benefícios visíveis.

“Com o aumento da confiança dos portugueses, surgiram algumas alterações nos seus hábitos de consumo”, diz Ana Paula Barbosa, Retailer Services Director da Nielsen, em declarações ao Jornal Económico.

A analista da Nielsen explica que “aumentou a propensão para pagar preços mais altos por produtos que tragam algum benefício percetível ao consumidor”, acrescentando que “hoje vemos segmentos premium a ganhar importância relativamente aos segmentos mais básicos, mesmo em categorias de bens essenciais como é o caso dos Iogurtes ou da Massa, entre outros”.

No último trimestre de 2017, o nível de confiança dos consumidores portugueses distanciava-se apenas por dois pontos da média europeia, ao alcançar 85 pontos, segundo a Nielsen, à boleia do optimismo sobre o futuro do mercado de trabalho e finanças.

Os consumidores portugueses abandonaram a crise com “níveis de confiança mínimos e más perspetivas de trabalho e finanças pessoas, diz-nos Ana Paula Barbosa, exemplificando que “43% da população afirmava que não lhe sobrava dinheiro após o pagamentos das despesas essenciais”. Mas o cenário mudou.

“Atualmente, 55% dos consumidores portugueses já não considera que o país esteja em recessão económica, as suas perspetivas de trabalho e finanças estão cada vez mais positivas e acreditam cada vez mais que esta é uma boa altura para comprarem aquilo que querem ou necessitam”, explica Ana Paula Barbosa.

A reflectir o aumento da confiança destacam-se o os bens de grande gonsumo (BGC), que registaram um  crescimento de 4,2% em relação ao período homólogo. “Com a recuperação da estabilidade económica, foi especialmente o sentimento de alívio que provocou este aumento tão significativo na confiança dos portugueses, ultrapassando até os valores registados antes do início da crise”, realça Ana Paula Barbosa.

A analista da Nielsen realça ainda que “apesar de uma maior preocupação com a saúde, assistimos ainda, resultado de uma maior predisposição para o consumo, a crescimentos nas categorias de compra por impulso” e exemplifica: aperitivos embalados – aumentaram 7% em volume em 2017 – , chocolates  e chupa-chupa – registaram um aumento de 4% ou batatas fritas, com um crescimento de 2%.

Segundo o Estudo da Confiança dos Consumidores, desenvolvido pela Nielsen, 47% dos portugueses – enquanto 37% dos europeus – canaliza o dinheiro excedente após as despesas básicas para fazer poupanças.

“Esta tem sido ao longo dos anos uma das principais prioridades na gestão das finanças pessoais dos portugueses, embora um pouco menos relevante nos anos de crise, altura em que cerca de 40% dos consumidores assumia que não lhe sobrava dinheiro ao final do mês. Com a recuperação da estabilidade e da confiança, mesmo apesar de 1/3 dos portugueses assumir que a sua condição financeira melhorou, são cada vez mais aqueles que optam por poupar e por fazer compras inteligentes”, sublinha Ana Paula Barbosa, antevendo que “a poupança tem sido e continua a ser uma prioridade, especialmente em Portugal”.

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